Categoria: Corrida

  • Lesões na Corrida: Métodos de Treino Podem Ser o Verdadeiro Gatilho

    Lesões na Corrida: Métodos de Treino Podem Ser o Verdadeiro Gatilho

    O assunto Lesões na Corrida pode ser percorrido por várias rotas e este texto vai abordar duas delas; uma de maneira objetiva, pois que já foi bastante examinada: as Lesões Típicas, com suas regiões e pontos anatômicos de manifestação; e outra com maior profundidade porque será o nosso foco: a Dinâmica das Cargas de Treino como fator predisponente original, ou como precursora quando atua como gatilho de um desequilíbrio, condição preexistente para as lesões.

    📌 Este artigo complementa o vídeo:
    👉 Lesões Típicas na Corrida

    Juntamente com o aumento da quantidade de praticantes da corrida, houve o aumento do acometimento multifatorial pelas lesões, as investigações para melhor conhecê-las na especialidade, e as ações a fim de evitar e ou sana-las.

    Sobre o tópico Prevenção, pode-se interceder com algum sucesso, pois, geralmente as lesões dos corredores de rua são geradas por microtraumas, de desenvolvimento lento, desconforto local que precede a dor e intensidade gradativa da mesma.

    A grande maioria das lesões desses atletas envia sinais antecipados e um lapso de tempo para ajustes e correções, quando a experiência e percepção aguçada de treinador/atleta podem interceder fazendo a diferença entre um processo rápido de reversão da situação garantindo a continuidade normal do processo, e o agravamento da situação, com perdas e outros empenhos no processo de treinos.

    E o que propriamente seria a Dinâmica das Cargas de Treino?
    Essa variável é a essência do planejamento; elege, hierarquiza, combina, distribui, qualifica, quantifica, temporiza e modifica os diversos tipos de cargas dos treinos obedecendo aos princípios científicos do treinamento esportivo.

    Essa dinâmica respeita as individualidades, o que pode e o que não se recomenda para os treinos, as etapas de evolução, manutenção, regressão e transição dentro do processo; em ultima instância, concorre para extrair o melhor da forma no ponto em que se precisa, preservando o indivíduo ao máximo.

    A presença de equívocos aqui, pode significar um dos principais fatores para desencadear lesões durante o processo de treinos, tratando-se aqui da prática regular da Corrida de Resistência, mas verificado em qualquer modalidade esportiva, nível ou objetivo do praticante.

    Uma boa equação da Dinâmica das Cargas é responsável não só por ótimos resultados, mas também por baixos índices de lesões. 

    Lesões Típicas na Corrida: Onde Elas Acontecem?

    Verificadas em várias regiões e predominantemente na parte inferior do corpo, as lesões que mais acometem os praticantes da corrida são também frequentes em três articulações: quadril, joelho e tornozelo.

    Região lombar, ponto de lesão específica na corrida.

    Nas costas temos a lombalgia; no quadril as síndromes do piriforme e do impacto, as bursites e tendinite de glúteo médio; nas pernas os estiramentos, distensões musculares (posteriores das coxas e panturrilhas), as periostites (tíbia) e fraturas por estresse (tíbia e fêmur), nos joelhos a condromalácia patelar e a síndrome da banda iliotibial; nos pés, fascite plantar, tendinite no aquiles e fratura por estresse no calcâneo.

    O Verdadeiro Problema: A Dinâmica das Cargas de Treino

    1. CARGAS DESPROPORCIONAIS

    Cabe aqui o conceito de Carga Externa x Carga Interna. Carga Externa representa os valores convencionados, estabelecidos pelo plano: 45’ de corrida contínua a 6’00”/km; 22 kg no supino; 8 x 1000m a 4’40”; etc…ou seja, as medidas que o treinador prescreveu na planilha ou sugeriu verbalmente.

    Carga Interna será o que esses valores representarem para o organismo no momento da execução: desde as sensações inócuas, passando por aquelas na medida, as que nos interessam é claro, chegando às extenuantes e até insuportáveis, as quais o métier costumava chamar de predatórias, e a seus prescritores (secretamente) de quebra-nozes.

    A escala de Borg adaptada, que classifica o esforço subjetivo, onde a pessoa pontua de 0 a 10 a sensação do esforço dispendido no exercício, é simples e ao mesmo tempo muito eficaz quando bem utilizada, podendo auxiliar bastante na questão das cargas externas x internas.

    📌 Se você quiser entender mais profundamente essa relação, assista:
    👉 Carga Interna x Carga Externa

    Atletas experimentados variavelmente conseguem executar até mesmo sequências de cargas extenuantes, ao menos por algum tempo, já que seu parâmetro de desafios e resultados é de extremos, sua predisposição mental e sua relação com o esforço são também muito diferenciadas.

    Tais níveis de cargas são praticadas até mais frequentemente do que podemos pensar, apesar da incoerência em muitos casos, porquê o empenho por super capacitar provisoriamente, acarretará altos riscos de incapacitar precocemente.

    No setor amadorístico então, não há justificativa alguma, a não ser a imperícia, para tal procedimento, e tanto neste quanto no setor profissionalizado, a insistência dessa condição pode até tardar, mas trará uma pesada fatura.

    2. ESTÍMULOS DESCONEXOS

    Um estímulo diferente dos padrões momentâneos praticados, em natureza e magnitude, geralmente na sua introdução ou reintrodução, como nos casos em que é aplicado com grandes lapsos de tempo, tanto possui a dificuldade de assimilação estrutural/orgânica do que se pretende com ele, como pode gerar um impacto negativo ao nível de lesão.

    São unidades de treinos fora do contexto, às vezes verdadeiras invencionices comprometendo o equilíbrio do processo, depletando energia demasiada, tomando tempo, concorrendo com capacidades importantes a serem desenvolvidas no momento e dificultando a regeneração de tecidos e sistemas.

    Tomada desplugada, representando desconexão.

    3. CARGAS CONFLITANTES

    Pense em cargas subsequentes como interação medicamentosa ou alimentar. Temos um medicamento ou alimento com poder de anular indesejada e respectivamente o efeito de outro, e uma situação ainda pior no primeiro caso, onde pode tal administração concomitante pode causar efeitos muito danosos ao organismo.

    Durante o processo dos treinos de Corrida, é possível por um descuido, impor cargas consecutivas, de diferentes naturezas e grandezas ou não, mas conflitantes entre si, tendo como reguladores o tempo de recuperação e a ordem da aplicação entre as mesmas.

    A prática de outros esportes, diferentes solicitações musculoesqueléticas pontuais, e até mesmo sessões alongamento muscular ou de flexibilidade, que em primeira análise só trazem benefícios, mal colocadas, entram nessa conta.

    Representação do conflito entre cargas de treinos.

    Então, ainda que um planejamento de âmbito amador não sugira muito treino ao praticante, mas o suficiente em termos de volume e intensidade, ele deve também comtemplar a lógica fisiológica, considerando a natureza e a ordem de aplicação das cargas, os diferentes períodos da preparação e a recuperação entre estímulos.

    Resulta que o plano ideal bem dimensiona a quantidade das cargas, gerais e específicas; uma variável pouco complexa, assim como bem respeita a qualidade delas; uma variável algo complexa, e tudo verificado pelo conteúdo e gerenciamento geral, responsável por evitar as contraposições que podem gerar lesões.  

    Tipo, qualidade e quantidade das cargas são ferramentas cujo domínio facilitam objetivos.

    4. GRADAÇÃO DAS CARGAS

    Imaginemos alguém aprendendo a andar de bicicleta na quarta-feira, porque pretende no sábado, atravessar pedalando uma cidade grande e movimentada, e conhece o caminho só por um mapa…

    Vai praticar até na sexta e deve conseguir, já que está decidido…mas não se pode garantir o quanto estará adaptado ao equipamento, qual o real impacto da distância percorrida no organismo ou nos joelhos, e como se sairá no trânsito.

    Representação do prejuízo causado pela falta de gradação das cargas de treinos.

    A aplicação repentina de um bloco ou de cargas isoladas de magnitude muito superiores às praticadas no momento, portanto em desrespeito à gradação, é também um caminho obscuro, sem chances adaptativas, produto da queima de etapas e não obstante se cumpra, as consequências são desconhecidas, porque o organismo e as estruturas do sistema de locomoção nem sempre respondem bem aos sobressaltos.  

    Estamos falando da carência da maturação estrutural e orgânica para enfrentar esses desafios, e a participação em distâncias maiores de provas sem a devida gradação também enquadra-se em situação abrupta.

    Respeito aos degraus é uma fórmula inteligente para a preparação.

    📌 Se você quiser entender por que a progressão é inegociável no treinamento, assista:
    👉 Treino de Corrida: Por que Não Queimar Etapas

    5. PADRÕES CONSTANTES (Platô e Sobrecarga Silenciosa)

    Face oposta à gradação das cargas. A utilização dos estímulos repetitivos ou de pequenos blocos deles comumente são observados entre os praticantes da corrida sem orientação especializada.

    Níveis moderados de intensidade de cargas repetitivas também podem estressar os sistemas orgânico e mental mais do se possa imaginar, com poderes de gerar lesões ou no mínimo, impedir aquisições viáveis de performance para as competições ou mesmo resultados esperados para a estética, onde o metabolismo passa a modular o balanço da ingestão calórica e gasto energético de forma desfavorável e não reage à altura para uma possível perda de peso desejada.

    Platôs permanentes de condicionamento em atividade específica devem ser evitados.

    Logo no início dos meus treinos sistematizados já mantinha um diário por temporada de treinos: primeiro num caderno, depois numa agenda e atualmente num arquivo do word, e essa prática, que gera uma preciosa fonte, sempre me auxiliou muito.

    Sempre que ocorria um percalço ia direto para o diário, e ali por vezes, encontrava a causa subentendida, quando não implícita mesmo, pelas semanas ou até meses anteriores; aprendia algo sobre aquilo e podia evitar a repetição de eventuais equívocos.

    Mantenho esse sistema também para todos os meus orientados e assim nunca me perco sobre a fase em que eles estão e quais as suas possibilidades atuais, traço diagnósticos e prognósticos da preparação e das provas, posso intervir mais precisamente sobre os fatores dinâmica das cargas e prevenção, e essa é uma forma efetiva de reduzir possíveis equívocos referentes aos cinco tópicos acima expostos. 

    Planejamento de Treino é Como um Jogo de Xadrez

    Lembrando um jogo de xadrez, onde diferentes peças desempenham diferentes funções, com alguma liberdade de escolha para os lances que se articulam e determinam um caminho, com possibilidades de previsões reativas, um plano de treinamento de corrida bem pensado contém vários métodos, gerais e específicos para melhorar cada uma das capacidades necessárias na preparação do corredor de resistência, e inúmeras combinações entre eles, o que confere certa flexibilidade no planejamento, limitada pelos fundamentos teóricos e características individuais, onde a subjetividade tem pouco espaço, e a sucessão de erros provocará perdas.

    🟢 Lesão não é acaso, e pode ser processo mal gerenciado. Boa parte das lesões na corrida não surge de um único treino, mas da acumulação mal distribuída de cargas.

    Quando o método respeita:

    • quantidade
    • qualidade
    • ordem
    • recuperação
    • individualidade

    A chance de lesão cai drasticamente. Treinar não é apenas aplicar estímulo; é saber quando, quanto e como aplicar. E isso separa improviso de planejamento.

    Fontes:
    João Abrantes
    http://www.centrodetreino.com/index.php/treino/carga-de-treino
    Adriano Leonardi
    http://educacaofisica.seed.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=107

  • Lesões na Corrida: As Mais Comuns e Como Evitar

    Lesões na Corrida: As Mais Comuns e Como Evitar

    Se você corre regularmente, é muito provável que em algum momento enfrente alguma dor ou lesão. A corrida é uma das atividades físicas mais populares do mundo — e também uma das que mais expõe o corpo a pequenas sobrecargas constantes.

    Mas, por ser tão simples de começar, muita gente se esquece de algo importante: a corrida é uma atividade de impacto e altamente repetitiva.

    Isso significa que, ao longo de um treino, você repete milhares de passadas — e cada uma delas gera uma carga, que na soma, torna-se significativa para o corpo.

    Com o tempo, esse processo acaba expondo desequilíbrios, assimetrias e fragilidades que já existiam no corredor.

    Ou seja: na maioria das vezes, a corrida não cria o problema — ela revela o problema.

    Por isso, entender as Lesões Típicas da Corrida é fundamental para qualquer corredor que queira evoluir sem, ou diminuindo as interrupções.

    Neste artigo vamos ver:

    • Quais são as lesões mais comuns entre corredores
    • Por que elas surgem
    • Quais são os sinais de alerta
    • Como prevenir esses problemas antes que afastem você dos treinos

    Mas antes, vale dizer algo importante: a corrida não é uma atividade perigosa.

    Hoje já sabemos muito mais sobre prevenção, tratamento e recuperação de lesões. Com orientação adequada e progressão correta de treino, é perfeitamente possível correr por muitos anos com saúde e consistência.

    Inclusive, se você quiser entender esse tema de forma mais detalhada, assista também ao vídeo completo abaixo:

    Por que as lesões na corrida são tão comuns?

    A corrida reúne três características que, quando mal administradas, aumentam o risco de lesões.

    1. Movimento cíclico

    A corrida repete sempre o mesmo padrão de movimento.

    2. Movimento altamente repetitivo

    Em um único treino você pode dar milhares de passos, exigindo repetidamente das mesmas estruturas.

    3. Atividade de impacto

    A cada passada o corpo recebe uma carga que pode chegar a 2 a 3 vezes o peso corporal.

    Essa combinação cria um cenário interessante. O sistema cardiovascular evolui muito rápido; em poucas semanas você já percebe que está mais condicionado, respira melhor e aguenta correr mais tempo.

    Mas existe um detalhe importante. Os músculos, tendões, ligamentos e ossos levam muito mais tempo para se adaptar. Em alguns casos, essa adaptação pode levar meses ou até anos.

    Esse descompasso cria o que podemos chamar de janela de vulnerabilidade.
    O corredor se sente preparado para aumentar o treino, mas as estruturas que absorvem impacto ainda não estão totalmente adaptadas. É exatamente nesse momento que muitas lesões aparecem.

    Mas existe um detalhe importante: Muitas vezes, as lesões não surgem apenas pelo impacto da corrida, e sim por erros na forma como os estímulos de treino são aplicados.

    Alguns tipos de treino — quando mal utilizados — acabam funcionando como verdadeiros gatilhos de lesões em corredores.

    👉 Por isso, no artigo abaixo eu explico quais são os métodos de treino que mais geram lesões na corrida e por quê.
    ➡️ Lesões na Corrida: Gatilhos por Estímulos de Treino

    Outro ponto importante é que, na corrida, as lesões raramente surgem de forma abrupta.

    Diferente de esportes explosivos, como futebol ou basquete, na corrida geralmente aparecem sinais progressivos antes que o problema se instale de vez. O problema é que muitos corredores ignoram esses sinais.

    Índices de lesões em corredores (dados científicos)

    Estudos científicos mostram que entre 40% e 45% dos corredores sofrem algum tipo de lesão relacionada à corrida ao longo da prática esportiva.

    Esses números aparecem de forma consistente em revisões científicas que analisaram dezenas de estudos sobre lesões em corredores.

    Entre as mais comuns estão:

    Quadro dos índices das lesões típicas dos corredores

    Ou seja, quando falamos de lesões na corrida, estamos lidando com um conjunto relativamente previsível de problemas que aparecem repetidamente entre corredores, e quando analisamos quais lesões aparecem com mais frequência, aparecem sempre as mesmas.

    Lesões típicas na corrida

    A grande maioria das lesões de corredores acontece na parte inferior do corpo, especialmente em três articulações:

    • Quadril
    • Joelho
    • Tornozelo
    Imagem das principais articulações envolvidas na corrida: quadril, joelho e tornozelo

    Agora seguem alguns detalhes sobre as lesões mais recorrentes no praticante da Corrida.

    Fascite plantar

    A fascite plantar é uma das reclamações mais comuns entre corredores.
    Ela se caracteriza por uma dor intensa no calcanhar, com ardência na sola do pé, especialmente nos primeiros passos da manhã.

    Por que acontece

    A fáscia plantar é uma estrutura que sustenta o arco do pé. O impacto repetitivo da corrida pode gerar microlesões nessa região, levando à inflamação.

    Isso costuma acontecer quando:

    • O volume de treino aumenta rápido demais
    • O corredor treina sempre em pisos muito duros
    • Há pouca força na musculatura do pé

    Sinais de alerta

    • Dor no calcanhar
    • Dor ao acordar
    • Desconforto na sola do pé após longos períodos em pé

    Prevenção

    • Fortalecer musculatura do pé
    • Alongar a fáscia plantar
    • Usar tênis adequado
    • Variar os pisos de treino
    • Progredir volume gradualmente

    Uma observação interessante: você raramente verá um corredor experiente rodando em asfalto; sempre que podem, eles procuram evitar o excesso de treinos em pisos duros como o asfalto, justamente para reduzir o impacto acumulado.

    Tendinopatia do Aquiles

    Outra lesão bastante comum é a tendinopatia do tendão de Aquiles.
    O tendão de Aquiles, o mais potente do corpo, mas também suscetível, conecta a panturrilha ao calcanhar e sofre grande carga a cada passada.

    Sinais de alerta

    • Dor atrás do calcanhar
    • Rigidez pela manhã
    • Desconforto ao iniciar o treino

    Muitos corredores cometem um erro clássico: pensar que “aquecendo a dor passa”. De fato, a dor pode diminuir durante o treino, mas isso não significa que a lesão desapareceu, e foi exatamente assim que presenciei vários atletas limitados por esse problema, por anos.

    Fatores que favorecem essa lesão

    • Excesso de treino em subidas
    • Aumento rápido de volume
    • Corrida frequente em asfalto
    • Pouca força nas panturrilhas

    Estratégias de prevenção

    • Fortalecimento da panturrilha
    • Progressão gradual de treino
    • Evitar exageros em ladeiras
    • Atenção aos primeiros sinais

    Síndrome da Banda Iliotibial

    Essa é tão típica que recebeu o apelido de joelho do corredor. Ela acontece quando a banda iliotibial, uma faixa de tecido que vai do quadril até a tíbia, começa a gerar atrito na região lateral do joelho.

    Sintomas comuns

    • Dor na parte lateral do joelho
    • Desconforto ao correr
    • Dor ao descer escadas

    Erros comuns que favorecem essa lesão

    • Correr sempre no mesmo sentido em pistas inclinadas
    • Excesso de treinos em ladeiras
    • Fraqueza nos glúteos

    Prevenção

    • Fortalecimento do quadril
    • Exercícios para glúteos
    • Alongamento de posteriores da coxa
    • Variar terrenos e inclinações

    Essa é uma lesão tão presente entre corredores que merece um estudo específico, algo que vamos aprofundar em conteúdos futuros.

    Síndrome Fêmoro-Patelar

    A síndrome fêmoro-patelar causa dor na parte da frente do joelho, atrás da patela. Ela acontece quando há desequilíbrios musculares que alteram o alinhamento da patela durante o movimento.

    Sintomas

    • Dor ao subir escadas
    • Dor ao agachar
    • Desconforto após treinos longos

    Prevenção

    • Fortalecimento de quadríceps
    • Fortalecimento de glúteos
    • Exercícios de core
    • Mobilidade de quadril
    Regiões de quadríceps, glúteos e core, para fortalecer e prevenir lesões na corrida.

    Regiões de quadríceps, glúteos e core.

    Canelite (Estresse Tibial Medial)

    A canelite é outra que aparece com frequência entre corredores.
    Ela se manifesta como uma dor na borda interna da tíbia, que começa leve e vai aumentando com o tempo.

    Por que acontece

    O impacto repetitivo da corrida gera estresse na musculatura e no periósteo (membrana que envolve o osso). Esse quadro costuma surgir quando:

    • A quilometragem aumenta rápido demais
    • O corredor treina sempre em pisos duros
    • O tênis está gasto

    Prevenção

    • Fortalecer tibial anterior
    • Fortalecer panturrilhas
    • Alternar superfícies de treino
    • Progredir carga com paciência

    Fraturas por estresse

    Esse é o extremo da sobrecarga.
    As fraturas por estresse são pequenas fissuras em ossos como:

    • Tíbia
    • Fêmur
    • Metatarso

    Elas aparecem quando o corpo não tem tempo suficiente para se recuperar entre os treinos.

    Sinais de alerta

    • Dor progressiva
    • Dor localizada
    • Dor que piora ao correr

    Muitas vezes o corredor pensa que é apenas uma canelite, mas na verdade já existe uma fratura em desenvolvimento.

    Prevenção

    • Respeitar períodos de descanso
    • Alternar estímulos de treino
    • Incluir treino cruzado, como bike ou natação

    Outros problemas comuns em corredores

    Além das lesões principais, também aparecem com certa frequência:

    • Entorses de tornozelo (principalmente em trilhas)
    • Bursites no quadril ou joelho
    • Pubalgia, causada por desequilíbrios musculares

    Erros que mais levam a lesões na corrida

    Depois de anos acompanhando corredores, alguns padrões aparecem com frequência.

    Os erros mais comuns são:

    • Aumentar volume ou intensidade rápido demais
    • Ignorar dores iniciais
    • Participar de provas em excesso
    • Treinar apenas corrida
    • Usar tênis inadequado ou gasto
    • Ignorar fatores individuais como histórico de lesão ou excesso de peso

    Como prevenir lesões na corrida

    A boa notícia é que a maioria dessas lesões é previsível e evitável. Algumas estratégias fundamentais incluem:

    Planejamento estruturado

    Respeitar a progressão de carga e evitar aumentos bruscos de treino.

    Fortalecimento muscular

    Principalmente para:

    • Quadril
    • Core
    • Pés
    • Panturrilhas

    Treinos regenerativos

    • Corrida leve
    • Mobilidade
    • Alongamentos dinâmicos

    Variedade de estímulos

    Alternar pisos e incluir atividades como:

    • Ciclismo
    • Natação
    • Caminhada vigorosa

    Autoconsciência corporal

    Prestar atenção em sinais como:

    • Dor persistente
    • Rigidez matinal
    • Assimetrias de movimento

    Sono e recuperação

    É durante o descanso que o corpo se adapta e se fortalece.

    Conclusão

    Quando analisamos com calma, percebemos que as lesões típicas da corrida não são um mistério. Elas seguem padrões claros e quase sempre aparecem pelos mesmos motivos:

    • Pressa
    • Excesso
    • Falta de prevenção

    Ao longo da minha trajetória como treinador e atleta, já vi muitos corredores se afastarem da corrida por conta da insistência no erro, mas também vi muitos outros ajustarem o treinamento, corrigirem os erros e seguirem evoluindo normalmente.

    A corrida pode ser uma atividade extraordinária para a saúde e para a longevidade, desde que seja praticada com consciência.