Treinar Sozinho na Corrida: 3 Erros Comuns e Como Corrigir

Você sabia que mais da metade dos corredores amadores no Brasil treina por conta própria?

Para muitos, isso é sinônimo de liberdade, flexibilidade e prazer. Mas, sem uma boa estrutura, essa prática pode levar à estagnação, dores e até lesões.

Neste artigo, Claudio Bertolino, treinador de corrida há mais de 20 anos, revela os erros mais comuns de quem treina sozinho e como evitá-los para conquistar evolução, saúde e desempenho.

Treinar sozinho não é o problema — estar desorientado, sim

Correr sozinho tem valor: o silêncio, a conexão, o tempo para pensar. Mas o perigo está em não ter clareza sobre o que fazer, quando e como.

Corredor treinando sozinho em uma estrada ao entardecer.

Ao longo de décadas, percebi padrões que se repetem entre corredores que treinam sistematicamente, mas sem orientação. Os três mais frequentes são:

Erro 1 – Fazer sempre o mesmo treino

É intuitivo: se o objetivo é correr, basta… correr.
O problema é que repetir sempre o mesmo tipo de treino — distância, intensidade ou formato — limita a evolução.

Atleta Corredor em meio a jogos de dados.

-Falta de variedade impede o estímulo de diferentes capacidades físicas.
-O corpo não se adapta da forma ideal.
-A fadiga se acumula, mesmo que o corredor sinta que está “treinando bem”.

Quase todos os alunos que já recebi traziam esse padrão. Eles treinavam igual toda semana e, mesmo assim, relatavam fadiga alta e poucos resultados.

Erro 2 – Correr sempre no ritmo errado

Alguns treinam sempre forte demais. Outros, sempre fraco demais.
Ambas as situações desorganizam o estímulo e impedem o corpo de se adaptar.

-Ritmo excessivamente forte → fadiga alta, risco de lesão.
-Ritmo sempre baixo → evolução lenta ou inexistente.
-Alternância aleatória de intensidade → falta de coerência no processo.

Erro 3 – Treinar de forma aleatória

Tiros mal programados, treinos longos em momentos errados, falta de lógica na distribuição semanal… tudo isso gera conflitos entre estímulos.

Corredor em pista de atletismo aparentando correr em círculos, representando a falta de evolução.

O efeito desses erros

Sem referência, o corredor não entende o que o corpo pede nem o que a preparação precisa.

O resultado? Frustração, estagnação e, muitas vezes, lesões.
Já vi corredores passarem anos treinando assim, sem perceber que estavam “andando em círculos”.

A importância do registro e da organização

Minha virada pessoal veio quando passei a treinar com um competente treinador, usando planilhas organizadas.

Também criei um diário de treinos: anotava tudo, dividindo por temporadas e ciclos. Essa ferramenta se tornou essencial para planejamento e ajustes.

Visão de uma planilha de treinamento de corrida com cronograma detalhado.

Essa organização ajudou não só na minha carreira como atleta, mas também como treinador de centenas de corredores amadores e na formação de atletas, como uma campeã brasileira juvenil na marcha atlética.

Atleta vitoriosa, exemplo de resultado com treino organizado.

Tecnologia a favor do corredor

Hoje, uso aplicativo especializado para enviar planilhas personalizadas aos meus alunos. Cada treino é adaptado à rotina, com orientações simples e diretas, e feedback constante, e ainda mantenho todos os registros detalhados desde 2006 evitando fórmulas improvisadas ou genéricas.

Conclusão – Clareza é liberdade

Treinar sozinho não precisa significar treinar no escuro.
Com um bom plano, você economiza tempo, reduz riscos e mantém o prazer pela corrida.

Se vai se dedicar a algo tão importante quanto sua saúde, faça da melhor maneira possível.


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💬 E me conte nos comentários: você treina sozinho ou segue uma planilha?

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