Corredor:- você tem uma resposta bem definida sobre os motivos pelos quais você treina?
Se alguém te perguntasse agora qual é o seu objetivo real com a corrida, você saberia responder com clareza? Porque acredite — muitos corredores não sabem, sobretudo os menos experientes.
Muitos começam “na onda” com uma motivação, mas no meio do caminho isso muda, se perde, se contamina com a de outros, ou até se contradiz, e entender por que você corre é o que define não só o seu progresso, mas a forma como você vive a corrida.
👉 Se preferir, em vez do texto, veja esse assunto no vídeo:
📺 Afinal, pra que mesmo você treina?
Os Motivos Mais Comuns Para Começar a Correr
Quando a gente observa o universo da corrida de rua, conversa com os corredores, ou até mesmo vê as estatísticas sobre perfis, percebe o primeiro ponto; as pessoas correm pelos motivos mais variados:
- Algumas querem emagrecer
- Outras, aliviar o estresse
- Tem quem corra por desafio pessoal
- Por saúde
- Ou para socializar
E tem quem simplesmente comece porque o amigo chamou.
Estatisticamente, por dados aproximados baseados em estudos e pesquisas nacionais:
– O Brasil tem hoje cerca de 13 milhões de corredores amadores
– Desses, metade treina por conta própria — ou seja, sem acompanhamento direto
– E, segundo levantamentos de portais de corrida e saúde, os principais motivos para começar são:
- 35%: emagrecimento e estética
- 25%: melhorar a saúde cardiovascular
- 20%: reduzir o estresse e ansiedade
- 10%: superar desafios pessoais
- 10%: conviver com outras pessoas
Se agruparmos os interesses em torno da saúde física, mental e social, ou, a Saúde Integral do individuo, teremos uma quantidade por volta dos 83%.
O fato é que quase todo corredor começa com uma motivação muito prática, e a maioria não percebe que esse ponto de partida é só o início de uma trajetória de transformação, porque, com o tempo, os motivos variavelmente mudam — e, junto com eles, muda também o significado da corrida.
Quando o Objetivo Muda — e isso é bom!
Muita gente acha que o ideal é ter um objetivo fixo, bem definido — tipo ‘quero correr uma meia maratona’ ou ‘quero perder 10 quilos’.
Só que na prática, o amadurecimento de um corredor vem justamente quando os objetivos começam a mudar.
👉 Veja as implicações nessas mudanças, no vídeo:
📺 Seu Objetivo Mudou (e isso é ótimo)
Um Exemplo Prático
Conheci muita gente que começou a correr para perder peso, e percebi que depois de alguns meses, atingindo o peso ideal, ficou meio sem saber o que fazer.
Só que aí, algo interessante geralmente acontece: o corredor começa a perceber o prazer de se desafiar nos treinos, de sentir o corpo respondendo, de ver a melhora na performance, então passa a dar mais atenção aos parâmetros de tempo e distância nos treinos.
O objetivo deixa de ser o peso corporal; o praticante até mesmo se esquece de verificar aquilo que já está sob controle — e naturalmente volta a sua atenção para a evolução pessoal na forma de performance.
No meu caso – para que você veja só como esse negócio de objetivo pode ser muito dinâmico – eu já tinha praticado alguns esportes, mas, ainda adolescente, parei na marcha atlética, uma modalidade de fundo; que nem a corrida que tratamos por aqui.
Contrariando totalmente a lógica do adolescente que procura por um esporte, meu objetivo inicial era ficar distante do sedentarismo. Pois bem, algum tempo passou e eu, ainda juvenil, nem me lembrava do sedentarismo e só pensava na performance.
Depois de mais de uma década, e ainda pelo viés da performance, me veio um objetivo bem especifico: o sonho olímpico. Encerrado esse ciclo e com algum tempo inativo, voltei com o mesmo objetivo de quando era um menino: o de fugir do sedentarismo, mas agora preocupado com a saúde e com a estética.
E isso acontece com frequência: a corrida começa sendo um meio para algo externo, mas com o tempo, vira um valor interno. Ela deixa de ser sobre resultados e passa a ser sobre identidade, e justamente nesse ponto, entra o papel do treinador.
O Papel do Treinador na Construção e Revisão de Objetivos
Um bom treinador não é só quem passa treinos, mas quem ajuda o corredor a entender o porquê de cada treino — e com a mesma importância, a repensar os próprios objetivos quando for preciso.
O treinador é uma espécie de espelho, nos momentos em que mostra o que o aluno ainda não percebeu sobre si mesmo.
O Papel Prático do Treinador
- Ajudar o aluno a definir metas realistas e alinhadas ao momento atual;
- Identificar quando o corredor está preso num objetivo ultrapassado (por exemplo, insistindo em performance quando o corpo pede saúde);
- Traduzir o propósito emocional do aluno em estratégias técnicas de treino;
- Relembrar o aluno de que a corrida é uma jornada de longo prazo, e que os objetivos podem mudar conforme a vida muda.
E o mais interessante: o treinador também aprende com isso, porque, à medida que o aluno amadurece, o olhar do treinador sobre ele também muda.
A História do ‘Correr Para Poder Comer Mais’
Já faz algum tempo, durante um treino com meu grupo, eu comentei algo que gerou polêmica.
Baseado no que eu tinha percebido, disse que muita gente corre pra poder ter um cardápio mais flexível — em outras palavras, pra poder comer mais à vontade e de certa forma, isso faz todo o sentido.
Existe até uma brincadeira recorrente sobre as fases da vida: no início da fase adulta, a pessoa pode comer de tudo, mas não tem dinheiro para isso. Depois que se estabiliza profissionalmente, já tem recursos, mas a idade começa a cobrar o preço — e aí, parece que “não pode comer mais nada”.
É justamente nesse ponto que a corrida entra em cena: ela devolve certa liberdade; a pessoa percebe que, com o hábito de correr pode manter o prazer de comer sem culpa, equilibrando o que gosta com o que precisa, como se a corrida se tornasse a ponte entre o prazer e o autocuidado.
O prazer de comer com flexibilidade faz parte da qualidade de vida — que, aliás, é algo relativo entre as pessoas, já que, para muita gente, poder se alimentar bem, sem culpa e sem restrições exageradas, é um dos grandes prazeres da vida.
Quando a corrida entra nessa equação, ela ajuda a equilibrar o prazer e a saúde de um jeito leve, sem extremos. Cada um encontra seu ponto de equilíbrio: uns correm pra poder saborear um bom prato, outros pra manter o corpo ativo e a mente tranquila. No fim das contas, qualidade de vida é isso — encontrar o próprio jeito de viver bem.
Os Diferentes Tipos de Objetivo na Corrida
Para entender onde você está na sua jornada como corredor, vale conhecer os tipos de objetivos que normalmente aparecem nesse caminho. Também é bom saber que, quando alguém começa a correr dificilmente o faz por um único motivo, que esses variam muito entre pessoas, e também mudam com o tempo.
Objetivos Estéticos
Muito comuns entre iniciantes e especialmente entre mulheres antes da meia-idade.
- Perda de peso
- Definição corporal
- Melhora do tônus muscular
- Sentir-se melhor com o próprio corpo
Objetivos de Saúde
- Controle do colesterol
- Redução do estresse
- Melhora do sono
- Equilíbrio do humor
- Promoção do bem-estar geral
Objetivos Emocionais
- Alívio do estresse
- Sensação de bem-estar mental
- Espaço de equilíbrio no dia a dia
- Corrida como válvula de escape
Objetivos de Performance
- Baixar tempos
- Aumentar distâncias
- Melhorar desempenho em provas
- Alcançar metas específicas
Objetivos Sociais e de Propósito
- Integração com grupos de corrida
- Motivação coletiva
- Superação de desafios pessoais
- Enfrentar ou ressignificar fases difíceis
- Reconexão consigo mesmo
No fim das contas, todos esses motivos são válidos e se entrelaçam de alguma forma, já que a corrida tem essa capacidade de atender diferentes dimensões do ser humano — o físico, o mental, o emocional e até o social.
Eles não são fixos, mas ajudam a visualizar a progressão natural de quem vive a corrida de verdade; e não importa o motivo inicial, o que importa é o quanto a corrida transforma a pessoa ao longo do caminho.
O Amadurecimento do Corredor
O amadurecimento do corredor acontece quando ele entende que o objetivo é dinâmico, que ele pode mudar de fase, mudar de meta, e isso não significa estar perdido, mas estar vivo dentro da prática.
A corrida é um espelho da vida: às vezes o foco é saúde, às vezes superação, às vezes conexão — e tá tudo certo.
É positivo quando um corredor passa a treinar com mais consciência; quando ele para de se comparar com os outros e começa a buscar melhorar a si mesmo, dentro do contexto que está vivendo agora. É aí que nasce o corredor maduro.
👉 Veja um artigo que poderá te ajudar com isso:
📝 Como Montar uma Semana de Treinos Equilibrada na Corrida
Pontos de Reflexão
Agora é com você Corredor: por que você treina? Qual é o seu objetivo hoje? E ele é o mesmo de quando você começou? Em que fase da corrida você está?
A corrida pode ser o que você quiser que ela seja: um meio para emagrecer, um espaço de paz, um campo de batalha pessoal, ou um laboratório de autoconhecimento. O importante é que seja consciente — e que te faça crescer.
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