Categoria: Prevenção e Saúde

  • Dor na Corrida: Por que Miorrelaxante é um Atalho Perigoso e o que fazer no lugar

    Dor na Corrida: Por que Miorrelaxante é um Atalho Perigoso e o que fazer no lugar

    Se você corre há algum tempo, provavelmente já passou por isso:
    treino forte, no dia seguinte aquela rigidez, perna pesada, dificuldade de soltar a passada… quando muitos pensarão:

    “Tomar um miorrelaxante é o que resolve.”

    No artigo anterior, eu expliquei por que o uso indiscriminado de anti-inflamatórios é um erro grave para quem treina corrida.
    Neste, vamos lidar com outro atalho muito comum — e igualmente perigoso -: os miorrelaxantes, ou, relaxantes musculares.

    Você verá, mais uma vez, que na corrida não existem os atalhos mágicos para quem busca longevidade — existe processo.

    Então leia até o final, porque talvez você descubra que aquilo que parecia alívio pode estar sabotando seu corpo silenciosamente.

    👉 E se preferir, em vez de ler assista ao vídeo sobre o assunto:
    📺 Dor na Corrida: Por que Miorrelaxante é um Atalho Perigoso

    O que são Miorrelaxantes

    Vamos simplificar. Miorrelaxantes são medicamentos que:

    • Reduzem a atividade do sistema nervoso
    • Diminuem o tônus muscular
    • Alteram reflexos e padrões de ativação

    Eles não tratam o músculo.
    Eles não aceleram a regeneração tecidual.
    Eles não resolvem a causa da Dor Muscular de Inicio Tardio (DMIT).

    O que eles fazem é reduzir a percepção de rigidez e tensão, mexendo no controle neural do movimento, e isso já deveria acender um alerta em quem corre.

    Por que Corredores usam Miorrelaxantes na DMIT

    A Dor Muscular de Início Tardio vem acompanhada de:

    • Rigidez
    • Sensação de músculo “travado”
    • Perda de fluidez
    • Desconforto ao correr

    O erro começa ao se confundir rigidez adaptativa com espasmo patológico. Na maioria dos casos, a DMIT não é um espasmo, mas um estado transitório de proteção neuromuscular.

    O corpo aumenta o tônus porque o tecido está vulnerável, houve microlesão, o sistema precisa controlar melhor impacto e movimento, ou seja, essa rigidez é parte do processo de adaptação.

    Infográfico dos motivos que levam corredores a buscar relaxantes musculares após treinos intensos: alívio da rigidez, combate à sensação de músculo "travado", recuperação da fluidez de movimento e redução do desconforto ao correr.

    Um ABS na Sua Musculatura

    Imagine alguém incomodado com o sistema de freios ABS do carro porque acha que o pedal do freio vibra muito ao ser acionado fortemente.

    O que o ABS faz? ele é um dispositivo que evita o travamento das rodas na frenagem e mantém controle direcional, o que nos protege justamente nas condição do limite.

    Mas a vibração não é um defeito; é a forma com que o sistema trabalha.
    E agora transfira isso para o corpo.

    👉 A rigidez pós-treino é o “ABS” do seu sistema neuromuscular, e que incomoda muita gente.
    👉 O miorrelaxante é o botão que desliga esse sistema. Com ele a pessoa até sente alívio, mas perde a proteção.

    O que a Corrida Exige do Corpo

    Corrida não é só resistência e força, como pode parecer; é controle fino e depende de:

    Tônus adequado

    O tônus é o nível basal de tensão muscular que mantém o corpo pronto para agir.
    Na corrida, ele precisa ser suficiente para estabilizar, mas não excessivo a ponto de travar o movimento.

    Tônus alto demais gera rigidez, piora a absorção de impacto e aumenta o custo energético; tônus baixo demais, compromete a estabilidade articular. Correr bem é manter esse equilíbrio fino, passo após passo.

    Pré-ativação muscular

    Antes do pé tocar o solo, o corpo já ativa automaticamente músculos estratégicos como glúteos, core e musculatura estabilizadora entram em ação milésimos de segundo antes do impacto.

    Essa pré-ativação protege articulações e melhora a eficiência da passada. Ela depende de um sistema nervoso alerta e funcional, e a sedação neuromuscular atrapalha diretamente esse mecanismo.

    Reflexos rápidos

    A cada passada, o corpo faz microajustes instantâneos para lidar com o impacto e o terreno. Esses ajustes acontecem por reflexos medulares e vias rápidas do sistema nervoso.

    Quanto mais rápido o reflexo, menor o estresse articular, e reflexos lentificados aumentam o tempo de contato com o solo e o risco de sobrecarga. Na corrida, tempo de reação acaba sendo proteção.

    Coordenação intermuscular

    Correr bem não é contrair tudo forte ao mesmo tempo, mas, saber quem entra, quem sai e em que momento. Músculos agonistas, antagonistas e estabilizadores precisam conversar entre si.
    Quando essa coordenação falha surgem compensações e desperdício de energia; a corrida eficiente é uma orquestra, não um empurrão bruto no chão.

    Leitura precisa do impacto

    Cada passo gera informações sensoriais que sobem do pé ao cérebro, então o corpo lê o impacto para decidir como responder no próximo passo, e isso inclui rigidez do solo, inclinação, fadiga e velocidade.

    Quanto mais clara essa leitura, mais inteligente é o ajuste mecânico, mas se você “anestesia” o sistema, essa leitura fica distorcida. Perceba então, que correr bem não é desligar o sistema — é deixar ele trabalhar fino.

    Infográfico dos pilares biomecânicos da corrida: tônus muscular adequado para estabilidade, pré-ativação muscular para absorção de impacto, reflexos rápidos, coordenação intermuscular e a capacidade do corpo de realizar uma leitura precisa do impacto a cada passada.

    Agora, quando você reduz artificialmente o tônus:

    • O músculo responde mais lento
    • A articulação recebe mais carga
    • A passada perde precisão
    • O risco de compensações aumenta

    Isso é especialmente perigoso no período pós-treino intenso, quando o tecido já está fragilizado.

    O Erro Silencioso: A Falsa Sensação de Recuperação

    Aqui mora o problema maior. O corredor toma o miorrelaxante e pensa:- pronto, recuperei, mas o que aconteceu foi dor atenuada e a rigidez mascarada; o sinal de alerta foi desligado.

    Veja bem; o tecido não se regenerou mais rápido e o processo biológico não foi acelerado. O corredor apenas perdeu a leitura do corpo, e como treinador, considero isso algo perigoso.

    Consequências Práticas na Vida Real

    Na prática, o uso recorrente de miorrelaxantes leva a:

    Retorno precoce a treinos intensos

    O miorrelaxante reduz a sensação de rigidez e desconforto, criando uma falsa impressão de recuperação, então o corredor se sente “solto” antes do tempo biológico real de reparo tecidual.

    Com isso, volta a treinos intensos sem ter restabelecido força, controle e coordenação, quando o corpo ainda está vulnerável, mas o sinal de alerta foi desligado.
    Resultado: estímulo forte em estrutura ainda imatura.

    Aumento de assimetrias

    Quando o controle neuromuscular está prejudicado, o corpo busca caminhos alternativos; um lado começa a trabalhar mais para compensar o outro. Essas compensações nem sempre são perceptíveis no início, mas com o tempo, criam sobrecargas assimétricas em quadril, joelho ou tornozelo, e a lesão quase sempre aparece no elo mais fraco dessa cadeia.

    Piora da técnica nos dias seguintes

    Mesmo após o efeito agudo do miorrelaxante passar, o impacto no controle motor permanece, a passada fica menos econômica, com ajustes mais lentos e menos precisos.

    O corredor sente que “algo não encaixa”, mesmo sem dor evidente; a eficiência cai, o custo energético sobe, e técnica ruim, repetida milhares de vezes, cobra o seu preço.

    Sobrecarga tendínea e articular

    Tendões e articulações dependem de estabilidade ativa para se proteger, e quando o músculo falha no timing ou na intensidade correta, essas estruturas absorvem o impacto.

    Isso aumenta a tensão repetitiva sobre tendões, cartilagens e cápsulas articulares; o problema não é imediato, mas cumulativo, e é terreno ideal para tendinopatias e dores articulares persistentes.

    Lesões que “aparecem do nada”

    Do ponto de vista do corredor, a lesão surge sem explicação clara, mas, biologicamente, ela vem sendo construída há semanas.

    👉 Se quiser saber sobre as lesões na corrida, assista ao vídeo:
    📺 Lesões Típicas na Corrida

    Pequenas falhas de controle, repetidas em milhares de passadas sem dor para avisar, o corpo não teve chance de ajustar e quando a dor aparece, o dano já está instalado.

    Então na verdade, aqui as lesões não aparecem do nada; elas são plantadas quando você desliga o sistema de proteção com o miorrelaxante, que por si só não causa a lesão, mas cria o silêncio necessário para que ela se desenvolva.

    Infográfico de alerta sobre os perigos do uso frequente de relaxantes musculares por corredores, destacando o retorno precoce a treinos intensos, aumento de assimetrias corporais, piora da técnica de corrida, sobrecarga de tendões e articulações e o surgimento de lesões inesperadas.

    Miorrelaxantes vs. AINEs

    Agora vamos amarrar com o artigo anterior, sobre AINEs, os Anti-inflamatórios Não Esteroides, também amplamente utilizados para o alívio das dores pós-treinos, sobretudo nas provas.

    👉 Leia o artigo sobre AINEs:
    📝 As Dores pós Treino de Corrida e por que o Anti-Inflamatório é o Pior Caminho

    • Miorrelaxantes desligam o controle — sabotam a adaptação neuromuscular.
    • AINEs desligam a inflamação — sabotam a adaptação química.

    São atalhos diferentes, com o mesmo efeito final: interromper o processo natural de supercompensação, e ambos criam um corpo menos consciente, menos adaptado e mais dependente de atenuantes.

    E existem exceções? Sim. Para os casos clínicos específicos: espasmos neurológicos reais em quadros agudos diagnosticados, e tudo isso sob orientação médica clara.

    Ou seja, os miorrelaxantes não surgiram nem de longe para lidar com adaptação ao treino, nem com dor muscular tardia.

    Eles foram desenvolvidos principalmente para Espasmos musculares de origem neurológica ou reflexa, ou seja, situações em que há:

    • hiperatividade anormal do sistema nervoso
    • contrações involuntárias persistentes
    • perda do controle normal do tônus muscular

    Mas isso não é o que estamos discutindo aqui; o problema é o uso rotineiro, às vezes até automático, para suportar treino.

    Então qual o Caminho Maduro?

    Se você treinou forte e sente DMIT, o caminho é outro, ele esta na:

    • Recuperação ativa
    • Mobilidade consciente
    • Sono de qualidade
    • Nutrição adequada
    • Ajuste de carga nos dias seguintes

    E, principalmente aprender a ler o corpo; A DMIT é uma mensagem, não um inimigo.

    👉 Veja sobre o melhor caminho no artigo:
    📝 Os Pilares Invisíveis que Sustentam seu Progresso na Corrida

    Se eu tivesse que resumir como treinador:

    Miorrelaxante não recupera músculo; ele apenas apaga os sinais do corpo silenciando o sistema que está tentando te proteger. Desligar o ABS pode deixar o pedal mais confortável, mas na primeira curva você paga o preço.

    E na corrida, quem respeita o processo treina menos lesionado, evolui mais e corre por muito mais tempo.

  • As Dores pós Treino de Corrida e por que o Anti-Inflamatório é o Pior Caminho

    As Dores pós Treino de Corrida e por que o Anti-Inflamatório é o Pior Caminho

    Você já terminou um treino dolorido; acordou no dia seguinte com aquela sensação pesada nas pernas, e imediatamente pensou:

    “Vou tomar um anti-inflamatório para passar logo isso”

    Ou então, pior, já ouviu alguém dizer:

    “Toma um ibuprofeno antes da prova, só pra garantir”

    Pois é. Se eu puder te dar um conselho que evita lesão, te mantém evoluindo e pode — literalmente — proteger sua saúde:

    Pare de usar anti-inflamatórios para aliviar dor de treino

    Neste artigo eu vou te explicar por que os Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINEs)são um dos piores caminhos para quem corre, qual é a lógica biológica por trás disso, o que provoca a dor muscular tardia (DMIT), causa do uso dos AINEs, e como isso se conecta com um princípio muito conhecido no treinamento: a supercompensação.

    👉 Mas, se preferir, em vez do artigo, assista ao vídeo:
    📺 As Dores pós Treino de Corrida: Por que o Anti-Inflamatório é o Pior Caminho

    A Dor Muscular Tardia é uma Inflamação; e é normal

    A dor muscular de início tardio — a DMIT foi explanada no artigo anterior, e nada mais é do que uma resposta inflamatória do corpo a um esforço que ultrapassou o padrão habitual.

    👉 Se preferir, em vez de ler, veja esse assunto no vídeo:
    📺 Dor Muscular Tardia na Corrida: O que é, por que acontece e quando se preocupar

    Não tem a ver com ácido lático, não é “toxina”, não é algo errado; é simplesmente o resultado de:

    • Microlesões estruturais nas proteínas contráteis e no tecido conjuntivo, especialmente após trabalho excêntrico, treinos intensos ou treinos novo
    • Resposta inflamatória organizada, onde o corpo envia neutrófilos, macrófagos e uma cascata de moléculas sinalizadoras para dar início ao reparo.

    Essa inflamação é que causa:

    Rigidez

    A rigidez pós-treino surge porque as fibras musculares estão em processo de reparação. O corpo aumenta a tensão local para limitar movimentos exagerados enquanto reconstrói o tecido; é a sensação de “estar travado” nos primeiros passos do dia seguinte, geralmente melhora conforme o músculo aquece e a circulação aumenta.

    Sensibilidade

    A sensibilidade aparece porque há microdanos e uma leve inflamação local que ativam terminações nervosas. Tocar ou pressionar o músculo pode gerar aquele incômodo típico de “tá dolorido, mas é suportável” é um dos sinais mais claros de que houve estímulo suficiente para adaptação, não de lesão.

    Peso nas Pernas

    A sensação de peso vem do acúmulo transitório de resíduos metabólicos e do processo inflamatório que aumenta a viscosidade dos tecidos. É como se o músculo demorasse mais para “acordar” e responder ao comando, normalmente, após alguns minutos de movimento leve, o corpo volta a funcionar de forma mais solta.

    Desconforto Entre 24 e 72h

    O pico de desconforto acontece porque o ciclo inflamatório natural tem uma curva de tempo própria. O corpo identifica os microdanos, envia células reparadoras e só depois disso a dor aumenta; por isso ela aparece no dia seguinte, não na hora, e entre 48 e 72 horas a dor tende a reduzir, indicando que o reparo já está avançando.

    Infográfico sobre os efeitos da inflamação natural no corredor: rigidez muscular, sensibilidade ao toque, sensação de peso nas pernas e o pico de desconforto entre 24 e 72 horas após o treino.

    Aqui entra o ponto crucial: Essa inflamação é o gatilho da adaptação; sem ela, o músculo não repara e não melhora, e esse mecanismo é exatamente o que leva ao próximo ponto.

    O Anti-Inflamatório Bloqueia o Sinal de Adaptação

    Os AINEs funcionam inibindo as enzimas COX-1 e COX-2. Quando fazem isso, eles bloqueiam a produção das prostaglandinas; e o que isso significa na prática?

    As prostaglandinas são parte:

    • da dor
    • da inflamação
    • do reparo
    • da síntese proteica
    • do aumento de fluxo sanguíneo
    • da adaptação muscular

    Ou seja: elas são a mensagem que o músculo envia dizendo: eu preciso ficar mais forte, e quando você toma um anti-inflamatório após o treino a dor diminui, mas também diminui o sinal de reparo, diminui a síntese proteica, e a supercompensação.

    👉 E aqui vai o ponto importante: o uso crônico de AINEs reduz hipertrofia, força e adaptações metabólicas, inclusive das mitocôndrias, nossa verdadeira usina de energia nos músculos.

    O AINE atrapalha tanto quem busca força quanto quem busca resistência muscular

    O Uso Crônico é o Verdadeiro Problema

    Não é um anti-inflamatório isolado que destrói seu treino, mas o hábito, a rotina de acabar com a dor sempre que ela aparece, porque quando o uso é diário, após cada treino duro, antes ou durante provas, aí sim você começa a sufocar o processo de adaptação.

    Estudos mostram as consequências desse uso habitual, quando o corredor não melhora, e ainda piora:

    • Menor Ganho de Força
    • Menor Crescimento Muscular
    • Menor Biogênese Mitocondrial
    • Menor Angiogênese
    • Menor Capacidade de Sustentar Ritmos
    • Maior Risco de Lesão Crônica Por Mascaramento da Dor
    Infográfico detalhando como o uso frequente de anti-inflamatórios (AINEs) prejudica a evolução do atleta: menor ganho de força, menor crescimento muscular, redução da biogênese mitocondrial e da angiogênese, além de aumentar o risco de lesões crônicas.

    O Efeito Específico na Endurance; o que Interessa ao Corredor

    Aqui estão os pontos mais importantes para você, corredor: ao inibir a inflamação natural, você atrapalha a construção das mitocôndrias, e sem elas:

    • sua capacidade aeróbica não evolui
    • seu vo₂ não responde
    • sua resistência cai
    • seu limiar anaeróbio fica baixo
    • sua capacidade de sustentar ritmos diminui

    Além disso: há impacto potencial na angiogênese – o aumento da capilarização muscular – o músculo fica menos eficiente, a fadiga aparece antes e a recuperação fica mais lenta.

    Ou seja: bloquear inflamação atrapalha justamente o mecanismo que transforma treino em melhora.

    O Risco Clínico de Usar AINE Antes ou Durante Prova

    Tomar anti-inflamatório antes ou durante corrida é perigoso – sobretudo em provas longas – por que aumenta:

    • o risco de lesão renal aguda
    • o risco de sangramento gastrointestinal
    • o risco de perfuração intestinal

    E por que mascara:

    • dor de lesão séria
    • uma fratura por estresse
    • um tendão prestes a romper

    E tudo isso potencializado por calor, desidratação e intensidade alta.

    Infográfico sobre os riscos de utilizar AINEs durante competições: lesão renal aguda, sangramentos e perfurações gastrointestinais, fraturas por estresse e comprometimento dos tendões.

    Os estudos não só revelaram que os AINEs são amplamente utilizados em corridas de resistência e por atletas de elite, mas também, que quase a totalidade dos corredores gostariam de receber mais informações sobre os riscos e benefícios dos AINEs, e concluem com a associação significativa entre o uso de AINEs orais nos últimos doze meses e as lesões esportivas. 

    Então o que Fazer com a Dor?

    A melhor maneira de lidar com DMIT — aquela dor de treino normal — é:

    ️ Recuperação Ativa

    • caminhada leve
    • mobilidade
    • leve soltura muscular
    • banho morno
    • estímulo suave

    ✔️Sono de Qualidade

    ️ Nutrição Adequada

    • proteína
    • hidratação
    • micronutrientes
    • alimentos anti-inflamatórios naturais

    ️ Alternância Inteligente de Estímulos

    👉 Veja sobre esses assuntos no artigo:
    📝 Os Pilares Invisíveis que Sustentam seu Progresso na Corrida

    Quando o AINE é Aceitável?

    O anti-inflamatório é indicado na presença de lesão aguda diagnosticada, inflamação patológica e necessidade clínica real; tudo sob orientação médica.

    Para uma dor muscular de treino ou de prova, o AINE nunca deveria ser a primeira opção, e se for a única coisa que te permite treinar ou competir isso não é bom sinal, e sim, um sinal de alerta.

    Treino bom não exige analgésico; treino bem programado pode ate doer, mas não pode te incapacitar.

    Pilares de Processos Sólidos de Treinos

    Não por acaso, na evolução consistente do corredor tem pouca e quase nunca tem uma DMIT muito forte, e isso acontece quando um método de treinos é construído sobre alguns pilares sólidos como os que seguem:

    Progressão gradual, sem saltos artificiais de carga

    Uma progressão gradual de verdade respeita o tempo biológico de adaptação dos tecidos — não o calendário, nem a ansiedade do corredor. O músculo, o tendão e até o sistema nervoso precisam de microincrementos consistentes, em vez de picos súbitos de carga que o corpo não reconhece como “treino”, mas como ameaça.

    Quando se mantém a evolução em passos pequenos e contínuos, o corredor quase nunca entra em espiral de DMIT forte;  ele adapta, melhora e segue em frente com regularidade. O segredo não é “apertar mais”, mas apertar na medida exata, toda semana.

    👉 Quer saber por que a progressão gradual é a melhor maneira de evoluir? Leia o artigo:
    📝 Por que não Queimar Etapas no Treino

    Estímulos de Força com Coordenação e Equilíbrio

    Inserir dois treinos semanais de força funcional — envolvendo coordenação, estabilidade e força estrutural — cria um tecido muscular mais preparado para absorver impacto.

    Essa base reduz microlesões desnecessárias e faz com que o corredor tolere melhor tanto volume quanto ritmo. A musculatura estabilizadora passa a trabalhar antes da musculatura protagonista falhar, evitando colapsos mecânicos que gerariam DMIT mais intensa.

    Na prática: menos dor, menos oscilação e mais evolução contínua; é o tipo de força que melhora a corrida sem “pesar” na vida do praticante.

    Mínimo Bem Distribuído de Volume Aeróbico

    Manter o mínimo essencial — o famoso “suficiente para evoluir, sem exagero” — é uma arte fina do treinamento. O volume aeróbico entra para construir base, melhorar fluxo sanguíneo e acelerar a remoção de resíduos metabólicos.

    Estímulos de Ritmo na Medida Certa

    Os estímulos de ritmo (intervalados e ou fartleks) servem como gatilhos específicos para ganho de velocidade e economia de corrida, e quando esses dois elementos são distribuídos com precisão, o corredor recebe o estímulo que precisa sem ultrapassar a capacidade de recuperação. Resultado: progresso constante, praticamente sem crises de dor tardia.

    O resultado da combinação dos 04 pontos citados é simples:

    • O atleta evolui sem repetir microlesões exageradas
    • O treinamento estimula adaptação sem gerar estresse caótico
    • A dor aparece quando é preciso — e não quando o treino é mal programado

    Isso confirma o que a fisiologia diz: não precisa destruir o corredor para ele evoluir; precisa treinar bem.

    A minha mensagem final é simples:

    • Dor muscular normal não precisa ser combatida — precisa ser compreendida
    • A inflamação não é sua inimiga — é o começo da melhora
    • O anti-inflamatório não é ferramenta de treino — é sinal de alerta
    • Usar AINE para dor de treino é cortar o fio que liga o esforço à evolução

    Se você é corredor e quer evoluir com consistência, guarde uma coisa: não trate adaptação como doença, e não lute contra o processo que faz você melhorar.

  • Dor Muscular Tardia na Corrida: O que é, por que acontece e quando se preocupar           

    Dor Muscular Tardia na Corrida: O que é, por que acontece e quando se preocupar           

    Você fez aquele treino de corrida ante ontem, ontem tinha um pequeno desconforto que ainda lembrava o treino, mas hoje, quando levantou da cama, sentiu aquele incômodo nas pernas. Aí você pensa: Será que exagerei? Será que me machuquei? Ou isso é normal?

    Nesse artigo eu vou te explicar, como treinador e atleta, de forma clara e realista, tudo o que você precisa saber sobre Dor Muscular Tardia — ou a famosa dor muscular de inicio tardio:

    Leia até o final, porque vou te dizer o que é, por que acontece, quando é sinal de evolução, quando é sinal de alerta, e o mais importante: como lidar com isso nos seus treinos de corrida.

    👉 Se preferir, em vez de ler, assista ao vídeo:
    📺 Dor Muscular Tardia na Corrida: O que é, por que acontece e quando se preocupar

    DMIT: O Que é, Quando Surge e Por Que Não é Lesão

    Conhecida mundo a fora como DOMS Delayed Onset Muscle Soreness, em português: DMIT Dor Muscular de Início Tardio é uma dor que aparece geralmente:

    • Entre 12 e 24 horas após o treino
    • Atinge o pico entre 24 e 48 horas
    • Tende a desaparecer em até 72 horas

    Ela não é aquela dor aguda que aparece durante o treino.
    É uma dor que vem depois, quando o corpo começa a responder ao estímulo que você aplicou.

    E aqui já vai o primeiro ponto importante: dor muscular tardia não é lesão. É um processo natural da adaptação fisiológica.

    A dor aparece porque o músculo foi submetido a um esforço mais intenso, mais longo, ou diferente do que ele está acostumado.

    No caso dos corredores, isso costuma acontecer quando:

    • Faz um treino de subida
    • Volta aos treinos após uma pausa
    • Muda o ritmo
    • Aumenta o volume da semana
    • Faz um treino de tiro mais forte

    Tudo isso gera estresse mecânico no tecido muscular — e o corpo responde com dor tardia.

    O Que Causa a DMIT

    Então vamos simplificar a fisiologia:

    1. Microlesões Musculares

    O treino provoca pequenas rupturas nas fibras musculares — isso não é ruim, é a adaptação, parte do processo de evolução.

    2. Inflamação Controlada

    O seu corpo manda sangue e células reparadoras para a área que foi mais estressada.
    Essa inflamação é natural, bem-vinda e necessária.

    3. Contrações Excêntricas

    São aquelas em que o músculo alonga enquanto produz força — como na descida de uma ladeira, por exemplo.
    A corrida tem componente excêntrico intenso em cada passada, principalmente nos quadríceps e glúteos, por isso a DMIT é tão comum entre corredores.

    Infográfico das causas da dor muscular tardia: microlesões, inflamações e contração excêntrica.

    Supercompensação

    Essa é a parte mais interessante: depois do dano e da inflamação, o corpo reconstrói o músculo em nível melhor do que antes. Isso é a supercompensação — a base de toda evolução no treino.

    Teoricamente, sem o estímulo que gera DMIT você não evolui, mas o excesso dela também atrapalha, e particularmente, concordo com o segundo ponto, e agora, quero tirar o primeiro ponto da simplicidade.

    Sendo a DMIT apenas um marcador indireto de microlesões musculares provenientes de estímulos novos demais, intensos demais, ou maiores do que a capacidade atual do corpo absorver, ele não mede evolução, ele mede novidade, ou excesso, e do outro lado, se o corredor está adaptado ao ritmo, ao volume e ao método, pode evoluir sem praticamente sentir dor.

    Quero dizer que a DMIT não é condição obrigatória para evoluir, sobretudo aos que não visam performance, mas veja porque ela parece necessária: é porque para iniciantes e intermediários, toda evolução exige:

    • Novo volume
    • Novo ritmo
    • Nova intensidade
    • Novo método

    E tudo quanto é “novo” gera algum grau de microlesão que leva à DMIT, mas isso não significa que a dor cause evolução; significa apenas que, no início, para evoluir, tudo é novo.

    Então, como conclusão desse ponto, daria para evoluir sem DMIT? Da sim, mas depende do tipo de evolução que você busca. A evolução baseada em estímulo mecânico (volume/ritmo) tende a gerar DMIT, mesmo que leve.

    • A evolução baseada em eficiência (técnica/coordenação/força estrutural), pode gerar pouca ou nenhuma dor.
    • A evolução baseada em progressão criteriosamente gradual pode eliminar DMIT quase por completo.

    Ou seja: DMIT não mede evolução, mede choque, e a evolução pode, e deve acontecer sem choque constante na esfera amadora.

    No meu trabalho como treinador, meus alunos normalmente evoluem sem quase sentir DMIT — e isso não é coincidência.

    Meu método se baseia em uma progressão sempre gradual, com dois estímulos semanais de força funcional, quase tudo com elásticos fitness, que desenvolvem coordenação e estrutura, somados a um mínimo estável de volume e a estímulos de ritmo bem distribuídos.

    👉 Se quiser conhecer o método de treinos com resultados e baixos índices de lesões, assista ao vídeo:
    📺 Corrida com Longevidade: O método que organiza sua evolução

    Essa combinação mantém o sistema musculoesquelético sempre sendo desafiado, mas pouco agredido, ou seja, temos exatamente os três pilares que sustentam uma evolução consistente — Carga Progressiva, Estímulo Variado e Constância — só que num ambiente de conforto e segurança.

    Veja o checklist dos principais itens que considero na elaboração das planilhas de treinos:

    • Progressão gradual das cargas
    • 02 sessões semanais de treino de forçEstímulos semanais de ritmo
    • Mínimo estável de volume
    • Distribuição equilibrada das cargas
    • Atenção ao movimento
    • Ausência de “saltos” agressivos de intensidade

    Esses são alguns dos pilares que sustentam uma planilha bem estruturada — e é justamente a combinação desses elementos que determina se o treino vai gerar evolução… ou desgaste desnecessário.

    Infográfico do checklist dos principais itens na elaboração das planilhas de treinos de corrida.

    👉 Se você quiser entender como organizar tudo isso de forma prática ao longo da semana, eu explico isso em detalhes aqui:
    📝Como Montar Uma Semana de Treino Equilibrada (sem treinar demais ou de menos)

    Dessa forma, pode-se evoluir continuamente, sem sobressaltos, com baixos índices de lesões e sem depender daquela DMIT intensa quase que obrigatória para melhorar.

    Quando a DMIT é um Sinal Positivo

    Muita gente acha que não sentir dor significa não treinar bem. Isso, na maioria das vezes é mito, mas sentir DMIT leve ou moderado pode ser um sinal positivo em três situações:

    1. Mudança de Estímulo

    O corpo responde a novidades:

    • primeiro treino de subida
    • primeiro treino intervalado forte
    • primeira rodagem longa depois de meses

    2. Aumento Progressivo da Carga

    Quando você sobe um degrau — aumenta o volume semanal ou a intensidade — uma leve DMIT é natural.

    3. Retorno Pós-Pausa

    Se você ficou parado 7, 10, 15 dias ou mais, sentir DMIT é quase certo, mas não é sinal de problema — é sinal de retomada.

    DMIT leve a Moderada = Evolução

    Quando a DMIT é um Sinal de Alerta

    Agora, existe o outro lado da moeda, porque nem toda dor pós-treino é “boa dor”; e existem algumas delas que sinalizam risco de lesão silenciosa e aqui vão 05 critérios para você identificar:

    1. A Dor Dura Mais de 72 Horas

    DMIT típica desaparece em 02 ou 03 dias, se passou disso, provavelmente não é só DMIT.

    2. Dor Localizada em Ponto Específico

    Exemplos clássicos: um ponto no joelho, um ponto na canela, um ponto no quadril, ou a famosa fisgada; DMIT é sempre difusa, nunca pontual.

    3. Dor que Piora com Aquecimento

    DMIT geralmente melhora quando você se movimenta; se piora com o movimento, não é DMIT.

    4. Perda de Força Real

    Dificuldade de subir escadas por dor é normal, agora, dificuldade de fazer força ou sensação de uma fraqueza localizada não é DMIT.

    5. A Dor Veio com Aumento Brusco de Carga

    Aumentou muito rápido?

    • Volume semanal
    • Intensidade
    • Frequência
    • Tempo total de treino

    Então fique alerta! Aqui, além da DMIT existe algum risco de lesão

    👉 Sobre esse assunto aprofundado, leia o artigo:
    📝Lesões na Corrida: Gatilhos Por Estímulos de Treinos

    E o que fazer quando sentir a DMIT?

    Primeiro: não existe solução milagrosa; DMIT é autolimitado — dura um tempo e passa, mas você pode acelerar a recuperação com estratégias simples, testadas e aplicadas por corredores de todos os níveis.

    Movimento Leve

    É o método mais eficiente; caminhada, trote regenerativo, pedal leve, mobilidade;  movimento leve aumenta a circulação e ajuda o processo de reparo.

    Hidratação

    A água é essencial para remover resíduos metabólicos e levar nutrientes ao músculo.

    Alimentação Rica em Proteínas

    Você precisa de matéria-prima para reconstruir o tecido.

    Sono

    O melhor anti-inflamatório natural do corpo é dormir bem.

    Massagem Leve

    Não é para esmagar o músculo — é para estimular a circulação.

    Banho Morno

    Ajuda no relaxamento e melhora o fluxo sanguíneo.

    Compressão Leve

    Meias de compressão podem ajudar na sensação de desconforto.

    Infográfico sobre o que fazer quando sentir a dor muscular tardia.

    Evite isso:

    • Excessos de gelo
    • Alongamentos fortes em músculo dolorido
    • Treinos intensos no auge da dor
    • Anti-inflamatórios e miorrelaxantes

    👉 Se você quiser saber sobre os efeitos dos anti-inflamatórios, assista ao vídeo:
    📺Dor Muscular na Corrida: Por que o Anti-Inflamatório é o Pior Caminho

    👉 E se quiser saber sobre os efeitos dos miorrelaxantes, assista ao vídeo:
    📺Dor na Corrida: Por que Miorrelaxante é um Atalho Perigoso (E o que fazer no lugar)

    Quando seguir treinando e quando descansar?

    Pode treinar se:

    • A dor é leve a moderada
    • Está difusa
    • Melhora com aquecimento
    • Não limita o movimento

    Treino regenerativo funciona muito bem nessas situações.

    Precisa Descansar Se:

    • A dor é forte
    • Afeta a biomecânica
    • Muda o seu padrão de corrida
    • Você precisa compensar para correr
    • Dói um ponto específico
    • Dura mais de 72 horas

    Nesses casos, o descanso evita que a DMIT evolua para lesão.

    Como Evitar a DMIT em Excesso

    Você não precisa evitar DMIT completamente — mas deve evitar os excessos, e aqui vão 06 estratégias:

    1. Progressão Inteligente

    Regra de ouro: aumentos graduais, nunca bruscos.

    2. Treino de Força

    Reduz drasticamente a DMIT induzida pela corrida — especialmente nos quadríceps.

    3. Aquecimento Bem Feito

    Prepara o músculo para receber carga.

    4. Regularidade

    Quanto mais irregular você é, mais DMIT aparece.

    5. Variedade de Estímulos

    Alternar tipos de corrida reduz sobrecarga excêntrica repetida.

    6. Evitar “tiros de empolgação”

    Muito comum entre corredores que treinam sozinhos.

    Infográfico sobre como evitar a dor muscular tardia em excesso.

    E para finalizar, a dor muscular tardia faz parte do processo. É natural, esperada e pode até ser um indicador de que você está treinando de forma desafiadora e inteligente.

    Mas o corredor experiente — e aqui eu quero que você entre nesse grupo — aprende a diferenciar a dor boa, que constrói, da dor ruim, que destrói.

    Quanto mais clareza você tem sobre isso, mais seguro é seu progresso — e mais longe você vai, sem interrupções.

  • O Que Vem Entre | TRANSIÇÃO | 2 Temporadas de Treinos

    O Que Vem Entre | TRANSIÇÃO | 2 Temporadas de Treinos

    Você já fez tudo o que queria fazer com suas corridas nessa temporada? Já treinou e participou de provas o suficiente, atingiu ao menos parcialmente suas metas e se deu por satisfeito(a)? Ou nem tanto, e mesmo assim sente um certo cansaço?

    Então você fez por merecer e precisa de um período de sombra e água fresca; você precisa da Fase de Transição.

    imagem de águas tranquilas que remetem ao descanso.

    O que é a Fase de Transição na Corrida

    Esta fase existe ao final da temporada de treinos e provas, que tanto os profissionais quanto boa parte dos corredores amadores cumprem; chamada também de descanso, aplica-se ao individuo submetido a um processo sistematizado de treinamento por temporadas subsequentes.

    📺 Se você prefere entender esse conceito também em formato de vídeo, aprofundo a fase de transição neste conteúdo do canal:

    Ao falarmos de temporadas seguidas, temos que considerar a característica do empilhamento aqui presente.

    Todo empilhamento é um ponto sensível e requer cuidados específicos, então vamos aos nossos…

    pedra sobre pedra, representando empilhamento.

    Para que serve a Fase de Transição no Treinamento

    A Transição é uma solução de continuidade necessária benéfica do processo sistematizado de treinos; fase que consiste no merecido descanso da rotina das atividades de corredor, ou, as férias dos treinos de corrida.

    Ela é ideal quando cumprida com outras atividades físicas visando a manutenção mínima das capacidades gerais adquiridas ao longo da temporada de treinos.

    Capacidades que devem ser mantidas durante a transição

    • Resistência Cardiovascular
    • Força
    • Flexibilidade

    A transição tem duração de 02 a 04 semanas, com baixo volume e intensidade, e realizada com exercícios aeróbios inespecíficos, ou, diferentes do esporte praticado. Treinos de força, leves a moderados também são bem-vindos, especialmente os funcionais desacostumados.

    📺 Não deixe de ver o vídeo “Como Voltar aos Treinos de Corrida Depois da Fase de Transição”

    Por exemplo: se você tem o supino como exercício para a região peitoral, pode substituí-lo pelo apoio, ou flexão de braços; se você fortalece as panturrilhas no modo tradicional, pode substituir pelo modo do corpo inclinado à frente.

    sugestão de troca de um exercício acostumado por outro desacostumado.

    Quando a transição foge do padrão (e por quê isso acontece)

    Conheci vários atletas de elite que cumpriam uma transição fora do padrão recomendado. Eles ficavam 04 semanas em completo descanso, sem nenhuma atividade física.

    Tamanho era o seu esgotamento físico e mental ao final da temporada, que acreditavam mais nos efeitos de até mesmo tentar esquecer da corrida e todas as outras atividades físicas, do que manter algum nível de qualquer tipo de condicionamento.

    É difícil mensurar se, e o quanto seriam melhores na próxima temporada, tivessem eles passado por uma transição padrão, já que o esgotamento nesse caso, entra também na esfera mental, onde cada qual responde de diferentes formas e necessidades.

    atleta cansado mentalmente.

    O fato é que, tanto tempo inativo e um calendário altamente exigente pela frente, pode gerar sobressaltos a vários sistemas orgânicos no início da preparação, embora mentalmente já esteja tudo certo e restabelecido.

    Riscos e erros comuns durante a fase de transição

    Apesar de ser uma fase aparentemente inofensiva, pelo baixo volume e intensidade das cargas, a natureza delas pode interferir negativamente e por isso exprime cuidados para não acontecerem os equívocos.

    Exemplo prático: quando a atividade escolhida vira risco

    Veja esse exemplo prático: conheci um grupo de ciclistas, com vários atletas de nível olímpico, cuja fase de transição era feita com treinos de corrida leve.

    Um risco de lesão fora do período mais provável 

    Então, ao final de meses treinando e competindo, os pés que empurravam pedais pela ação das musculaturas fortes de quadríceps, se viam subitamente impactando o solo e transferindo esse tipo de força, que, mais do que aos quadríceps e panturrilhas despreparados para isso, provocava fortes dores às articulações.

    Para o caso dos praticantes de corrida, recomendam-se esportes como a natação, ciclismo, remo, caminhada e jogos desportivos, 02 a 03 vezes por semana.

    4 atividades aeróbias recomendadas para corredores na fase de transição.

    A fase de transição para o corredor amador

    Para a categoria de amadores, pode-se aplicar transição àqueles que correm mais de duas vezes por semana, com volume acima dos 30 km, e que fazem uso dos treinos intensos. 

    A melhor época para a transição é ao mesmo tempo subordinada ao período de saturação de treinos e provas da temporada vigente e ao calendário das maiores metas do atleta (amador ou profissional) no ano seguinte, que comanda também a Periodização.

    O papel da periodização no momento da transição

    Periodização – A forma de distribuição dos tipos e quantidades das cargas de treinos pelos diferenciados ciclos durante a temporada.

    O corredor amador no nosso país, geralmente cumpre a transição ao final do mês de dezembro, coincidindo, convenientemente, com as festas e viagens de fim de ano, com exceções, das dezenas de milhares que correrão a São Silvestre, por exemplo.

    Aluno clube da corrida Bertolino na 100ª São Silvestre.

    A transição como momento de reflexão e planejamento

    Trata-se ademais, de um período propício para reflexões sobre o que foi a temporada de treinos e participações em provas; o que deu certo, o que precisa melhorar ou ser revisto e o que não seria bom repetir.

    É também um ótimo intervalo para fazer e organizar os planos da próxima temporada, como projetar um calendário mínimo de provas e pensar nas eventuais viagens para correr.

    Quando a fase de transição se torna ainda mais importante

    • A importância da Transição aumenta conforme aumenta a qualificação do atleta
    • A quantidade e a exigência das competições
    • O lapso de tempo entre as metas primária e secundárias na temporada
    • O número de temporadas de treinamentos que se remontam
    • Assim como o volume e a intensidade de treinos a que foi submetido

    A regeneração dos múltiplos sistemas orgânicos (musculoesquelético, cardiopulmonar, nervoso) e por consequência a prontidão para enfrentar a próxima temporada de treinos, explica a existência dessa fase, reconhecida como fundamental na ciência do treinamento esportivo e verdadeiramente relacionada ao empenho da temporada que se foi e à performance da próxima. 

    Portanto relaxe! não é hora de aquisições, mas de um planejado declínio da forma e de regenerações, e tudo bem…porque RESTABELECIDOS todos os sistemas, CORPO E MENTE, você estará pronto para reiniciar num NOVO CICLO, melhor do que o anterior.

    📺 Vídeo sobre a Fase de Transição 

  • Dor de Lado ao Correr: Causas, Como Evitar e o Que Fazer na Hora 

    Dor de Lado ao Correr: Causas, Como Evitar e o Que Fazer na Hora 

    Sabe aquela dor forte que aparece na lateral do abdômen quando você começa a correr…

    Às vezes tão intensa, que faz você reduzir o ritmo ou até parar? Pois é; essa é uma das queixas comuns entre corredores, principalmente os iniciantes, e vou te explicar não só por que isso acontece, mas também o que você pode fazer para evitar ou até resolver na hora, sem precisar interromper o seu treino ou prova.

    Então, se você sente ou já sentiu a famosa ‘dor de lado’, também conhecida como dor de facão, dor de burro, ou até dor de veado, leia o artigo todo, porque eu vou te mostrar soluções que realmente funcionam.

    O que são essas dores e por que incomodam tanto

    Essas dores abdominais são tecnicamente chamadas, na literatura, de ETAP (traduzindo: Dor Abdominal Transitória Relacionada ao Exercício), ou popularmente de Side Stitch na língua inglesa.

    Por mais que não sejam unanimidade – nem todo corredor sente – elas são bem comuns e, quando aparecem, podem ser incapacitantes no momento da corrida. E o mais importante: ela não tem uma única causa.

    Pode estar relacionada a:

    • Musculatura
    • Órgãos internos
    • Respiração
    • Alimentação antes da corrida

    A dor de lado não é exclusiva da corrida, mas ela encontra um “terreno perfeito” nas modalidades cíclicas de impacto, pois reúne todos os fatores que favorecem o seu aparecimento: movimento contínuo, impacto repetitivo, e alta demanda respiratória sem pausas para recuperação.

    Já em modalidades acíclicas, ela é mais episódica, geralmente aparecendo em situações de esforço contínuo prolongado dentro de um jogo ou treino. Veja só onde mais ela pode aparecer:

    • Esportes acíclicos que envolvem corrida, saltos ou movimentos repetidos de tronco, como futebol, basquete, handebol e rúgbi.
    • Modalidades aquáticas, como natação, principalmente em treinos intervalados ou provas mais intensas, onde há respiração forçada, sustentada e a pressão da água contra o tronco.
    • Esportes de raquete (tênis, padel, squash), devido a deslocamentos rápidos com mudanças de direção e torções constantes do tronco que “beliscam” a região abdominal.
    • Esportes de combate (boxe, judô, jiu-jitsu), quando há alta intensidade, contração abdominal sustentada e respiração irregular.

    Eu mesmo sofri muito com essa dor ao iniciar meus treinos como marchador, por causa mecânica, mesmo essa modalidade sendo também cíclica, mas de menor impacto do que a corrida, numa época de pouca informação e empirismo “no talo”.

    E agora vai um detalhe que só os mais “rodados” identificarão: na época, a suposta solução era um galho de arruda preso pelo elástico do calção, bem em cima da dor. Era uma fase de pouca curiosidade e de apenas seguir os mais experientes; demorou bastante até eu entender a ciência de como lidar com isso.

    O papel do diafragma e a Hierarquia da Dor

    Uma das teorias mais aceitas é que essa dor está ligada ao diafragma, o principal e complexo músculo da respiração. Mais especificamente, nas estruturas ligamentares que sustentam órgãos como o fígado e o baço.

    Ilustração do diafragma mostrando sua função na respiração durante a corrida

    Diafragma: O ritmo invisível que sustenta a vida e divide os nossos mundos.

    Quando você corre em alta intensidade — lembrando que um iniciante sem orientação tende a atingir altas intensidades com facilidade e recorrência — o diafragma trabalha mais e essas estruturas sofrem uma tensão mecânica.

    No entanto, a ciência moderna traz uma hierarquia para essa ocorrência. A causa mestre costuma ser a irritação do peritônio parietal, uma membrana sensível que reveste a parede abdominal. O atrito entre essa membrana e os órgãos, causado pelo “sobe e desce” da corrida, é o que gera a fisgada aguda.

    Impacto, fluxo e adaptação do corpo

    Essa teoria diz que o problema não está só na intensidade, mas no impacto repetitivo, especialmente quando o corpo ainda não está adaptado. Esses fatores podem comprometer o fluxo de sangue para o diafragma (isquemia), criando um “pinch” que leva à dor.

    Ou seja, as estruturas que sustentam seus órgãos precisam de tempo para se fortalecer. Se você for iniciante ou estiver voltando de uma pausa, essa dor pode aparecer até em ritmos tranquilos porque seus ligamentos internos ainda não têm a “firmeza” necessária para segurar o balanço do fígado ou do baço.

    Dica Prática na Hora da Dor: O “Pulo do Gato”

    👉 Anota essa dica: se a dor aparecer enquanto corre, não precisa parar totalmente.

    1. A Manobra do Pé Oposto: Expire (solte o ar) no exato momento em que o pé do lado oposto ao lado da dor tocar o chão. Se a dor for na direita, solte o ar quando o pé esquerdo pisar. Isso relaxa o diafragma e interrompe a tração sincronizada entre ele  subindo e o órgão descendo.
    2. Pressão Manual: Enquanto faz a manobra do pé, use a mão para pressionar firmemente o ponto exato da dor. Incline o tronco levemente para frente e mantenha a pressão por alguns segundos enquanto solta o ar com os lábios semicerrados. Essa pressão ajuda a estabilizar os órgãos internamente, reduzindo o atrito no peritônio irritado.

      A dor costuma sumir tão rapidamente que parece até magia, ou como se fosse tirada ali na hora, com a mão.

      Volume de Reserva Expiratório (VRE) e respiração errada

      Outra causa comum – e pouco comentada – é a forma como se respira. Muita gente hoje vive sob estresse e ansiedade, e isso muda o padrão respiratório. Em vez de usar a respiração abdominal profunda, a pessoa passa a respirar de forma superficial, só no tórax.

      Se o corredor mantém essa respiração ineficiente e imperceptível assimilada no dia a dia, de forma curta e rápida (“ofegante”), ele não esvazia o pulmão o suficiente para colocar ar novo. O ar que deveria sair fica “parado” porque a expiração é incompleta, aumentando o VRE (Volume de Reserva Expiratório).

      Diagrama dos pulmões destacando o volume de reserva expiratório e sua relação com a respiração na corrida

      Respirar superficialmente gera a Isquemia do Diafragma: o músculo recebe menos sangue e oxigênio do que precisa para o esforço, entrando em fadiga ou espasmo.

      👉 Para corrigir: Reaprenda a respirar pelo abdômen. Inspire enchendo a barriga e expire esvaziando-a completamente. Dessa maneira, você aprende três coisas ao mesmo tempo:

      • A região correta a ser movimentada.
      • A profundidade da inspiração.
      • A profundidade da expiração (esvaziando o VRE acumulado).

      Isso precisa virar automático, não só na corrida, mas no dia a dia. Perceba sua respiração em alguns momentos fora do treino; é possível que ali você descubra a constante superficialidade dela.

      Fígado e Baço – dores localizadas

      Entre os iniciantes e quem está voltando, é comum sentir dores localizadas:

      • Fígado (lado direito): Geralmente ligada ao impacto mecânico e tração dos ligamentos (por ser um órgão pesado).
      • Baço (lado esquerdo): Muitas vezes ligada à isquemia (falta momentânea de oxigênio no órgão) ou pressão de gases.

      Fígado e baço precisam se adaptar ao estresse repetitivo. Assim como músculos e ossos, essas estruturas internas passam por uma maturação fisiológica, ficando mais resistentes à vibração.

      A frequência e a progressão gradual dos treinos são essenciais para que essas estruturas se condicionem. O aquecimento adequado prepara o corpo para essa sobrecarga, diminuindo a chance de dor.

      👉 Veja como progredir gradualmente nos treinos no artigo:
      📝 Como Montar uma Semana de Treinos Equilibrada na Corrida    

      👉 E para não queimar etapas nos treinos, assista ao vídeo:
      📺 Treino de Corrida Por que Não Queimar Etapas  

      Em resumo, a adaptação interna é tão importante quanto fortalecer pernas ou core.

      Soluções Práticas e Estilo de Vida

      1. Ajuste o ritmo para uma zona aeróbia confortável

      Corra em um ritmo que permita conversar sem ficar ofegante. Isso reduz o estresse sobre o diafragma e melhora a eficiência respiratória. Com a prática, o corpo suporta volumes maiores sem desconforto.

      2. Verifique sua postura – tronco ereto ajuda a entrada do ar

      Manter o tronco ereto abre a cavidade torácica. Evite curvar os ombros, pois isso comprime os órgãos e o nervo frênico (que controla o diafragma). Ombros relaxados e abdômen levemente contraído ajudam a distribuir o impacto.

      3. Aumente o tempo de aquecimento progressivo

      Comece com caminhada ou trote leve. Inclua movimentos dinâmicos de tronco para estimular os músculos respiratórios antes da carga principal. Isso sincroniza a respiração e a passada precocemente.

      Sensibilidade alimentar e gases: O vilão escondido

      Os gases produzidos no intestino, mesmo em pequenos volumes, podem causar cólicas fortes (a flexura esplênica do intestino fica logo abaixo do baço). Correr sacode essas bolhas de ar, que pressionam o diafragma por baixo.

      Ilustração de gases intestinais pressionando o diafragma e causando dor abdominal na corrida

      Comer muito ou ingerir líquidos açucarados pouco antes de correr aumenta a pressão intra-abdominal. Alimentos gordurosos ou ricos em fibras também retardam a digestão e favorecem a ETAP. Alguns alimentos merecem atenção:

      • Feijão
      • Brócolis
      • Couve-flor
      • Batata-doce
      • Alimentos integrais.

      👉 Dica prática: Deixe o feijão de molho por 12 a 14 horas, troque a água 2 vezes e lave-o antes de cozinhar. Isso reduz drasticamente a produção de gases.

      Postura inadequada ou Core fraco

      Desalinhamentos (cifose/lordose) e músculos do core fracos elevam o risco de dor. A má postura dificulta a respiração e coloca tensão extra nos ligamentos internos. Para corrigir, inclua exercícios como:

      • Prancha
      • Prancha lateral
      • Ponte
      • Hollow hold
      Exercícios de fortalecimento do core como prancha, prancha lateral, ponte e hollow hold para melhorar a corrida

      Trabalhar a consciência corporal e o fortalecimento da musculatura estabilizadora do quadril (glúteos e lombar) previne desalinhamentos que refletem no diafragma.

      Recapitulando: Por Que Você Sente Dor de Lado ao Correr

      A dor pode ter várias origens:

      • Diafragma e Peritônio (Atrito e irritação da membrana).
      • Impacto (Tração dos ligamentos do fígado/baço).
      • Respiração inadequada (Acúmulo de VRE e respiração curta).
      • Adaptação dos órgãos (Necessidade de maturação fisiológica).
      • Alimentação e gases (Pressão interna ascendente).

      👉 O mais importante é entender: Não existe uma única causa — mas existem vários ajustes possíveis.

      O Que Fazer a Partir de Agora

      Observe seu corpo e ajuste o Ritmo, a Respiração, a Alimentação e a Postura, e, acima de tudo, dê tempo para o organismo se adaptar. Com consistência e consciência, essa dor tende a desaparecer — e sua corrida passa a ser muito mais fluida.

    • Lesões na Corrida: Métodos de Treino Podem Ser o Verdadeiro Gatilho

      Lesões na Corrida: Métodos de Treino Podem Ser o Verdadeiro Gatilho

      O assunto Lesões na Corrida pode ser percorrido por várias rotas e este texto vai abordar duas delas; uma de maneira objetiva, pois que já foi bastante examinada: as Lesões Típicas, com suas regiões e pontos anatômicos de manifestação; e outra com maior profundidade porque será o nosso foco: a Dinâmica das Cargas de Treino como fator predisponente original, ou como precursora quando atua como gatilho de um desequilíbrio, condição preexistente para as lesões.

      📌 Este artigo complementa o vídeo:
      👉 Lesões Típicas na Corrida

      Juntamente com o aumento da quantidade de praticantes da corrida, houve o aumento do acometimento multifatorial pelas lesões, as investigações para melhor conhecê-las na especialidade, e as ações a fim de evitar e ou sana-las.

      Sobre o tópico Prevenção, pode-se interceder com algum sucesso, pois, geralmente as lesões dos corredores de rua são geradas por microtraumas, de desenvolvimento lento, desconforto local que precede a dor e intensidade gradativa da mesma.

      A grande maioria das lesões desses atletas envia sinais antecipados e um lapso de tempo para ajustes e correções, quando a experiência e percepção aguçada de treinador/atleta podem interceder fazendo a diferença entre um processo rápido de reversão da situação garantindo a continuidade normal do processo, e o agravamento da situação, com perdas e outros empenhos no processo de treinos.

      E o que propriamente seria a Dinâmica das Cargas de Treino?
      Essa variável é a essência do planejamento; elege, hierarquiza, combina, distribui, qualifica, quantifica, temporiza e modifica os diversos tipos de cargas dos treinos obedecendo aos princípios científicos do treinamento esportivo.

      Essa dinâmica respeita as individualidades, o que pode e o que não se recomenda para os treinos, as etapas de evolução, manutenção, regressão e transição dentro do processo; em ultima instância, concorre para extrair o melhor da forma no ponto em que se precisa, preservando o indivíduo ao máximo.

      A presença de equívocos aqui, pode significar um dos principais fatores para desencadear lesões durante o processo de treinos, tratando-se aqui da prática regular da Corrida de Resistência, mas verificado em qualquer modalidade esportiva, nível ou objetivo do praticante.

      Uma boa equação da Dinâmica das Cargas é responsável não só por ótimos resultados, mas também por baixos índices de lesões. 

      Lesões Típicas na Corrida: Onde Elas Acontecem?

      Verificadas em várias regiões e predominantemente na parte inferior do corpo, as lesões que mais acometem os praticantes da corrida são também frequentes em três articulações: quadril, joelho e tornozelo.

      Região lombar, ponto de lesão específica na corrida.

      Nas costas temos a lombalgia; no quadril as síndromes do piriforme e do impacto, as bursites e tendinite de glúteo médio; nas pernas os estiramentos, distensões musculares (posteriores das coxas e panturrilhas), as periostites (tíbia) e fraturas por estresse (tíbia e fêmur), nos joelhos a condromalácia patelar e a síndrome da banda iliotibial; nos pés, fascite plantar, tendinite no aquiles e fratura por estresse no calcâneo.

      O Verdadeiro Problema: A Dinâmica das Cargas de Treino

      1. CARGAS DESPROPORCIONAIS

      Cabe aqui o conceito de Carga Externa x Carga Interna. Carga Externa representa os valores convencionados, estabelecidos pelo plano: 45’ de corrida contínua a 6’00”/km; 22 kg no supino; 8 x 1000m a 4’40”; etc…ou seja, as medidas que o treinador prescreveu na planilha ou sugeriu verbalmente.

      Carga Interna será o que esses valores representarem para o organismo no momento da execução: desde as sensações inócuas, passando por aquelas na medida, as que nos interessam é claro, chegando às extenuantes e até insuportáveis, as quais o métier costumava chamar de predatórias, e a seus prescritores (secretamente) de quebra-nozes.

      A escala de Borg adaptada, que classifica o esforço subjetivo, onde a pessoa pontua de 0 a 10 a sensação do esforço dispendido no exercício, é simples e ao mesmo tempo muito eficaz quando bem utilizada, podendo auxiliar bastante na questão das cargas externas x internas.

      📌 Se você quiser entender mais profundamente essa relação, assista:
      👉 Carga Interna x Carga Externa

      Atletas experimentados variavelmente conseguem executar até mesmo sequências de cargas extenuantes, ao menos por algum tempo, já que seu parâmetro de desafios e resultados é de extremos, sua predisposição mental e sua relação com o esforço são também muito diferenciadas.

      Tais níveis de cargas são praticadas até mais frequentemente do que podemos pensar, apesar da incoerência em muitos casos, porquê o empenho por super capacitar provisoriamente, acarretará altos riscos de incapacitar precocemente.

      No setor amadorístico então, não há justificativa alguma, a não ser a imperícia, para tal procedimento, e tanto neste quanto no setor profissionalizado, a insistência dessa condição pode até tardar, mas trará uma pesada fatura.

      2. ESTÍMULOS DESCONEXOS

      Um estímulo diferente dos padrões momentâneos praticados, em natureza e magnitude, geralmente na sua introdução ou reintrodução, como nos casos em que é aplicado com grandes lapsos de tempo, tanto possui a dificuldade de assimilação estrutural/orgânica do que se pretende com ele, como pode gerar um impacto negativo ao nível de lesão.

      São unidades de treinos fora do contexto, às vezes verdadeiras invencionices comprometendo o equilíbrio do processo, depletando energia demasiada, tomando tempo, concorrendo com capacidades importantes a serem desenvolvidas no momento e dificultando a regeneração de tecidos e sistemas.

      Tomada desplugada, representando desconexão.

      3. CARGAS CONFLITANTES

      Pense em cargas subsequentes como interação medicamentosa ou alimentar. Temos um medicamento ou alimento com poder de anular indesejada e respectivamente o efeito de outro, e uma situação ainda pior no primeiro caso, onde pode tal administração concomitante pode causar efeitos muito danosos ao organismo.

      Durante o processo dos treinos de Corrida, é possível por um descuido, impor cargas consecutivas, de diferentes naturezas e grandezas ou não, mas conflitantes entre si, tendo como reguladores o tempo de recuperação e a ordem da aplicação entre as mesmas.

      A prática de outros esportes, diferentes solicitações musculoesqueléticas pontuais, e até mesmo sessões alongamento muscular ou de flexibilidade, que em primeira análise só trazem benefícios, mal colocadas, entram nessa conta.

      Representação do conflito entre cargas de treinos.

      Então, ainda que um planejamento de âmbito amador não sugira muito treino ao praticante, mas o suficiente em termos de volume e intensidade, ele deve também comtemplar a lógica fisiológica, considerando a natureza e a ordem de aplicação das cargas, os diferentes períodos da preparação e a recuperação entre estímulos.

      Resulta que o plano ideal bem dimensiona a quantidade das cargas, gerais e específicas; uma variável pouco complexa, assim como bem respeita a qualidade delas; uma variável algo complexa, e tudo verificado pelo conteúdo e gerenciamento geral, responsável por evitar as contraposições que podem gerar lesões.  

      Tipo, qualidade e quantidade das cargas são ferramentas cujo domínio facilitam objetivos.

      4. GRADAÇÃO DAS CARGAS

      Imaginemos alguém aprendendo a andar de bicicleta na quarta-feira, porque pretende no sábado, atravessar pedalando uma cidade grande e movimentada, e conhece o caminho só por um mapa…

      Vai praticar até na sexta e deve conseguir, já que está decidido…mas não se pode garantir o quanto estará adaptado ao equipamento, qual o real impacto da distância percorrida no organismo ou nos joelhos, e como se sairá no trânsito.

      Representação do prejuízo causado pela falta de gradação das cargas de treinos.

      A aplicação repentina de um bloco ou de cargas isoladas de magnitude muito superiores às praticadas no momento, portanto em desrespeito à gradação, é também um caminho obscuro, sem chances adaptativas, produto da queima de etapas e não obstante se cumpra, as consequências são desconhecidas, porque o organismo e as estruturas do sistema de locomoção nem sempre respondem bem aos sobressaltos.  

      Estamos falando da carência da maturação estrutural e orgânica para enfrentar esses desafios, e a participação em distâncias maiores de provas sem a devida gradação também enquadra-se em situação abrupta.

      Respeito aos degraus é uma fórmula inteligente para a preparação.

      📌 Se você quiser entender por que a progressão é inegociável no treinamento, assista:
      👉 Treino de Corrida: Por que Não Queimar Etapas

      5. PADRÕES CONSTANTES (Platô e Sobrecarga Silenciosa)

      Face oposta à gradação das cargas. A utilização dos estímulos repetitivos ou de pequenos blocos deles comumente são observados entre os praticantes da corrida sem orientação especializada.

      Níveis moderados de intensidade de cargas repetitivas também podem estressar os sistemas orgânico e mental mais do se possa imaginar, com poderes de gerar lesões ou no mínimo, impedir aquisições viáveis de performance para as competições ou mesmo resultados esperados para a estética, onde o metabolismo passa a modular o balanço da ingestão calórica e gasto energético de forma desfavorável e não reage à altura para uma possível perda de peso desejada.

      Platôs permanentes de condicionamento em atividade específica devem ser evitados.

      Logo no início dos meus treinos sistematizados já mantinha um diário por temporada de treinos: primeiro num caderno, depois numa agenda e atualmente num arquivo do word, e essa prática, que gera uma preciosa fonte, sempre me auxiliou muito.

      Sempre que ocorria um percalço ia direto para o diário, e ali por vezes, encontrava a causa subentendida, quando não implícita mesmo, pelas semanas ou até meses anteriores; aprendia algo sobre aquilo e podia evitar a repetição de eventuais equívocos.

      Mantenho esse sistema também para todos os meus orientados e assim nunca me perco sobre a fase em que eles estão e quais as suas possibilidades atuais, traço diagnósticos e prognósticos da preparação e das provas, posso intervir mais precisamente sobre os fatores dinâmica das cargas e prevenção, e essa é uma forma efetiva de reduzir possíveis equívocos referentes aos cinco tópicos acima expostos. 

      Planejamento de Treino é Como um Jogo de Xadrez

      Lembrando um jogo de xadrez, onde diferentes peças desempenham diferentes funções, com alguma liberdade de escolha para os lances que se articulam e determinam um caminho, com possibilidades de previsões reativas, um plano de treinamento de corrida bem pensado contém vários métodos, gerais e específicos para melhorar cada uma das capacidades necessárias na preparação do corredor de resistência, e inúmeras combinações entre eles, o que confere certa flexibilidade no planejamento, limitada pelos fundamentos teóricos e características individuais, onde a subjetividade tem pouco espaço, e a sucessão de erros provocará perdas.

      🟢 Lesão não é acaso, e pode ser processo mal gerenciado. Boa parte das lesões na corrida não surge de um único treino, mas da acumulação mal distribuída de cargas.

      Quando o método respeita:

      • quantidade
      • qualidade
      • ordem
      • recuperação
      • individualidade

      A chance de lesão cai drasticamente. Treinar não é apenas aplicar estímulo; é saber quando, quanto e como aplicar. E isso separa improviso de planejamento.

      Fontes:
      João Abrantes
      http://www.centrodetreino.com/index.php/treino/carga-de-treino
      Adriano Leonardi
      http://educacaofisica.seed.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=107

    • Lesões na Corrida: As Mais Comuns e Como Evitar

      Lesões na Corrida: As Mais Comuns e Como Evitar

      Se você corre regularmente, é muito provável que em algum momento enfrente alguma dor ou lesão. A corrida é uma das atividades físicas mais populares do mundo — e também uma das que mais expõe o corpo a pequenas sobrecargas constantes.

      Mas, por ser tão simples de começar, muita gente se esquece de algo importante: a corrida é uma atividade de impacto e altamente repetitiva.

      Isso significa que, ao longo de um treino, você repete milhares de passadas — e cada uma delas gera uma carga, que na soma, torna-se significativa para o corpo.

      Com o tempo, esse processo acaba expondo desequilíbrios, assimetrias e fragilidades que já existiam no corredor.

      Ou seja: na maioria das vezes, a corrida não cria o problema — ela revela o problema.

      Por isso, entender as Lesões Típicas da Corrida é fundamental para qualquer corredor que queira evoluir sem, ou diminuindo as interrupções.

      Neste artigo vamos ver:

      • Quais são as lesões mais comuns entre corredores
      • Por que elas surgem
      • Quais são os sinais de alerta
      • Como prevenir esses problemas antes que afastem você dos treinos

      Mas antes, vale dizer algo importante: a corrida não é uma atividade perigosa.

      Hoje já sabemos muito mais sobre prevenção, tratamento e recuperação de lesões. Com orientação adequada e progressão correta de treino, é perfeitamente possível correr por muitos anos com saúde e consistência.

      Inclusive, se você quiser entender esse tema de forma mais detalhada, assista também ao vídeo completo abaixo:

      Por que as lesões na corrida são tão comuns?

      A corrida reúne três características que, quando mal administradas, aumentam o risco de lesões.

      1. Movimento cíclico

      A corrida repete sempre o mesmo padrão de movimento.

      2. Movimento altamente repetitivo

      Em um único treino você pode dar milhares de passos, exigindo repetidamente das mesmas estruturas.

      3. Atividade de impacto

      A cada passada o corpo recebe uma carga que pode chegar a 2 a 3 vezes o peso corporal.

      Essa combinação cria um cenário interessante. O sistema cardiovascular evolui muito rápido; em poucas semanas você já percebe que está mais condicionado, respira melhor e aguenta correr mais tempo.

      Mas existe um detalhe importante. Os músculos, tendões, ligamentos e ossos levam muito mais tempo para se adaptar. Em alguns casos, essa adaptação pode levar meses ou até anos.

      Esse descompasso cria o que podemos chamar de janela de vulnerabilidade.
      O corredor se sente preparado para aumentar o treino, mas as estruturas que absorvem impacto ainda não estão totalmente adaptadas. É exatamente nesse momento que muitas lesões aparecem.

      Mas existe um detalhe importante: Muitas vezes, as lesões não surgem apenas pelo impacto da corrida, e sim por erros na forma como os estímulos de treino são aplicados.

      Alguns tipos de treino — quando mal utilizados — acabam funcionando como verdadeiros gatilhos de lesões em corredores.

      👉 Por isso, no artigo abaixo eu explico quais são os métodos de treino que mais geram lesões na corrida e por quê.
      ➡️ Lesões na Corrida: Gatilhos por Estímulos de Treino

      Outro ponto importante é que, na corrida, as lesões raramente surgem de forma abrupta.

      Diferente de esportes explosivos, como futebol ou basquete, na corrida geralmente aparecem sinais progressivos antes que o problema se instale de vez. O problema é que muitos corredores ignoram esses sinais.

      Índices de lesões em corredores (dados científicos)

      Estudos científicos mostram que entre 40% e 45% dos corredores sofrem algum tipo de lesão relacionada à corrida ao longo da prática esportiva.

      Esses números aparecem de forma consistente em revisões científicas que analisaram dezenas de estudos sobre lesões em corredores.

      Entre as mais comuns estão:

      Quadro dos índices das lesões típicas dos corredores

      Ou seja, quando falamos de lesões na corrida, estamos lidando com um conjunto relativamente previsível de problemas que aparecem repetidamente entre corredores, e quando analisamos quais lesões aparecem com mais frequência, aparecem sempre as mesmas.

      Lesões típicas na corrida

      A grande maioria das lesões de corredores acontece na parte inferior do corpo, especialmente em três articulações:

      • Quadril
      • Joelho
      • Tornozelo
      Imagem das principais articulações envolvidas na corrida: quadril, joelho e tornozelo

      Agora seguem alguns detalhes sobre as lesões mais recorrentes no praticante da Corrida.

      Fascite plantar

      A fascite plantar é uma das reclamações mais comuns entre corredores.
      Ela se caracteriza por uma dor intensa no calcanhar, com ardência na sola do pé, especialmente nos primeiros passos da manhã.

      Por que acontece

      A fáscia plantar é uma estrutura que sustenta o arco do pé. O impacto repetitivo da corrida pode gerar microlesões nessa região, levando à inflamação.

      Isso costuma acontecer quando:

      • O volume de treino aumenta rápido demais
      • O corredor treina sempre em pisos muito duros
      • Há pouca força na musculatura do pé

      Sinais de alerta

      • Dor no calcanhar
      • Dor ao acordar
      • Desconforto na sola do pé após longos períodos em pé

      Prevenção

      • Fortalecer musculatura do pé
      • Alongar a fáscia plantar
      • Usar tênis adequado
      • Variar os pisos de treino
      • Progredir volume gradualmente

      Uma observação interessante: você raramente verá um corredor experiente rodando em asfalto; sempre que podem, eles procuram evitar o excesso de treinos em pisos duros como o asfalto, justamente para reduzir o impacto acumulado.

      Tendinopatia do Aquiles

      Outra lesão bastante comum é a tendinopatia do tendão de Aquiles.
      O tendão de Aquiles, o mais potente do corpo, mas também suscetível, conecta a panturrilha ao calcanhar e sofre grande carga a cada passada.

      Sinais de alerta

      • Dor atrás do calcanhar
      • Rigidez pela manhã
      • Desconforto ao iniciar o treino

      Muitos corredores cometem um erro clássico: pensar que “aquecendo a dor passa”. De fato, a dor pode diminuir durante o treino, mas isso não significa que a lesão desapareceu, e foi exatamente assim que presenciei vários atletas limitados por esse problema, por anos.

      Fatores que favorecem essa lesão

      • Excesso de treino em subidas
      • Aumento rápido de volume
      • Corrida frequente em asfalto
      • Pouca força nas panturrilhas

      Estratégias de prevenção

      • Fortalecimento da panturrilha
      • Progressão gradual de treino
      • Evitar exageros em ladeiras
      • Atenção aos primeiros sinais

      Síndrome da Banda Iliotibial

      Essa é tão típica que recebeu o apelido de joelho do corredor. Ela acontece quando a banda iliotibial, uma faixa de tecido que vai do quadril até a tíbia, começa a gerar atrito na região lateral do joelho.

      Sintomas comuns

      • Dor na parte lateral do joelho
      • Desconforto ao correr
      • Dor ao descer escadas

      Erros comuns que favorecem essa lesão

      • Correr sempre no mesmo sentido em pistas inclinadas
      • Excesso de treinos em ladeiras
      • Fraqueza nos glúteos

      Prevenção

      • Fortalecimento do quadril
      • Exercícios para glúteos
      • Alongamento de posteriores da coxa
      • Variar terrenos e inclinações

      Essa é uma lesão tão presente entre corredores que merece um estudo específico, algo que vamos aprofundar em conteúdos futuros.

      Síndrome Fêmoro-Patelar

      A síndrome fêmoro-patelar causa dor na parte da frente do joelho, atrás da patela. Ela acontece quando há desequilíbrios musculares que alteram o alinhamento da patela durante o movimento.

      Sintomas

      • Dor ao subir escadas
      • Dor ao agachar
      • Desconforto após treinos longos

      Prevenção

      • Fortalecimento de quadríceps
      • Fortalecimento de glúteos
      • Exercícios de core
      • Mobilidade de quadril
      Regiões de quadríceps, glúteos e core, para fortalecer e prevenir lesões na corrida.

      Regiões de quadríceps, glúteos e core.

      Canelite (Estresse Tibial Medial)

      A canelite é outra que aparece com frequência entre corredores.
      Ela se manifesta como uma dor na borda interna da tíbia, que começa leve e vai aumentando com o tempo.

      Por que acontece

      O impacto repetitivo da corrida gera estresse na musculatura e no periósteo (membrana que envolve o osso). Esse quadro costuma surgir quando:

      • A quilometragem aumenta rápido demais
      • O corredor treina sempre em pisos duros
      • O tênis está gasto

      Prevenção

      • Fortalecer tibial anterior
      • Fortalecer panturrilhas
      • Alternar superfícies de treino
      • Progredir carga com paciência

      Fraturas por estresse

      Esse é o extremo da sobrecarga.
      As fraturas por estresse são pequenas fissuras em ossos como:

      • Tíbia
      • Fêmur
      • Metatarso

      Elas aparecem quando o corpo não tem tempo suficiente para se recuperar entre os treinos.

      Sinais de alerta

      • Dor progressiva
      • Dor localizada
      • Dor que piora ao correr

      Muitas vezes o corredor pensa que é apenas uma canelite, mas na verdade já existe uma fratura em desenvolvimento.

      Prevenção

      • Respeitar períodos de descanso
      • Alternar estímulos de treino
      • Incluir treino cruzado, como bike ou natação

      Outros problemas comuns em corredores

      Além das lesões principais, também aparecem com certa frequência:

      • Entorses de tornozelo (principalmente em trilhas)
      • Bursites no quadril ou joelho
      • Pubalgia, causada por desequilíbrios musculares

      Erros que mais levam a lesões na corrida

      Depois de anos acompanhando corredores, alguns padrões aparecem com frequência.

      Os erros mais comuns são:

      • Aumentar volume ou intensidade rápido demais
      • Ignorar dores iniciais
      • Participar de provas em excesso
      • Treinar apenas corrida
      • Usar tênis inadequado ou gasto
      • Ignorar fatores individuais como histórico de lesão ou excesso de peso

      Como prevenir lesões na corrida

      A boa notícia é que a maioria dessas lesões é previsível e evitável. Algumas estratégias fundamentais incluem:

      Planejamento estruturado

      Respeitar a progressão de carga e evitar aumentos bruscos de treino.

      Fortalecimento muscular

      Principalmente para:

      • Quadril
      • Core
      • Pés
      • Panturrilhas

      Treinos regenerativos

      • Corrida leve
      • Mobilidade
      • Alongamentos dinâmicos

      Variedade de estímulos

      Alternar pisos e incluir atividades como:

      • Ciclismo
      • Natação
      • Caminhada vigorosa

      Autoconsciência corporal

      Prestar atenção em sinais como:

      • Dor persistente
      • Rigidez matinal
      • Assimetrias de movimento

      Sono e recuperação

      É durante o descanso que o corpo se adapta e se fortalece.

      Conclusão

      Quando analisamos com calma, percebemos que as lesões típicas da corrida não são um mistério. Elas seguem padrões claros e quase sempre aparecem pelos mesmos motivos:

      • Pressa
      • Excesso
      • Falta de prevenção

      Ao longo da minha trajetória como treinador e atleta, já vi muitos corredores se afastarem da corrida por conta da insistência no erro, mas também vi muitos outros ajustarem o treinamento, corrigirem os erros e seguirem evoluindo normalmente.

      A corrida pode ser uma atividade extraordinária para a saúde e para a longevidade, desde que seja praticada com consciência.