Categoria: Método e Treinamento

  • Manias de Quem tem Treinador, mas Vive Mudando o Treino

    Manias de Quem tem Treinador, mas Vive Mudando o Treino

    Entenda por que a falta de treinabilidade pode sabotar sua evolução na corrida – mesmo com orientação profissional.

    Você segue exatamente o que está na planilha? Ou acha que quase sempre dá para fazer um pouco mais — ou mais forte?

    📺 Prefere aprender assistindo?
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    Esse é um dos temas mais interessantes dentro do treinamento de corrida: o equilíbrio entre autonomia e orientação técnica.

    Pode parecer contraditório, mas é muito comum que um corredor contrate um treinador e, depois disso, comece a modificar por conta própria os treinos prescritos. É como buscar ajuda profissional e, ao mesmo tempo, ignorar parte dessa ajuda.

    Isso acontece mais do que se imagina. O corredor recebe a planilha, mas:

    • ajusta o treino
    • adiciona quilometragem
    • troca treinos de lugar
    • ou altera o ritmo proposto

    Tudo isso baseado no que acredita ser melhor naquele momento.
    Mas aqui surge uma pergunta importante: Se ele já sabia exatamente o que precisava fazer, por que buscou orientação especializada? E é importante deixar claro: o problema não é a autonomia.

    Ela é, inclusive, uma qualidade importante — especialmente em corredores que já possuem experiência e conseguem interpretar bem o próprio corpo em situações específicas.

    O problema surge quando essa autonomia nasce da desconfiança no processo.
    Nesse caso, além de colocar o progresso em risco, essa postura pode tornar a relação treinador–atleta superficial, baseada mais em formalidade do que em construção real de resultados.

    O conceito de treinabilidade mental

    O que significa ser treinável

    Enquanto a treinabilidade física foca na resposta fisiológica, a treinabilidade aqui, evidencia a esfera cognitiva/comportamental para a capacidade de ser treinado. O “atleta treinável” aqui não significa obedecer ordens.

    Significa algo muito mais sofisticado:

    • confiar no processo
    • aderir ao plano de treinamento
    • estar aberto ao aprendizado
    • aceitar ajustes com maturidade

    Em outras palavras, ser treinável é colaborar com o processo de evolução.

    Treinador e atleta se cumprimentando na pista de atletismo após sessão de treino de corrida

    A colaboração tem que ser mútua, entre treinador e treinado.

    Até os maiores atletas do mundo têm técnicos, e isso não acontece por acaso. Mesmo com enorme experiência e profundo conhecimento do próprio corpo, nenhum atleta consegue enxergar tudo sozinho.

    Eu mesmo já treinei atletas extremamente experientes — corredores que conheciam profundamente os próprios treinos. Em muitos casos, tecnicamente eles até poderiam conduzir o próprio treinamento, mas a presença de um treinador traz algo muito valioso: dois especialistas pensando juntos tomam decisões melhores do que apenas um, especialmente nos momentos críticos da preparação.

    O papel estratégico da relação treinador-atleta

    A relação entre treinador e atleta cumpre funções estratégicas que vão muito além da simples prescrição de treinos. Entre as principais estão:

    Blindagem emocional nas fases difíceis

    O treinador ajuda a filtrar o ruído mental que aparece quando o atleta começa a duvidar do próprio desempenho ou passa a se comparar excessivamente com outros corredores, e isso evita decisões impulsivas baseadas em ansiedade.

    Enxergar o todo quando o atleta vê apenas o agora

    O atleta está imerso na rotina de treinos, por isso, muitas vezes ele enxerga apenas o treino do dia. O treinador, por outro lado, tem uma visão mais ampla do processo e consegue garantir que as decisões permaneçam coerentes com o objetivo final.

    Treinador de corrida com cronômetro observando o treino na pista com foco no planejamento esportivo

    Evitar o viés pessoal na escolha dos treinos

    Mesmo atletas experientes tendem a favorecer:

    • treinos que gostam
    • estímulos nos quais já são fortes

    E acabam evitando aquilo que realmente precisa ser desenvolvido. O treinador atua como uma âncora de equilíbrio entre preferência e necessidade.

    Responsabilidade compartilhada

    Treinar para uma meta importante é emocionalmente desgastante; ter um treinador significa dividir o peso das decisões, da responsabilidade e até das frustrações quando as coisas não saem como o esperado.

    Já o corredor amador normalmente enxerga apenas uma pequena parte do processo de treinamento. Por isso, muitas vezes um bom treinador funciona ao mesmo tempo como:

    • retrovisor – ostrando aquilo que o corredor não percebe
    • bola de cristal – antecipando cenários que o corredor ainda não consegue enxergar

    Como o corredor acaba mudando o treino

    Na prática, existem alguns comportamentos muito comuns entre corredores que modificam a planilha por conta própria; entre os mais frequentes estão:

    Ajustes na planilha por conta própria

    O corredor começa a alterar treinos para adaptar a planilha ao que ele acha melhor.
    Isso independe se o treinador fez ou não uma prescrição correta – o corredor acaba dando um jeitinho de desorganizar o plano.

    Correr mais forte do que o proposto

    Quem nunca ouviu o famoso: “Hoje eu estava me sentindo bem, então resolvi apertar um pouco.” O problema é que um único treino desproporcional pode comprometer toda uma semana de trabalho, e uma sequência deles pode comprometer até mesmo todo um ciclo de treinamento.

    Ignorar treinos leves ou regenerativos

    Outro comportamento comum é não respeitar os treinos leves, e aí, quando chega o momento de executar os treinos mais exigentes, aparece o problema: “Professor… hoje estou muito cansado.”

    Corredor que só quer fazer o que gosta dificilmente evolui. Evolução não pede – ela exige método, mas é importante dizer: isso raramente é uma questão de caráter, pois ninguém sabota o próprio progresso deliberadamente.

    Na maioria das vezes, trata-se apenas de falta de consciência sobre o processo de treinamento.

    📺 Conteúdo complementar:
    👉 Se você quer entender por que muitos corredores treinam sem clareza, veja também: Como a Alienação Barra Sua Evolução

    Quando mais acaba sendo menos

    Fazer mais do que o prescrito pode parecer dedicação, mas muitas vezes é apenas ansiedade ou vaidade.

    Xícara com água transbordando representando excesso de carga e sobrecarga no treinamento

    Vou dar um exemplo prático. Já tive alunos que tinham dificuldade para completar o treino longo – mesmo estando perfeitamente preparados para aquela distância.

    Fisicamente, tudo estava em ordem; o problema estava no início do treino. Eles simplesmente não conseguiam respeitar o ritmo estabelecido. Começavam mais fortes, empolgados… e depois da metade da corrida o sofrimento escalava rapidamente.

    Outro fator muito comum aparece nos treinos em grupo. Quem já treinou em grupo sabe que, às vezes, disputas surgem do nada, nem precisa haver uma palavra.
    Basta:

    • um olhar
    • um passo mais forte
    • um sprint no final do treino

    E, de repente, o treino vira uma competição silenciosa. É o ego querendo mostrar serviço, a vaidade querendo provar quem está mais em forma. O problema é que isso desvirtua completamente o foco do treinamento.

    Você deixa de correr pelo processo e passa a correr para provar algo aos outros, e às vezes o preço disso é alto; reconhecer esse campo e saber sair dele é um sinal de maturidade na corrida, porque a corrida é, acima de tudo, um esporte de resistência – não de demonstração de força momentânea.

    Perfis psicológicos de quem muda o treino

    Existem alguns perfis comportamentais bastante comuns entre corredores que modificam os treinos por conta própria. Reconhecer esses perfis ajuda a entender melhor o comportamento dentro do treinamento.

    1. O ansioso

    Ícone de carinha representando perfil ansioso de corredor no treinamento de corrida

    Quer chegar ao resultado o mais rápido possível, tem dificuldade em aceitar que o progresso exige tempo. Por isso:

    • aumenta treinos
    • acelera ritmos
    • ou tenta compensar dias que considera “fracos”.

    O risco é o corpo entrar em colapso antes que o progresso apareça.

    2. O vaidoso

    Ícone de carinha representando perfil vaidoso de corredor no treinamento de corrida

    Busca reconhecimento, quer mostrar que está forte, que evoluiu, que aguenta mais. Esse perfil costuma seguir mais o ego do que o plano de treinamento, e, no longo prazo, isso costuma cobrar um preço.

    3. O inseguro

    Ícone de carinha representando perfil inseguro de corredor no treinamento de corrida

    Não confia totalmente no processo e fica constantemente se perguntando:

    • Será que esse ritmo está certo?
    • Será que não deveria fazer mais?
    • Será que não estou treinando pouco?

    Essa dúvida constante faz com que ele ajuste o treino o tempo todo, muitas vezes sabotando o próprio plano.

    4. O arrojado

    Ícone de carinha representando perfil arrojado e ousado de corredor

    Tem perfil competitivo e gosta de desafios, tem dificuldade em aceitar treinos leves ou fases de construção e quer sentir superação todos os dias. O problema é que ignora a importância da recuperação.

    5. O competitivo

    Ícone de carinha representando perfil competitivo de corredor

    Esse perfil tem um radar sempre ligado nos outros corredores. Se alguém corre mais, ele sente que também precisa correr mais, se alguém acelera, ele acelera também. O treino deixa de ser guiado pelo plano e passa a ser guiado pela comparação externa.

    Esses perfis não são defeitos de caráter. São apenas pontos cegos comuns no comportamento de muitos corredores.

    Ao longo da minha trajetória como atleta de alto rendimento, tive a oportunidade de conviver de perto com competidores extremamente talentosos – alguns fisicamente impressionantes – que apresentavam um ou mais desses perfis.

    Em muitos casos, a limitação não estava no condicionamento, na técnica ou na capacidade de suportar carga, mas justamente no comportamento diante do treinamento e da competição.

    Ansiedade, vaidade, insegurança ou excesso de competitividade acabavam interferindo nas decisões, desorganizando o processo e, no fim, limitando o desempenho em provas importantes e até a própria longevidade da carreira.

    Reconhecer qual desses padrões aparece com mais frequência em você não é motivo de crítica, mas de lucidez. Esse é um passo fundamental para equilibrar autonomia e orientação técnica – e, consequentemente, evoluir de forma mais consistente.

    O valor da colaboração com o treinador

    Modificar o treino sem avisar o treinador é parecido com o paciente que muda o remédio por conta própria.
    Imagine um paciente que recebe uma prescrição médica cuidadosamente ajustada:

    • tipo de medicamento
    • dosagem
    • horários

    E decide, sozinho, dobrar a dose ou trocar o remédio, porque ouviu dizer que funciona melhor. O risco é evidente.

    Na corrida acontece algo semelhante; quando o corredor altera a planilha sem alinhar com o treinador, ele interfere em uma estrutura planejada para gerar adaptação progressiva e segura.
    Um bom plano de treinamento busca equilíbrio entre:

    • carga
    • recuperação
    • estímulo
    • adaptação

    Quando essa lógica é quebrada, todo o processo pode ser desorganizado.

    Espelho quebrado simbolizando desorganização e quebra da lógica no processo de treinamento

    O perfil do corredor treinável

    Características do corredor treinável

    O corredor mentalmente treinável costuma apresentar algumas características claras:

    • confia no processo
    • entende que resultado vem do esforço certo, não apenas do esforço máximo
    • aprende com feedbacks
    • respeita a lógica do treinamento

    Vantagens de ser treinável

    Quem desenvolve essa postura costuma experimentar benefícios claros:

    • mais clareza no processo
    • menos ansiedade
    • evolução mais consistente
    • menor risco de lesões

    A boa notícia

    A boa notícia é que qualquer corredor pode se tornar treinável. Na maioria das vezes, basta:

    • um pouco de abertura
    • disposição para compreender o processo
    • e confiança no plano de treinamento

    Mesmo corredores mais resistentes podem evoluir nesse aspecto. Por outro lado, alguns perfis realmente facilitam muito o trabalho técnico.
    São corredores que:

    • seguem o plano com disciplina
    • mantêm comunicação aberta com o treinador
    • demonstram interesse em compreender o processo

    Com esses atletas, o progresso tende a ser mais consistente, seguro e satisfatório.

    O papel da experiência do treinador

    Reconhecer perfis comportamentais, compreender gatilhos emocionais e ajustar a comunicação para cada atleta exige algo fundamental:

    Experiência

    Treinar pessoas não é apenas prescrever treinos; é saber conduzir individualidades. É encontrar equilíbrio entre respeitar o perfil do atleta e manter a direção técnica do processo, e no fim das contas, o bom treinador não conduz apenas planilhas, ele conduz pessoas em direção a metas.

    Você pode ser disciplinado, motivado e esforçado, mas se for pouco treinável, todo esse esforço pode estar indo na direção errada, e, nesse caso, a evolução dificilmente será a melhor possível.

  • O Movimento dos Braços na Corrida: Técnica, Eficiência e Economia de Energia

    O Movimento dos Braços na Corrida: Técnica, Eficiência e Economia de Energia

    Em qualquer treino ou prova de corrida, é comum a preocupação com aquilo que se carrega nos braços — relógio, celular, manguito, gel, mas raramente se questiona: como os braços estão se movendo?

    O gesto se torna automático e confortável, e justamente por isso, pouco analisado. A pergunta é inevitável: existem ajustes capazes de melhorar a movimentação dos braços e impactar positivamente a técnica global da corrida?

    A Força Motriz: Pernas Protagonistas, Braços Determinantes

    É evidente que a propulsão da corrida nasce nas pernas. Mas quanto maior o nível competitivo — ou o grau de autodesafio — maior a importância dos detalhes, e os braços entram como coadjuvantes de alto impacto biomecânico.

    Modalidades como a Natação dependem fortemente dos braços.
    Outras, como o Fisiculturismo, mantêm certo equilíbrio entre membros superiores e inferiores. Já na corrida, especialmente no âmbito amador, há tendência à negligência da técnica e do preparo dos braços. Mas isso pode custar:

    • Eficiência
    • Economia de energia
    • Equilíbrio
    • Ritmo

    Estilo ou Ajuste Técnico?

    Grandes atletas brasileiros das décadas de 1980 e 90 apresentavam estilos peculiares:

    Um dos maiores corredores fundistas que o Brasil já teve, atuou entre as décadas de 1980 e 90, trazia os braços colados ao corpo, gerando consequências que veremos mais adiante, e um dos nossos maiores corredores velocistas, na mesma época, corria com as mãos espalmadas, gerando alguma tensão nos antebraços que poderia se deslocar para regiões mais centrais do corpo.

    A inquestionável performance internacional de ambos, fazia das posturas de seus braços um mero detalhe de estilo próprio de correr, mas uma questão pode surgir: poderiam eles ter participado de maneira mais relaxada e assim, terem sido ainda melhores?

    Em alto nível, detalhe não é estilo; é desempenho acumulado

    A seguir, a imagem com uma sugestão de exercício específico de resistência de força de braços aplicado à corrida, não por acaso, frequentemente presente nos treinos de Força Funcional do Clube da Corrida.

    Exercício Específico: Resistência de Força para Braços

    Este movimento, tal como na corrida, abrange as regiões anteriores dos ombros e porções peitorais, além dos braços e antebraços, reforçando e provendo uma ótima condição a esses grupamentos para:

    • Suporte a percursos longos sem exaustão precoce
    • Auxílio em ritmos intensos
    • Ajuste de angulação e direção do gesto
    • Fortalecimento do componente anti-rotacional da coluna

    O ponto de fixação dos elásticos, posterior ao corpo e abaixo da linha dos antebraços, oferece uma resistência de resultante de força biomecanicamente muito interessante (veja no esquema abaixo).

    Resultante da resistência dos elásticos a determinado ponto de apoio.

    📌 Se você quiser visualizar na prática os ajustes técnicos e entender como aplicar isso no seu treino, assista:
    👉 O Movimento dos Braços na Corrida

    Vícios Posturais: Quando o Erro Vira Normal

    Os desvios do padrão ideal tornam-se automáticos, o cérebro registra como eficiente aquilo que é repetido — mesmo que não seja o melhor padrão.
    Ao tentar corrigir, surge desconforto; é nesse momento que entram:

    • Estímulos direcionados
    • Persistência
    • Consciência corporal
    • Frequência de correção

    Reeducação motora exige repetição qualificada

    A Técnica Correta do Movimento dos Braços

    O padrão ideal envolve:

    • Movimento anteroposterior
    • Oposição coordenada às pernas
    • Flexão aproximada de 90º entre braço e antebraço
    • Relaxamento nas articulações dos ombros
    • Punhos firmes, porém sem rigidez excessiva
    • Mãos sem tensão desnecessária
    • Braços que não cruzem exageradamente a linha medial do tronco

    A amplitude deve ser proporcional ao ritmo:

    Maior velocidade → maior amplitude de pernas → maior amplitude de braços.

    Erros Comuns no Movimento dos Braços

    Ângulos Inadequados

    • Ângulos maiores que 90º dificultam o fluxo do ritmo e criam força vertical descendente excessiva.
    • Ângulos muito fechados (< 90º) atrasam reações de equilíbrio e favorecem rotação exagerada do tronco.

    Braços Colados ao Tronco

    • Aumentam rotação axial
    • Provocam protrusão dos ombros
    • Podem dificultar a respiração

    Oscilação Vertical dos Antebraços

    Antebraços que sobem e descem verticalmente:

    • Deslocam o centro de gravidade
    • Aumentam impacto no solo
    • Reduzem economia mecânica

    Mãos Excessivamente Relaxadas

    Punhos soltos:

    • Exigem mais dos braços
    • Tensionam trapézios
    • Desorganizam o gesto

    O Que os Braços Realmente Fazem Por Você

    Ritmo

    Nos momentos difíceis de um treino ou prova, braços treinados ajudam a sustentar o ritmo quando as pernas começam a sinalizar fadiga. A técnica de corrida para vencer os aclives é um pouco diferente daquela em terreno plano, e mais uma vez a eficiência dos braços ajudarão bastante.   

    Equilíbrio

    Cada passada envolve:

    • Contato unipodal
    • Avanço da perna oposta
    • Fase aérea
    • Rotações opostas entre cinturas pélvica e escapular
    • Oscilação do centro de gravidade

    Os braços são fundamentais na compensação rotacional e estabilização dinâmica. Situações como:

    • Degraus
    • Irregularidades
    • Depressões no solo

    Exigem ajustes imediatos dos braços para manter o equilíbrio geral.

    Nas suas corridas do dia a dia, agora voce vai perceber que, sempre que se deparar com situações diferenciadas e instantâneas ao correr, como subir ou descer degraus, pisar em depressões ou outras irregularidades, o padrão de movimento da sua corrida subitamente muda por um instante, acompanhado imediatamente da mudança do padrão dos braços, que garantirão assim a continuidade do equilíbrio geral. 

    Direção

    Correr é mesmo para frente, combinado!… mas o movimento de um ou dos dois braços cruzando demasiadamente a linha medial do tronco, ou o contrário, fugindo para fora, geralmente produzem uma rotação excedente do tronco e uma força resultante diagonal que empurra o corpo lateralmente a cada passada, e a cada uma delas vai sendo corrigido, ao custo de energia preciosa.

    Enquanto os pés são nossos principais lemes; eles apontam e seguimos a direção, também na esfera biomecânica, os braços são nossos lemes secundários, sem a capacidade de determinar direções, mas capazes de atrapalhar um tanto.

    Antebraços que oscilam para cima e para baixo ao invés de mantidos fletidos em 90º em relação aos braços, geram forças que tendem a deslocar o centro de gravidade que juntamente leva o corpo no sentido vertical além do necessário, aumentando a força de impacto no solo.

    Os pés são os lemes primários. Os braços são lemes secundários. Se cruzam excessivamente a linha medial ou se afastam demais:

    • Criam forças diagonais
    • Empurram o corpo lateralmente
    • Exigem correções constantes
    • Geram desperdício energético

    Funcionalidade

    A integração entre:

    • Dorso alto
    • Trapézios
    • Ombros
    • Braços
    • Antebraços
    • Mãos

    Determina a harmonia postural da corrida. Movimento eficiente é movimento coordenado.

    Estética

    Braços que provocam rotações, antebraços pouco ou muito fletidos, que oscilam lateral ou verticalmente, mãos soltas pelos punhos e etc… geram arestas e movimentações desnecessários e fora do padrão específico e estético, estabelecendo um estilo individual, as vezes distante de uma técnica eficiente.

    Somos seres fortemente norteados também pelo senso estético, não tem como negar. Não fosse assim, os fabricantes de tênis e todos os demais artigos para corrida, não precisariam investir tanto no design de seus produtos, e quem corre, procurar por formas, cores e combinações na hora de adquiri-los.

    Braços desorganizados criam:

    • Arestas visuais
    • Movimentos desnecessários
    • Estilo distante de técnica eficiente

    Se, somos guiados pelo senso estético, se investimos tanto no design dos tênis e equipamentos, por que não investir na estética do próprio movimento? É por isso que, após a prova serão lembrados:

    • O vencedor
    • O de melhor técnica
    • O de pior técnica

    E, técnica é biomecânica organizada, então não é exagero cuidar da estética do movimento; é cuidado com eficiência.
    Braços não são protagonistas da propulsão, mas são determinantes da:

    • Economia
    • Estabilidade
    • Ritmo
    • Direção
    • Sustentação postural

    Na corrida, detalhes acumulam desempenho, e braços bem treinados fazem mais diferença do que parece.

  • O Treino a Distância: Como e Quando Funciona?

    O Treino a Distância: Como e Quando Funciona?

     A tecnologia estreitou rapidamente a distância para a difusão, troca de informação, para o ensino e mais recentemente para o trabalho remoto, e assim, chegou o futuro que viabilizou recursos com modelos inimagináveis até pouco tempo atrás, especialmente a algumas áreas, a ponto de instituições estruturadas e consolidadas no ensino presencial, investirem a maioria de suas fichas num nicho bem mais enxuto e que se mostrou capaz de trazer resultados parecidos.

    Melhoradas as questões de espaço, logística, conforto e custos para muitos grupos de empresários e colaboradores, um segundo momento, no entanto, acusou alguns problemas de ordem emocional para o segundo grupo, e até mesmo de ordem moral para o primeiro – veja a matéria que segue:

    https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2023/05/17/para-elon-musk-trabalho-remoto-e-moralmente-errado.ghtml

    Treino a Distância em Corrida: Como Funciona na Prática

    O Desafio da Técnica, Ritmos e Prescrição

    • Técnica
    • Domínio de ritmos
    • Prescrição periódica dos treinos

    Indo ao que mais nos interessa aqui, a modalidade a distância para a aplicação dos treinos de Corrida aborda, ao menos inicialmente, várias questões sensíveis do ensino da disciplina, como a técnica, domínio de ritmos, etc… depois, segue quase que exclusivamente com a prescrição periódica e execução dos treinos.

    A Grande Pergunta: Quanto o Treino a Distância Funciona? 

    Não menos importante que a questão sobre como funciona a orientação e toda dinâmica do treinamento a distância para os participantes de corridas de rua, é a resposta que a antecede: quanto o treino a distância para corredores funciona?

    O Que Realmente Modula o Sucesso do Treino a Distância

    Bem, para início de conversa, neste caso não há um paralelo ao ensino a distância formal, das disciplinas mais comuns, sob a regulamentação e validação de uma entidade como o MEC, nem padronizações específicas, então, o que modula o processo e seu grau de funcionamento é a habilidade da interação entre treinador e treinado, além de outras capacidades.  

    • Interação entre treinador e treinado
    • Experiência teórico-prática do treinadorde ritmos
    • Capacidade de leitura e ajustes periódicos dos treinos

    Em tese e a princípio, nada se igualaria ao contato integralmente presencial, em nenhum tipo de ensino ou treinamento, mas isso tem se relativizado. 

    Acostumado, sem opções, por toda minha fase mais produtiva na carreira atlética, por 10 anos, distante do treinador, num tempo em que um simples contato por telefone convencional ainda era difícil, é de se supor, por um lado, a ocorrência de déficits, e por outro, a tendência de se originarem compensações resolutivas para um processo assim dinâmico, tanto para o treinado quanto para o treinador, no caminho de se atingirem as metas.

    📺 Vídeo: Treino a Distância — Quando Funciona e Quando Não Funciona

     

    O Papel do Treinador no Treino a Distância

    A experiência teórico-prática do treinador, assim como seu feeling, têm um grande peso no sucesso do treino a distância, porque sua capacidade de questionamentos precisos, leitura momentânea do que se desenrola, prognósticos, readequações e ajustes rápidos, garantirá um rumo certo. 

    Experiência teórico-prática e capacidade de ajustes rápidos no treino a distância para corrida.

    Motivação e Engajamento Mesmo à Distância

    A motivação provida por parte do treinador ao treinado, por estratégias particulares e por aquelas conhecidas, como o incentivo à participação aos eventos de corrida de rua, é mais um fator de suma importância para que o plano não esmoreça. Leia o artigo sobre Estratégias Para Não Desistir: https://clubedacorrida.esp.br/blog/nao-desista

    Por que o Corredor Escolhe o Treino a Distância

    Do outro lado, dois pontos associados ou não, explicam a escolha do corredor por um modelo assim:

    • O perfil intimista daquele que não precisa ou até mesmo não gostaria de estar inserido nalgum grupo de treinos
    • A confiança no trabalho de um determinado treinador que vive distante. 

    O Papel do Aluno no Sucesso do Treino a Distância

    Além da execução dos treinos, o interesse por feedbacks constantes, quanto mais precisos e em tempo hábil, é a parte mais importante que cabe ao aluno/atleta para que possa atingir seus objetivos.

    Feedback constante no treino a distância para corredores.

    Pontos a Favor do Treino a Distância

    • O aluno/atleta tem a possibilidade da escolha por um treinador em função de sua capacitação comprovada, por sua linha de trabalho, ou por indicação, e não somente em função da distância entre os dois. Deixo aqui a observação de que muitos não verificam a expertise do futuro treinador antes de adquirir um plano;
    • O aluno/atleta treina de acordo com sua agenda diária e no local preferido, sem depender dos horários e locais impostos pelo profissional que o orienta;
    • Algumas pessoas muito introspectivas dispensam até mesmo a companhia do treinador. Elas preferem, ainda que de maneira orientada, utilizar todo o tempo em treino com suas reflexões, e sozinhas;
    • Quando a presença do treinador cria alguma forma inexplicada de pressão ou autocobrança exagerada por eficiência ou resultados, a melhor solução pode ser alguma distância dele. 
    Vantagens do treino a distância para corrida como flexibilidade e escolha do treinador.

    Pontos Contra ao Treino a Distância

    • Num ou noutro treino é bem vinda uma intervenção instantânea na forma de ajuste, feito pelo treinador, antes ou até durante o treino, dificultada ou impossibilitada pela distância;
    • Sinais corporais e de semblante, comentários antes durante ou pós-treino, que refletem condições como o nível de fadiga do aluno/atleta por exemplo, são parâmetros importantes na modulação mais precisa das cargas de treinos pelo treinador;
    • Os incentivos advindos da presença e ou de palavras do treinador, podem fazer muita diferença para a manutenção do interesse pelos treinos numa fase de rotina extensa ou pesada;
    • Muitos detalhes técnicos ou da preparação são percebidos ou lembrados, e esclarecidos durante os encontros para os treinos; e eventualmente, caem no esquecimento por conta da distância. 
    Interação no treino a distância com ajustes rápidos, sinais visíveis e motivação.

    Modelos de Treino a Distância

    Modelo Genuíno, onde o corredor e o treinador vivem a uma distância que impossibilita a orientação presencial; esta não acontece, ou acontecerá esporadicamente;

    Modelo Semipresencial, quando a orientação presencial acontece geralmente 1 a 2 vezes por semana, do total de 3 a 6 treinos semanais;

    Modelo de Incompatibilidade de Agendas, onde corredor e treinador vivem próximos; a distância entre eles não impede os encontros, mas suas agendas de horários e tarefas diárias não permitem as orientações diretas.

    Modelos de treino a distância para corrida: genuíno, semipresencial e por agenda.

    A tendência de maior ocorrência da contratação por um praticante de corrida, para o modelo genuíno de treino a distância, é pela escolha de um profissional atuante num grande centro, sendo que vários deles têm uma parcela considerável de atletas/alunos a distância.

    Depoimentos de Alunos do Treino a Distância

    J.O.– Para mim corrida não é simplesmente colocar um tênis e sair correndo, acho importantíssimo ter uma orientação de quem realmente domina o assunto, para evitarmos possíveis desgastes e lesões. Este acompanhamento, mesmo à distância é fundamental para a melhora da performance.

    Ter uma planilha é essencial para manter o foco e a disciplina, pois só assim os resultados virão. Fiz esta opção e estou muito feliz com os treinamentos, os resultados e o acompanhamento.

    F.S.– Depois da necessidade de me mudar para São Paulo, devido ao trabalho, iniciei um plano de treinamento a distancia com o Clube da Corrida, já que havia recebido um suporte espetacular durante minha vida em Londrina. Na época foi uma decisão difícil e eu sabia que a disciplina e conscientização eram dois quesitos fundamentais para o sucesso. 

    O suporte do Clube e a facilidade na comunicação e discussão sobre os treinamentos resultaram no sonho de completar uma maratona apenas seguindo o plano de treinamento enviado e discutido semanalmente, e com muita força de vontade.

    Treino a distância não é ausência — é método

    Quando bem conduzido, ele não se sustenta apenas em planilhas, mas em leitura, comunicação, ajustes constantes e responsabilidade compartilhada entre treinador e corredor.

    Ao longo de anos trabalhando com atletas e corredores amadores, presenciais e a distância, aprendi que o fator decisivo não é o “onde”, mas o como. Como se prescreve, como se acompanha, como se interpreta o retorno do corpo e como se ajusta o processo ao longo do tempo.

    O meu trabalho com treino online de corrida nasce exatamente dessa lógica: planejamento individualizado, acompanhamento próximo, feedback contínuo e decisões baseadas na realidade de cada corredor — não em modelos prontos.

    Se você busca evoluir com consciência, reduzir erros comuns, treinar com autonomia orientada e ter alguém experiente conduzindo o processo mesmo à distância, o treino online pode ser o formato ideal para você.

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