Categoria: Atletas

  • Jefferson Pérez: Do Ouro Olímpico em Atlanta ao Legado de um Tricampeão Mundial

    Jefferson Pérez: Do Ouro Olímpico em Atlanta ao Legado de um Tricampeão Mundial

    Esta entrevista faz parte da série especial “30 Anos de Atlanta”, que revisita histórias e personagens dos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996, publicada em 26 de julho de 2026, exatamente 30 anos depois da conquista do ouro olímpico por Jefferson Pérez, ela recupera uma conversa realizada em 2003, quando o campeão equatoriano ainda estava no auge de sua carreira.


    É comum admitirmos que “nascemos para fazer algo bem feito” como expressão da vocação, e que difícil é encontrar esse algo em meio à infinidade de atividades dos campos intelectual e motor, para que uma qualidade inata possa se desenvolver com destaque.

    O equatoriano Jefferson Pérez não teve esse problema.

    Em 1988, aos 14 anos de idade, decidiu participar da escola de marcha atlética de sua cidade, dirigida pelo competente e pragmático Luis Chocho Sanmartín. Aos 16, já dava sinais de ter encontrado o seu caminho.

    Nascido em Cuenca, cidade equatoriana situada a cerca de 2.500 metros de altitude e reconhecida como um dos grandes centros culturais do país, Jefferson Pérez rapidamente começou a dar boas notícias aos seus conterrâneos. E não parou mais.

    Ao longo de sua carreira, acumulou títulos em praticamente todos os níveis de disputa. Desenvolveu uma técnica de marcha apuradíssima e construiu uma combinação de evolução e regularidade de performance que poucos atletas do mundo conseguiram alcançar.

    Jefferson Pérez: o primeiro ouro olímpico do Equador

    Em 1996, aos 22 anos de idade, orientado pelo treinador colombiano Enrique Peña, superou as dificuldades que frequentemente atingiam atletas sul-americanos diante da estrutura e da tradição europeias e conquistou, em Atlanta, a medalha de ouro olímpica nos 20 km da marcha atlética.

    Aquela vitória já havia sido extraordinária.
    Mas, quando esta entrevista foi realizada, em 2003, a história ainda estava sendo escrita.

    Jefferson Pérez havia acabado de conquistar o título mundial dos 20 km em Paris, com 1h17min21s, então melhor marca mundial da prova. Naquele momento, aos 29 anos, o campeão olímpico de Atlanta havia alcançado dois dos grandes objetivos que ainda faltavam à sua carreira: o título mundial e a melhor marca mundial dos 20 km.

    A pergunta que dava título à entrevista era, portanto, natural:

    O que ainda poderia buscar um atleta que já havia sido campeão olímpico e acabara de se tornar campeão mundial e recordista mundial?

    Hoje, 30 anos depois de Atlanta, conhecemos a resposta que o futuro reservava.

    Pérez ainda conquistaria mais dois títulos mundiais, em Helsinque 2005 e Osaka 2007, completando uma sequência de três títulos mundiais consecutivos. Em Pequim 2008, encerraria sua participação olímpica com uma segunda medalha, a prata nos 20 km, consolidando uma das carreiras mais extraordinárias da história da marcha atlética.

    Jefferson Pérez marchando para vencer a marcha atlética de 20 km no mundial de atletismo de Helsinki 2005.
    Jefferson Pérez vencendo os 20 km no mundial de Helsinki 2005

    Ao longo dos Jogos Olímpicos da era moderna, a conquista de uma medalha no atletismo sempre foi uma realização reservada a pouquíssimos atletas. Para os países sul-americanos, historicamente, essa dificuldade foi ainda maior.

    A seleção genética determina a participação de poucos nos Jogos Olímpicos. Voltar de lá com uma medalha no peito parece ser exclusividade dos predestinados.

    Jefferson Pérez não apenas conquistou uma medalha olímpica.

    Ele conquistou a primeira medalha olímpica da história do Equador e, posteriormente, acrescentou uma segunda, tornando-se o primeiro atleta do país a subir duas vezes ao pódio olímpico — feito que permanece, até hoje, único na história esportiva equatoriana.

    A importância de sua conquista aumenta ainda mais quando se considera a dimensão esportiva do país que representava. O ouro de Atlanta não foi apenas uma vitória pessoal, transformou-se em um acontecimento nacional e fez de Jefferson Pérez a maior referência esportiva da história do Equador.

    Em 1996, o Equador passou a ter um campeão olímpico.

    Hoje, olhando para trás, sabemos que aquele campeão ainda estava longe de terminar sua história.

    “De tanta excelência que conseguiu, pode até ser que ele não tenha encontrado a marcha, e sim a marcha, por capricho, tenha trazido o prodígio para si.”

    As Conquistas de Jefferson Pérez

    Principais conquistas, medalhas e recordes da carreira de Jefferson Pérez na marcha atlética, de 1987 a 2007.
    • Recorde mundial dos 20 km: 1:17:21 | Paris, 2003
    • Melhor marca pessoal: 1:17:21
    • Principais títulos: 1 ouro olímpico, 3 títulos mundiais e 1 prata olímpica

    Entrevista com Jefferson Pérez em 2003: Uma Conversa no Auge da Carreira

    C.Bertolino – Quais são os verdadeiros reconhecimentos que o Equador tem por você, que ganhou a única medalha olímpica do  país?
    J.Pérez – É permitir-me ser ouvido pelas maiores autoridades, e isso tem ajudado a encontrar respaldo para o esporte do meu país, o que me enche de satisfação.

    C.Bertolino – Como comentaria o fato de alguns dirigentes do COI (Comitê Olímpico Internacional) estarem cogitando a retirada da marcha do programa olímpico, por conta das polêmicas sobre sua arbitragem?
    J.Pérez – Definitivamente, não podemos eliminar a primeira atividade que o ser humano aprende, quando dá seus primeiros passos, isto é, o caminhar. A marcha é uma das disciplinas mais antigas (100 anos), e tirá-la do programa olímpico seria como desconhecer o princípio da atividade do homem. 

    C.Bertolino – Sabemos que há tempos, você está sem a orientação técnica do colombiano Enrique Peña. O que aconteceu? Está corrigindo essa situação?
    J.Pérez – Bem, como você sabe, agora Enrique é treinador da equipe dos Estados Unidos e está residindo por lá; é um pouco difícil o treinamento à distância, mesmo assim ele me ajuda com meus planos de treinamento, e tem um contrato com o Comitê Olímpico Equatoriano.

    C.Bertolino – Você é um marchador extremamente técnico, de movimentos “leves”. Trabalhou muito para isso, ou é característica natural?. Na sua opinião, quais escolas se destacam na técnica da marcha?  
    J.Pérez – Sempre tive que trabalhar muito mais do que os outros marchadores, porque minha estatura não é ideal, e isso me tem possibilitado uma técnica muito apurada, nada fácil de conseguir. A origem da marcha, no aspecto técnico, tem suas bases no trabalho de Herzy Hausleber, de procedência polonesa e treinador do México; mesmo assim, cada região tem adaptado a técnica de acordo com as características de seus marchadores. Assim, temos os europeus, os mexicanos, os sul-americanos e os asiáticos, que são os grupos mais seletos em técnica.

    C.Bertolino – O Equador tem vários centros de treinamento de marcha desenvolvendo muitos atletas, e quem sabe, outros campeões do seu nível? Seus dirigentes estão trabalhando por mais medalhas?
    J.Pérez – O único lugar onde se treinam marchadores, com especialização e desde muito jovens, é a escola de marcha de Cuenca, que você conhece. Nossos planos em conformidade com os dirigentes são: tratar de trabalhar com os talentos, projetando-os e cuidando deles, para que não se repita o acontecido com vários marchadores equatorianos de grande futuro, mas que abandonaram esta atividade desportiva por serem mal conduzidos. 

    C.Bertolino – Ainda que distante, chegará o dia de encerrar a carreira de atleta. Como gostaria de ser lembrado pelas pessoas?
    J.Pérez – Como aquele pequeno homem de estatura, mas que não teve medo do destino, e quando teve que enfrentá-lo, estava preparado para fazê-lo.

    Dois Momentos na História de Jefferson Pérez

    Éramos 61 atletas de 34 países participando dos 20 km dos Jogos Olímpicos de Atlanta ’96. Chegado “o grande dia”, um grupo embarcou no segundo ônibus na vila rumo ao estádio olímpico, que não chegava, porque o motorista, militar que substituiu o voluntário demissionário não sabia o caminho.

    A situação era de silêncio e muita tensão, e todos imaginando o pior. Ao meu lado, o jovem equatoriano de 22 anos Jefferson Perez, ia aparentemente tranqüilo, enquanto seu técnico colombiano praguejava tanta incompetência da organização. Foi por pouco que não perdemos a largada da prova, e foi por pouco, mas o suficiente, que o Jefferson ganhou a medalha de ouro.                     

                                                                                                                                          Cláudio Bertolino – Atlanta 1996

    Enquanto a temperatura apontava 8o C, meu coração batia muito forte, esperando por minha primeira Copa do Mundo de Marcha, após ter sido campeão olímpico. Era abril de 1997, e ao tiro da largada, meu pequeno peito carregava o nome “Equador”.

    Quando todos esperavam a linha de chegada como única meta, decidi que a minha meta seria 20 metros antes, onde estava meu treinador Enrique. Ao passar por esse ponto, sabia que já não poderia mudar o resultado; meu primeiro título mundial adulto. Ao cruzar a linha, Enrique chorava, e o frio havia desaparecido. Quando o abracei desejando um feliz aniversário, não pôde conter suas lágrimas, expressando todo o sentimento através de seus olhos.                                                                       

                                                                                                                                           Jefferson Perez – Podebrady 1997

    Acompanhe Jefferson Pérez

    Jefferson Pérez continua sendo uma das maiores referências da marcha atlética mundial. Para acompanhar seu trabalho, suas reflexões e sua trajetória atual, você pode encontrá-lo nas redes sociais:


    Um detalhe pessoal dessa história

    Existe uma conexão pessoal que torna esta entrevista particularmente especial para mim.

    Em 1991, estive durante 50 dias em Cuenca, no Equador, treinando no Parque de La Madre sob a orientação de Luis Chocho Sanmartín, o mesmo treinador que havia iniciado Jefferson Pérez na marcha atlética.

    Matéria do jornal El Tiempo, do Equador. O treinador Claudio Bertolino, então atleta, orientado pelo treinador equatoriano Luis Chocho.
    Jornal El Tiempo | Cuenca – 08 de março de 1991

    Naquele período, eu treinava junto com Jefferson e outros marchadores e marchadoras que faziam parte daquele ambiente extraordinário da marcha cuencana. Conheci, de dentro, o trabalho de Chocho e a atmosfera de uma escola que já começava a revelar atletas de grande talento.

    A experiência representou um dos maiores saltos de qualidade da minha carreira como atleta.

    Anos depois, competi com Jefferson Pérez em várias oportunidades, inclusive nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996. Naquele momento, porém, a dimensão completa da carreira que ele construiria ainda estava por ser escrita.

    Hoje, olhando para trás, a conexão ganha uma dimensão especial.

    O legado de Luis Chocho Sanmartín

    Luis Chocho Sanmartín não foi apenas o treinador que iniciou Jefferson Pérez. Ao longo de décadas, sua escola formou uma verdadeira geração de grandes marchadores equatorianos. Jefferson foi um dos primeiros grandes frutos dessa escola; outros campeões viriam depois.

    Chocho faleceu em 2021, mas sua marca permanece profundamente ligada à história da marcha atlética do Equador. A homenagem realizada em 2025, no próprio Parque de La Madre, reuniu antigos alunos e grandes nomes da marcha equatoriana, entre eles os campeões olímpicos Jefferson Pérez e Daniel Pintado — uma imagem que resume a dimensão do legado construído por aquele treinador. (Paso de Oro)

    A história completa da trajetória de Luis Chocho Sanmartín e do legado deixado por sua escola pode ser conhecida na matéria publicada pelo Paso de Oro:

    👉 Conheça a história de Luis Chocho e sua escola de marcha:

    📝 La huella de Luis Chocho imborrable en Ecuador y en el mundo

    Para mim, existe algo particularmente significativo em tudo isso. Em 1991, fui a Cuenca para treinar com Luis Chocho e convivi diariamente com um jovem Jefferson Pérez.

    Em 1996, competi ao lado dele nos Jogos Olímpicos de Atlanta.

    Em 2003, entrevistei o campeão olímpico e mundial para a revista RunningBR.

    E hoje, mais de duas décadas depois daquela entrevista, volto a essa história para completar a dimensão do atleta, do treinador e da escola de marcha que estiveram presentes em diferentes momentos da minha própria trajetória esportiva.

    Algumas histórias não terminam quando acontecem. Às vezes, é preciso esperar muitos anos para perceber que já estávamos dentro de uma história muito maior.

    👉 Se você ainda não leu o artigo em que conto um pouco da minha participação nos Jogos Olímpicos de Atlanta e apresento alguns atletas brasileiros das provas de fundo e da marcha atlética, acesse o link:
    📝 30 Anos de Atlanta 1996: O que o Tempo não Levou

  • 30 Anos de Atlanta 1996: O que o Tempo não Levou

    30 Anos de Atlanta 1996: O que o Tempo não Levou

    Trinta anos se passaram desde os Jogos Olímpicos de Atlanta.
    Muita coisa mudou; o esporte mudou, o treinamento mudou, eu também mudei.

    Atlanta ainda cabe no agasalho…

    Mas algumas coisas permaneceram. Ainda visto o agasalho da delegação brasileira de 1996.

    Claudio Bertolino usando o agasalho oficial da delegação brasileira dos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996, trinta anos após sua participação olímpica.

    Ainda pratico a marcha atlética, hoje pela saúde, pelo prazer e também nas competições máster.

    E continuo acreditando que o esporte pode acompanhar uma pessoa por toda a vida.

    Talvez o maior orgulho não seja descobrir que ainda consigo vestir esse agasalho; é perceber que continuo vivendo os valores que ele representa.

    Trinta anos depois, continuo treinando, competindo e ensinando pessoas a praticarem atividade física com inteligência. Hoje, olhando para trás, percebo que a maior conquista daqueles Jogos não foi apenas ter participado de uma Olimpíada; Foi descobrir que o esporte poderia continuar fazendo parte da minha vida muito depois do encerramento da carreira de alto rendimento.

    Como foi competir nos Jogos Olímpicos

    Participar dos Jogos Olímpicos representa o ponto mais alto da carreira para praticamente todo atleta de alto rendimento. Comigo não foi diferente.

    No entanto, do ponto de vista competitivo, minha prova acabou ficando muito abaixo daquilo que eu esperava.

    Chegamos aos Estados Unidos um mês antes da competição e ficamos concentrados (atletismo e basquetebol feminino) em LaGranje, a 106 quilômetros de Atlanta.

    Camping de treinamento para os Jogos Olímpicos de Atlanta 1996.
    Camping de treinamento em LaGranje | Jogos Olímpicos de Atlanta 1996

    O problema era o ambiente: temperaturas elevadas e umidade muito alta, uma combinação especialmente desfavorável para provas de longa duração.

    Eu ainda estava na fase final de aquisição da forma esportiva, período que exige treinos intensos para atingir o pico de rendimento. Nessas condições climáticas, porém, o desgaste provocado pelos treinamentos acabou sendo maior do que a capacidade de recuperação do organismo.

    O resultado apareceu na competição. Não fui o único. De maneira geral, os fundistas brasileiros também ficaram abaixo das expectativas, o que reforça o quanto aquelas condições ambientais influenciaram a preparação final da equipe.

    Havia uma expectativa simbólica de que a edição de 1996, comemorando os 100 anos dos Jogos Olímpicos da era moderna, fosse realizada em Atenas, onde tudo começou em 1896. No entanto, a escolha acabou recaindo sobre Atlanta, resultado de fatores políticos, econômicos e comerciais que marcaram aquele processo de candidatura.

    Apesar de a competição não ter acontecido como eu imaginava, participar de uma Olimpíada continua sendo uma experiência impossível de descrever completamente.

    Vista geral da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996, com o estádio repleto de público.

    A Vila Olímpica, a cerimônia de abertura, o convívio com atletas do mundo todo, fazem parte de uma memória que permanece viva até hoje.

    Integrantes da delegação brasileira durante a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996.

    O que mudou em 30 anos

    Ciência e Treinamento | A aproximação entre ciência e prática seguiu acontecendo, mas os estudos sobre biomecânica, fisiologia, psicologia, prevenção de lesões e adaptação ao treinamento ampliaram significativamente o conhecimento disponível.

    O treinador continua sendo essencial, mas hoje conta com muito mais informação para tomar decisões e individualizar o trabalho.

    Atualmente, não só existe uma enorme quantidade de evidências científicas orientando a prescrição dos treinos, como a sua chegada rapidamente a todos os lugares. Um maior domínio de conceitos como controle de carga, individualização, variabilidade e monitoramento tornaram o treinamento mais preciso.

    Tecnologia | Naquela época, relógios com GPS e aplicativos de treinamento simplesmente não existiam para a maioria dos atletas. Hoje, o corredor consegue registrar praticamente tudo: distância, ritmo, frequência cardíaca, altimetria, potência e recuperação. A tecnologia passou a ser uma ferramenta importante para orientar decisões.

    Recuperação | Há trinta anos, a recuperação era frequentemente vista como um período de descanso passivo. Hoje, como parte ativa do treinamento, sabemos da sua importância e influência direta na evolução.

    Sono, recuperação ativa, fisioterapia preventiva e estratégias individualizadas passaram a receber a mesma atenção que os próprios treinos.

    Nutrição | A nutrição esportiva evoluiu enormemente. Em 1996, muitas estratégias ainda eram baseadas em tentativa e erro. Atualmente, ela é planejada de acordo com o tipo de treino, o momento da temporada e as características de cada atleta. Hidratação, reposição energética e suplementação passaram a ser utilizadas de forma muito mais criteriosa.

    Apesar de todas essas transformações, uma coisa permaneceu exatamente igual: não existe tecnologia capaz de substituir a dedicação, a disciplina e a constância. O esporte evoluiu, mas os valores que sustentam uma carreira continuam os mesmos.


    Alguns corredores de fundo e os 2 marchadores em Atlanta

    Atlanta não foi construída apenas pelas histórias individuais; também foi feita pelas pessoas que dividiram essa caminhada.

    Hoje, olhando essa fotografia, percebo que ela reúne não apenas atletas olímpicos, mas diferentes histórias que ajudaram a construir o atletismo brasileiro na década de 1990. Algumas continuam sendo escritas. Outras permanecerão apenas na memória e nos registros que deixaram.

    Os 2 atletas brasileiros da marcha atlética e 5 dos fundistas que representaram o Brasil nos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996, reunidos em fotografia na concentração que antecedeu os jogos.
    Da esquerda para a direita: Ronaldo da Costa, Sérgio Galdino, Diamantino Silveira, Adalberto Garcia, Cláudio Bertolino, Luiz Antônio dos Santos, Vanderlei Cordeiro.

    ADALBERTO BATISTA GARCIA | 5.000m. Nasceu em Indiaporā (SP), em 31 de agosto de 1967. Aos 17 anos, começou a treinar atletismo por influência de um amigo. Foi atleta da equipe SMEL Rio Preto/Brasil Telecom. Participou dos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, na prova dos 5.000 metros. Voltou e continuou treinando, mas passou a se dedicar às provas de rua. Parou de correr em 2007 e se graduou em Educação Física.

    CLAUDIO LUIS BERTOLINO | 20km Marcha Atlética. Nasceu em Santo André (SP), em 31 de março de 1963. Morava perto do clube Pirelli e, em 1979, começou a praticar marcha atlética. Conseguiu o índice para os Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, mas uma lesão impossibilitou sua participação. Foi aos Jogos Pan-Americanos de Mar Del Plata, em 1995 e, no ano seguinte, competiu nos Jogos Olímpicos de Atlanta, na marcha dos 20 km. Encerrou a carreira de atleta em 2003 Fez faculdade de Educação Física e especialização. Atualmente, reside em Londrina, onde treina o Clube da Corrida. Compete na categoria máster.

    DIAMANTINO SILVEIRA DOS SANTOS | Maratona. Natural de Carazinho (RS), Diamantino dos Santos iniciou a carreira nas corridas ainda na adolescência e destacou-se rapidamente nas provas de longa distância. Bicampeão do Troféu Brasil nos 10.000 metros, representou o Brasil em três Jogos Olímpicos: Seul 1988, Barcelona 1992 e Atlanta 1996. Também conquistou o terceiro lugar na Corrida de São Silvestre de 1989, venceu a Maratona da Itália em 1991 e chegou a ocupar a 11ª colocação no ranking mundial da maratona. Após encerrar a carreira, passou a atuar como treinador de atletismo.

    LUIZ ANTÔNIO DOS SANTOS | Maratona. Natural de Volta Redonda (RJ), Luiz Antônio dos Santos (1964–2021) iniciou a carreira conciliando os treinos com o trabalho na Companhia Siderúrgica Nacional. Destacou-se rapidamente nas maratonas, vencendo provas importantes como Blumenau, Chicago, São Paulo e Fukuoka, além de conquistar a medalha de bronze no Campeonato Mundial de Gotemburgo, em 1995. Representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996, onde terminou a maratona na 10ª colocação. Após encerrar a carreira, tornou-se treinador e fundou, em Taubaté (SP), a Associação Atlética Luasa, dedicada à formação de novos atletas.

    Luiz Antônio faleceu em 2021, aos 57 anos, deixando um importante legado para o atletismo brasileiro, especialmente na maratona.

    Em 2016, tive a oportunidade de entrevistá-lo para este blog, registrando parte de sua trajetória e de sua visão sobre o esporte. Esse depoimento permanece como uma homenagem a um dos grandes nomes do atletismo nacional.

    👉Veja as conquistas e a entrevista com Luiz Antônio:
    📝Luiz Antônio dos Santos – O Maratonista de Aço

    RONALDO DA COSTA | 10.000m. Nasceu em Descoberto (MG) em 7 de junho de 1970. Decidiu participar de uma corrida em sua cidade natal quando viu um cartaz afixado na porta da farmácia; correu, venceu a prova e começou treinar regularmente. Em 1994 venceu a corrida de São Silvestre, em São Paulo, e no ano seguinte, foi medalha de bronze na prova dos I0.000 metros, nos Jogos Pan-Americanos de Mar Del Plata. Foi aos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, onde também disputou os 10.000 metros. Em 1998, venceu a Maratona de Berlim e marcou um novo recorde mundial, com o tempo de 2h06’05”. Depois de encerrar sua carreira de atleta, passou a trabalhar na formação de jovens atletas, no Programa “Rumo ao Pódio Olímpico”, do Instituto Joaquim Cruz. em Ceilândia. Distrito Federal

    SÉRGIO VIEIRA GALDINO | 20km Marcha Atlética. Nasceu em Armazém (SC), em 7 de maio de 1969. Aos quatro anos mudou-se com a família para Blumenau. Aos 16 anos, ingressou na marcha atlética, conquistou doze títulos brasileiros e cinco sul-americanos, na prova dos 20 km. Disputou os Jogos Pan-Americanos de Havana, em I99I; de Mar Del Plata, em 1995; e de Santo Domingo, em 2003. Foi aos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, e de Atlanta em 1996, competindo na prova dos 20 km. Nos Jogos Olímpicos de Atenas. em 2004, participou da prova dos 50 km. É graduado em Educação Física e pós-graduado em Ciências do Movimento Humano. A partir de 1997, conciliou a carreira de técnico com a carreira de atleta: Atualmente, trabalha como gestor esportivo e diretor executivo na Fundação Multiescola do Desporto, em Blumenau.

    VANDERLEI CORDEIRO DE LIMA | Maratona. Natural de Cruzeiro do Oeste (PR), Vanderlei Cordeiro de Lima iniciou sua trajetória nas corridas escolares e construiu uma das carreiras mais marcantes do atletismo brasileiro. Representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996 e conquistou a medalha de ouro na maratona dos Jogos Pan-Americanos de 1999 e 2003. Nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004, liderava a maratona quando foi interrompido por um espectador a poucos quilômetros da chegada, mas ainda assim conquistou a medalha de bronze. Pela demonstração de espírito esportivo diante do episódio, recebeu a Medalha Pierre de Coubertin, uma das mais importantes homenagens do Movimento Olímpico.

    Os textos acima, sobre os 7 atletas em Atlanta, foram extraídos do livro Atletas Olímpicos Brasileiros | Katia Rubio. São Paulo. SESI-SP Editora. 2015.


    Em breve no Blog do Bertô

    Como parte da série especial pelos 30 anos dos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996, publiquei uma entrevista histórica que realizei com Jefferson Pérez, campeão olímpico dos 20 km da marcha atlética em Atlanta e um dos maiores nomes da modalidade.

    A entrevista foi concedida originalmente para a revista RunningBR e foi publicada aqui no blog no dia 26 de julho, exatamente trinta anos após sua conquista olímpica.

    Leia a entrevista: Jefferson Pérez: Do Ouro Olímpico em Atlanta ao Legado de um Tricampeão Mundial