Categoria: Corrida

  • Treino Longo: Contínuo ou Fracionado? Qual é Melhor para Evoluir na Corrida?

    Treino Longo: Contínuo ou Fracionado? Qual é Melhor para Evoluir na Corrida?

    O que Realmente Funciona para o Corredor Amador

    Se, tem um treino que gera dúvidas, adaptações pessoais, crenças e até pequenas “religiões” dentro da corrida, esse treino é o longo da semana.

    Quase todo corredor que treina minimamente estruturado faz um longo semanal. Mas aí surge a pergunta que parece simples e não é:

    👉 Esse longo precisa ser feito de uma vez só?
    👉 Ou pode ser fracionado em dois dias consecutivos?

    👉 Se preferir, em vez de ler, assista ao vídeo:
    📺 Treino Longo: Contínuo ou Fracionado?

    A grande maioria dos corredores faz o treino longo contínuo, alguns preferem dividi-lo em dois treinos médios, e muitos ao menos sabem dessa estratégia. De um jeito ou de outro, poucos sabem exatamente o que estão ganhando, o que estão perdendo e por quê.

    A ideia desse artigo é organizar esse tema com clareza, sem dogma, sem “receita pronta”, mas com base em fundamentos do treinamento.

    Como Classificar o Treino Longo na Prática

    Ao longo do tempo, para abrir minha visão e me situar melhor nas prescrições que tenho feito, para os diferentes níveis de corredores com seus variados objetivos, passei a classificar o treino longo em três faixas:

    • Longo curto: entre 12 e 16 km
    • Longo médio: entre 16 e 22 km
    • Longo longo: acima de 22 km

    Essa classificação não é aleatória; ela conversa diretamente com:

    • Tempo contínuo de esforço
    • Impacto metabólico
    • Fadiga acumulada
    • Exigência mental

    Ao considerar 12 km como longo, são incluídos corredores de todos os níveis, já que o conceito de longo é relativo ao estágio do corredor.

    12 km como ponto inicial de um treino longo, não é por mera concessão, mas por coerência com o princípio do treinamento, porque não se trata de um número absoluto, mas aquilo que não aparece nos treinos comuns da semana, e dentro do estágio atual do corredor:

    • estressa os sistemas de forma prolongada
    • exige gestão de ritmo
    • pede atenção ao corpo
    • impõe alta carga de resistência
    Infográfico explicativo mostrando os benefícios do treino longo único e contínuo. Foca no estresse fisiológico prolongado, a gestão de ritmo, a atenção ao corpo e a alta carga de resistência, gerando adaptações metabólicas e cardiovasculares.

    Para um iniciante, 12 km já representam uma experiência longa em todos os sentidos: fisiológica, mental e até logística. Há gasto energético relevante, maior solicitação muscular, impacto acumulado e, principalmente, a necessidade de sustentar a corrida por um tempo contínuo que foge da zona de conforto habitual.

    À medida que o corredor evolui, o conceito de longo evolui junto; o que ontem era longo, hoje vira médio, o que hoje é desafiador, amanhã será rotineiro. É por isso que prefiro classificar o longo como relativo ao estágio, e não como um carimbo fixo de quilometragem.   

    E se você quiser dar um passo além nessa compreensão, existe um conceito que muda completamente a forma de enxergar o treino; não é só o que você faz — mas como o seu corpo responde ao que foi feito.

    👉 Eu explico isso de forma prática nesse artigo:
    📝 Carga Interna x Carga Externa no Treinamento de Corrida

    Por que o Treino Longo é tão Importante?

    O longo é o treino que:

    • Sustenta a base aeróbia
    • Ensina o corpo a lidar com a fadiga progressiva
    • Melhora a economia de corrida
    • Prepara o sistema musculoesquelético
    • Fortalece a mente para permanecer em movimento por muito tempo

    É nele que o corredor aprende a continuar quando o conforto acaba e exatamente por isso, a forma como esse treino é feito importa muito.

    A Grande Questão: Fracionar ou não Fracionar?

    Antes de entrar no mérito do que funciona melhor, vale entender de onde vem essa ideia do longo fracionado.

    Ela vem de contextos muito específicos: atletas de alto volume, calendários densos, esportes de resistência prolongada e ambientes onde a recuperação, a logística e o suporte eram parte do sistema.

    Ou seja, foi uma ferramenta criada dentro de um método, não um atalho fora dele, e quando se tira essa estratégia do contexto original e aplica sem critério, o risco não é errar um treino — é desorganizar a preparação inteira.

    E é justamente aqui que entra um ponto que a maioria dos corredores ignora: o problema quase nunca está em um treino isolado, mas na forma como a semana inteira está organizada.

    👉 Se você quer entender como estruturar seus treinos de forma equilibrada — sem exagerar na carga e sem treinar menos do que deveria — eu explico isso em detalhes neste vídeo:
    👉 Como Montar Uma Semana de Treino Equilibrada (sem treinar demais ou de menos)

    Como vimos, a prática do longo fracionado — dividir o volume de um treino em dois dias consecutivos — não é nova nem surgiu do nada, ela apareceu:

    • Em contextos de alta carga semanal
    • Em atletas experientes
    • Em situações logísticas específicas
    • Como estratégia pontual de controle de impacto

    O Problema da Recorrência

    O problema começa quando essa estratégia vira substituição permanente, e não ferramenta ocasional.

    O que era para proteger o processo vira um modo de evitá-lo, a exceção começa a se repetir, a repetição vira padrão, e o padrão passa a ser defendido como método. Nesse momento, não há adaptação específica suficiente para sustentar o objetivo maior.

    O treino continua acontecendo, o corpo se mantém ativo, mas a preparação especial deixa de avançar e o corredor segue empenhado e ocupado sem estar verdadeiramente preparado.

    As Bases da Ciência

    Dois médios não são fisiologicamente iguais a um longo longo

    Essa frase resume tudo e o motivo é simples, clássico e inegociável dentro do treinamento esportivo:

    O Princípio da Especificidade | Para simplificar, ele diz que o corpo se adapta exatamente ao tipo de estímulo que recebe.

    A transformação de um longo longo em dois treinos médios incide na perda de especificidade pelo reset metabólico, e é exatamente por isso que essa condição não substitui o longo contínuo — apenas o complementa em situações muito específicas.

    Logo, o longo fracionado pode funcionar como ferramenta circunstancial, atende a alguns objetivos e contextos específicos, mas não reproduz o estímulo fisiológico, estrutural e mental do longo contínuo, que é insubstituível quando falamos de preparação para provas longas.

    Fracionamento: Ferramenta Obrigatória no Intenso, Opcional no Longo

    Nos treinos intensos:

    • Fracionamos o esforço em tiros
    • Aumentamos a intensidade
    • Inserimos pausas estratégicas

    Isso permite correr mais rápido do que o ritmo das provas, porém, fazer tiros não substitui correr a prova inteira sem parar.

    Agora pense no inverso, no treino longo fracionado:

    • Mantemos intensidade baixa
    • Somamos volume em dois dias
    • Inserimos uma pausa longa, geralmente de 24 horas

    Essa pausa não é neutra; ela quebra:

    • a continuidade metabólica
    • a progressão da fadiga
    • a cascata hormonal
    • a adaptação mental do esforço prolongado

    A diferença é que o longo fracionado pode ser uma opção, enquanto o fracionamento do treino intenso não é facultativo — ele é obrigatório, simplesmente porque ninguém consegue sustentar, de forma contínua, intensidades altas por longos períodos sem pausas.

    Infográfico comparativo entre o fracionamento em treinos longos e o fracionamento em treinos intervalados de intensidade. Mostra os diferentes estímulos fisiológicos de cada tipo de treino.

    No caso do longo (como conceito de um treino único), a lógica se inverte e o fracionamento dele, quando comparado ao fracionamento do treino intenso (que não pode ser “desfracionado”), seria uma espécie de engenharia fisiológica inversa.

    O que só o Longo Contínuo Entrega

    Algumas adaptações simplesmente não aparecem em dois treinos médios.
    Entre elas:

    • maior depleção de glicogênio
    • adaptação enzimática prolongada
    • resistência muscular sob fadiga contínua
    • ajustes biomecânicos tardios
    • tolerância mental ao desconforto acumulado

    Essas adaptações exigem tempo contínuo em movimento; não é sobre quilometragem somada, mas sobre tempo sem pausa.

    Se, por um lado fica-se menos cansado fracionando o longo, por outro, precisamos entender o custo dessa escolha, e para te mostrar isso de forma bem objetiva veja o quadro comparando o treino longo contínuo com o longo fracionado.

    comparativo-longo-fracionado-versus-longo-continuo

    Repare que, quando a gente fraciona – mesmo mantendo o volume total – o estímulo muda, a carga interna se distribui de outra forma, a simulação da prova se perde, e a especificidade cai. É a mesma lógica dos tiros: você pode correr mais rápido, pode somar muitos metros, mas nunca vai ser a prova.

    Esse quadro não é para dizer que o fracionado não funciona, mas para deixar claro o que ele é — e principalmente o que ele não consegue substituir.

    Detalhes e Exemplos Práticos

    Agora, um refinamento importante, onde vamos aprofundar a quebra do treino longo. Quando a gente fala em fracionar o longo, não significa dividi-lo ao meio.

    Na prática mais avançada, esse fracionamento quase nunca é simétrico, tão pouco a soma dos dois treinos terá que ser igual ao longo único que seria prescrito.

    Veja esses exemplos:

    • 18 km + 10 km
    • 20 km + 8 km
    • 22 km + 12 km

    E não:

    • 15 + 15
    • 18 + 18

    Importante! O primeiro dia costuma concentrar a maior parte do volume; o segundo entra como uma extensão, já sob fadiga residual.

    Perceba que, ao fazer isso, você está usando dois treinos de naturezas fisiológicas diferentes para resolver um único objetivo. O primeiro treino ainda preserva parte das características do longo, o segundo, já é outro estímulo: começa com fadiga, mas sem a continuidade metabólica do esforço prolongado.

    O corpo entende continuidade como continuidade, e soma de estímulos, como soma — não como equivalência.

    E agora que isso está claro, a gente consegue entrar no próximo ponto, e a parte que mais pega para o corredor amador.

    O Custo Estrutural do Fracionamento

    Não se esqueça também, que fracionar um longo exige duas estruturas completas, não meia.

    Você precisa de:

    • dois blocos de tempo
    • duas ativações mentais
    • duas logísticas
    • duas preparações nutricionais
    • duas recuperações
    • dois momentos de disposição
    Infográfico detalhado sobre as exigências fisiológicas e de planejamento ao fracionar o treino longo de corrida. Destaca a adaptação mental, os blocos de tempo, a logística, a nutrição, a recuperação.

    Então Quando o Fracionamento Faz Sentido?

    Corredores iniciantes estruturados

    Aqui a resposta é direta:

    • não fracionar
    • foco em longos curtos contínuos
    • aprender rotina, continuidade e recuperação

    Fracionar nesse estágio só cria ruído.

    Corredores intermediários consistentes

    Aqui o fracionamento pode aparecer pontualmente.
    Exemplo:

    • sábado: 18–20 km
    • domingo: 12–14 km

    Isso soma volume aeróbio, mas não substitui o longo médio contínuo. É exceção, não regra.

    Corredores avançados e experientes

    Nesse nível, o fracionamento vira ferramenta estratégica.
    Pode ser usado:

    • em semanas de carga alta
    • em blocos específicos
    • como proteção articular temporária

    Mesmo aqui, o longo longo contínuo não desaparece do processo, ele apenas não aparece toda semana.

    OBS: O erro não é fracionar; o erro é achar que se a soma deu igual, o estímulo foi igual. Não foi e não precisa ser — desde que isso seja consciente e planejado.

    O Treino Longo Como Parte de um Sistema

    O treino longo não existe isolado; ele tem ligações com:

    • o volume semanal
    • os treinos intensos
    • o nível do corredor
    • o calendário de provas
    • a fase da temporada

    Quando você entende isso, para de procurar respostas absolutas e começa a fazer boas escolhas. Fracionar o longo não fere a ciência; substituir o longo por fracionados, sim, porque o longo contínuo continua sendo insubstituível para quem quer evoluir de forma sólida.

  • 100ª Corrida Internacional de São Silvestre 2025 — História, Resultados e Participação do Clube da Corrida

    100ª Corrida Internacional de São Silvestre 2025 — História, Resultados e Participação do Clube da Corrida

    A Corrida Internacional de São Silvestre chegou à sua 100ª edição em 31 de dezembro de 2025, consolidando-se como uma das provas de rua mais icônicas e históricas do planeta.
    Realizada nas ruas de São Paulo (SP), a prova de 15 km reuniu um contingente recorde de corredores, experiência esportiva e performance internacional, além de marcar um momento especial para o nosso Clube da Corrida, com a participação da Lígia, Rafael e Regina em uma edição histórica.

    Tradição e Contexto Histórico

    A São Silvestre completou 100 anos em 2025 — uma marca inédita no calendário do atletismo brasileiro.
    Desde sua primeira edição, em 1925, a prova cresceu em prestígio e tradição, tornando-se um símbolo do encerramento do ano esportivo no país.

    Essa edição centenária contou com cerca de 55 mil inscritos, o maior número da história da prova, reunindo atletas de 44 países diferentes.

    Resultados Oficiais da 100ª São Silvestre

    Nesta edição histórica, o alto nível competitivo foi novamente evidenciado com fortes performances internacionais.

    Pódio Masculino

    1. Muse Gizachew (Etiópia) – 44 min 28 s
    2. Jonathan Kipkoech (Quênia) – 44 min 32 s
    3. Fábio Jesus (Brasil) – 45 min 06 s

    Pódio Feminino

    1. Sisilia Ginoka Panga (Tanzânia) – 51 min 09 s
    2. Cynthia Chemweno (Quênia) – 52 min 31 s
    3. Nubia de Oliveira (Brasil) – 52 min 42 s

    Destaques e Curiosidades da Edição

    Recorde de Público e Diversidade

    A centésima São Silvestre foi marcada por números impressionantes:

    • 55 mil inscritos – maior marca da história da prova.
    • Representatividade de mais de 40 países.
    • Crescimento significativo da participação feminina e de corredores de diferentes níveis.

    Essa edição reforçou não apenas o prestígio competitivo, mas também o caráter cultural e esportivo da corrida massificada no Brasil.

    A Participação do Clube da Corrida Bertolino

    Nesta edição histórica, o Clube da Corrida marcou presença com a Lígia, Regina e Rafael, que enfrentaram os 15 km da prova mais tradicional do país com aquela determinação de sempre.
    Participar de uma São Silvestre é sempre um marco no calendário de qualquer corredor — e fazê-lo em uma edição centenária adiciona ainda mais significado a esse desafio.

    Rafael no percurso da 100ª São Silvestre 2025.

    Rafael no percurso da 100ª São Silvestre

    Regina e Lígia na 100ª São Silvestre.

    Regina e Lígia na 100ª São Silvestre

    A 100ª Corrida Internacional de São Silvestre entrou para a história não apenas pelo seu marco centenário, mas pela celebração da cultura da corrida de rua no Brasil e no mundo.
    A participação do Clube da Corrida nessa edição é motivo de orgulho e inspiração para todos os corredores que seguem em busca de evolução, superação e consistência.

  • O Que Vem Entre | TRANSIÇÃO | 2 Temporadas de Treinos

    O Que Vem Entre | TRANSIÇÃO | 2 Temporadas de Treinos

    Você já fez tudo o que queria fazer com suas corridas nessa temporada? Já treinou e participou de provas o suficiente, atingiu ao menos parcialmente suas metas e se deu por satisfeito(a)? Ou nem tanto, e mesmo assim sente um certo cansaço?

    Então você fez por merecer e precisa de um período de sombra e água fresca; você precisa da Fase de Transição.

    imagem de águas tranquilas que remetem ao descanso.

    O que é a Fase de Transição na Corrida

    Esta fase existe ao final da temporada de treinos e provas, que tanto os profissionais quanto boa parte dos corredores amadores cumprem; chamada também de descanso, aplica-se ao individuo submetido a um processo sistematizado de treinamento por temporadas subsequentes.

    📺 Se você prefere entender esse conceito também em formato de vídeo, aprofundo a fase de transição neste conteúdo do canal:

    Ao falarmos de temporadas seguidas, temos que considerar a característica do empilhamento aqui presente.

    Todo empilhamento é um ponto sensível e requer cuidados específicos, então vamos aos nossos…

    pedra sobre pedra, representando empilhamento.

    Para que serve a Fase de Transição no Treinamento

    A Transição é uma solução de continuidade necessária benéfica do processo sistematizado de treinos; fase que consiste no merecido descanso da rotina das atividades de corredor, ou, as férias dos treinos de corrida.

    Ela é ideal quando cumprida com outras atividades físicas visando a manutenção mínima das capacidades gerais adquiridas ao longo da temporada de treinos.

    Capacidades que devem ser mantidas durante a transição

    • Resistência Cardiovascular
    • Força
    • Flexibilidade

    A transição tem duração de 02 a 04 semanas, com baixo volume e intensidade, e realizada com exercícios aeróbios inespecíficos, ou, diferentes do esporte praticado. Treinos de força, leves a moderados também são bem-vindos, especialmente os funcionais desacostumados.

    📺 Não deixe de ver o vídeo “Como Voltar aos Treinos de Corrida Depois da Fase de Transição”

    Por exemplo: se você tem o supino como exercício para a região peitoral, pode substituí-lo pelo apoio, ou flexão de braços; se você fortalece as panturrilhas no modo tradicional, pode substituir pelo modo do corpo inclinado à frente.

    sugestão de troca de um exercício acostumado por outro desacostumado.

    Quando a transição foge do padrão (e por quê isso acontece)

    Conheci vários atletas de elite que cumpriam uma transição fora do padrão recomendado. Eles ficavam 04 semanas em completo descanso, sem nenhuma atividade física.

    Tamanho era o seu esgotamento físico e mental ao final da temporada, que acreditavam mais nos efeitos de até mesmo tentar esquecer da corrida e todas as outras atividades físicas, do que manter algum nível de qualquer tipo de condicionamento.

    É difícil mensurar se, e o quanto seriam melhores na próxima temporada, tivessem eles passado por uma transição padrão, já que o esgotamento nesse caso, entra também na esfera mental, onde cada qual responde de diferentes formas e necessidades.

    atleta cansado mentalmente.

    O fato é que, tanto tempo inativo e um calendário altamente exigente pela frente, pode gerar sobressaltos a vários sistemas orgânicos no início da preparação, embora mentalmente já esteja tudo certo e restabelecido.

    Riscos e erros comuns durante a fase de transição

    Apesar de ser uma fase aparentemente inofensiva, pelo baixo volume e intensidade das cargas, a natureza delas pode interferir negativamente e por isso exprime cuidados para não acontecerem os equívocos.

    Exemplo prático: quando a atividade escolhida vira risco

    Veja esse exemplo prático: conheci um grupo de ciclistas, com vários atletas de nível olímpico, cuja fase de transição era feita com treinos de corrida leve.

    Um risco de lesão fora do período mais provável 

    Então, ao final de meses treinando e competindo, os pés que empurravam pedais pela ação das musculaturas fortes de quadríceps, se viam subitamente impactando o solo e transferindo esse tipo de força, que, mais do que aos quadríceps e panturrilhas despreparados para isso, provocava fortes dores às articulações.

    Para o caso dos praticantes de corrida, recomendam-se esportes como a natação, ciclismo, remo, caminhada e jogos desportivos, 02 a 03 vezes por semana.

    4 atividades aeróbias recomendadas para corredores na fase de transição.

    A fase de transição para o corredor amador

    Para a categoria de amadores, pode-se aplicar transição àqueles que correm mais de duas vezes por semana, com volume acima dos 30 km, e que fazem uso dos treinos intensos. 

    A melhor época para a transição é ao mesmo tempo subordinada ao período de saturação de treinos e provas da temporada vigente e ao calendário das maiores metas do atleta (amador ou profissional) no ano seguinte, que comanda também a Periodização.

    O papel da periodização no momento da transição

    Periodização – A forma de distribuição dos tipos e quantidades das cargas de treinos pelos diferenciados ciclos durante a temporada.

    O corredor amador no nosso país, geralmente cumpre a transição ao final do mês de dezembro, coincidindo, convenientemente, com as festas e viagens de fim de ano, com exceções, das dezenas de milhares que correrão a São Silvestre, por exemplo.

    Aluno clube da corrida Bertolino na 100ª São Silvestre.

    A transição como momento de reflexão e planejamento

    Trata-se ademais, de um período propício para reflexões sobre o que foi a temporada de treinos e participações em provas; o que deu certo, o que precisa melhorar ou ser revisto e o que não seria bom repetir.

    É também um ótimo intervalo para fazer e organizar os planos da próxima temporada, como projetar um calendário mínimo de provas e pensar nas eventuais viagens para correr.

    Quando a fase de transição se torna ainda mais importante

    • A importância da Transição aumenta conforme aumenta a qualificação do atleta
    • A quantidade e a exigência das competições
    • O lapso de tempo entre as metas primária e secundárias na temporada
    • O número de temporadas de treinamentos que se remontam
    • Assim como o volume e a intensidade de treinos a que foi submetido

    A regeneração dos múltiplos sistemas orgânicos (musculoesquelético, cardiopulmonar, nervoso) e por consequência a prontidão para enfrentar a próxima temporada de treinos, explica a existência dessa fase, reconhecida como fundamental na ciência do treinamento esportivo e verdadeiramente relacionada ao empenho da temporada que se foi e à performance da próxima. 

    Portanto relaxe! não é hora de aquisições, mas de um planejado declínio da forma e de regenerações, e tudo bem…porque RESTABELECIDOS todos os sistemas, CORPO E MENTE, você estará pronto para reiniciar num NOVO CICLO, melhor do que o anterior.

    📺 Vídeo sobre a Fase de Transição 

  • Manifesto Sobre Este BLOG

    Manifesto Sobre Este BLOG

    Corrida, Fitwalk e Treino de Força com Elásticos

    Enquanto o meu canal no YouTube – com o viés da formação – mostra a produção de conteúdos exclusivos sobre Corrida, em 03 playlists (Treinamento e Performance na Corrida; Comportamento e Mentalidade do Corredor; Lesões e Dores na Corrida), este Blog (Blog do Bertô, por Claudio Bertolino) engloba assuntos sobre os 03 pilares, que compreendem toda a minha atuação profissional.

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    Tudo o que você pode esperar sobre os conteúdos dos artigos.

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    Sobre os Meus Pilares Profissionais

    Clube da Corrida Bertolino: Treinamento especializado, presencial e a distância, com planilha individualizada que atende os objetivos, para todos os níveis de corredores.

    Logo do Clube da Corrida Bertolino, assessoria de treinamento de corrida presencial e online.

    FITWALK | A Caminhada Turbinada: Método que adapta a eficiência de uma modalidade esportiva e torna a caminhada comum eficaz para quem busca saúde cardiovascular e queima calórica no mesmo nível, mas sem o impacto da corrida.

    Logo FITWALK A Caminhada Turbinada, método de caminhada técnica criado por Claudio Bertolino.

    Treino com Elásticos & FITTOWER: Método inovador no treinamento de força progressiva com elásticos, com equipamento e livros digitais.

    Logo do método Treino com Elásticos, sistema de força funcional com resistência elástica.
    Logo FITTOWER, equipamento portátil para treino de força com elásticos.

    Pilar 1 – Clube da Corrida Bertolino

    A Ciência da Performance a Serviço da Longevidade

    Pioneirismo e Tradição | Desde 2003

    Minha trajetória como treinador de corrida começou em 2003, em São Paulo. Em 2006, trouxe esse conhecimento e experiência para Londrina, sendo pioneiro na sistematização de treinos de corrida, presenciais e a distância.

    Uma metodologia gerada por décadas de experiências

    • Fundamentação Científica: Estudo as bases do treinamento esportivo desde antes da minha formação acadêmica.
    • Vivência de Elite: Décadas treinando Marcha Atlética, uma modalidade fisiologicamente correlata à corrida de fundo, do alto nível à categoria máster.
    • Networking de Alto Nível: Anos assimilando conhecimentos com treinadores de nível olímpico e observando a elite nacional em campings de treinamento.

    Criação do Método em 2026

    O Método Corrida com Longevidade

    Missão: Formar corredores conscientes para evoluírem de forma sustentável ao longo dos anos.

    Assinatura: “Eu treino corrida. Mas eu formo corredores conscientes.”

    Os Fundamentos da Corrida com Longevidade

    1. Individualização Profunda

    Princípio: cada organismo tem história, limites e respostas próprias.

    A longevidade começa aqui. Treinos genéricos podem funcionar no curto prazo, mas comprometem continuidade. Aqui, o treino parte da realidade do corredor — não de modelos prontos.

    2. Gestão Inteligente da Carga

    Princípio: treinar no limite fisiológico, não no limite do ego.

    Carga mal administrada é a maior inimiga da permanência. Volume, intensidade e recuperação são organizados para estimular adaptação sem gerar desgaste acumulado.

    3. Progressão Estruturada

    Princípio: evolução consistente supera picos de motivação.

    A construção é gradual, sem saltos emocionais, sem acelerações que cobram caro depois. Crescimento sustentável é o que permite correr por décadas.

    4. Corpo como Sistema de Feedback

    Princípio: dor, fadiga e oscilação são dados, não inimigos.

    O corpo informa antes de quebrar. Aprender a interpretar sinais é parte do método.
    Ignorar o corpo é incompatível com longevidade.

    5. Disciplina Sustentável

    Princípio: constância supera motivação.

    Motivação oscila. Disciplina cria permanência. A rotina bem organizada é o que mantém o corredor ativo ao longo dos anos.

    Aluno Rafael, do Clube da Corrida Bertolino participando da 100ª corrida São Silvestre 2025.

    Rafael, do Clube, na 100ª São Silvestre 2025

    Pilar 2 – Fitwalk | A Caminhada Turbinada

    O Desafio Pessoal

    Em 2003, lembrei-me do que via nas competições internacionais nos anos 90: praticantes da modalidade conhecida como Powerwalking completando até mesmo maratonas com uma técnica específica. Decidi que era hora de testar essa ciência em mim mesmo.

    A Descoberta da Eficiência

    Estudei a disciplina e comecei a praticar; e em apenas dois meses recuperei meu peso ideal. Percebi que, embora eu tivesse a facilidade técnica por ser um marchador, e essas duas modalidades são correlatas, os parâmetros fisiológicos e metabólicos eram inegáveis: aquela técnica funcionou no nível de uma corrida, mas com a acessibilidade da caminhada.

    O Primeiro Teste Real

    Era preciso saber como o método funcionava para quem não era atleta. Em 2004, batizei o método como FITWALK e o apliquei por 12 semanas em um sedentário, como meu estudo de caso.

    A compilação dos dados obtidos mostrou a eficácia da disciplina: o indivíduo assimilou a técnica, ganhou condicionamento e perdeu peso. Ali eu tive o registro científico de que a FITWALK era uma ferramenta poderosa para qualquer pessoa, independentemente do histórico esportivo.

    De Projeto à Realidade

    Após décadas de maturação e um projeto adormecido, era hora de tornar toda essa experiência, realidade para as pessoas. Em 2026, FITWALK A Caminhada Turbinada virou o curso mais completo sobre uma caminhada técnica para ensinar algo novo, com a eficácia de uma atividade física inteligente e transformadora.

    O treinador Claudio Bertolino demonstrando a Fitwalk.

    Pilar 3 – Treino com Elásticos

    A Ciência da Resistência Elástica: Autonomia e Força Onde Você Estiver

    O Método Treino com Elásticos

    O Estalo: Da Genialidade de Pilates à Simplicidade de Steve Jobs

    O treino de força é um dos pilares inegociáveis de qualquer atividade física, seja para a performance esportiva ou para a longevidade. E, sempre me questionei: por que ficamos tão dependentes de máquinas pesadas e academias convencionais?

    A resposta veio da história. Na década de 1920, Joseph Pilates revolucionou o movimento usando apenas molas de colchões. Ele provou que o segredo não está no peso da máquina, mas no sistema de ancoragem.

    Inspirado pela máxima de Steve Jobs — de que o simples pode ser mais difícil (e eficiente) que o complexo — decidi tirar os tubos elásticos da “marginalidade” das clínicas de fisioterapia e transformá-los em um método de força protagonista.

    O Sistema: Onde o Elástico Vira Método

    Percebi que o uso amador dos elásticos (segurando-os com as mãos ou pés de forma desorganizada) limitava o seu potencial. Para criar um treino de elite, eu precisava de um sistema.

    Foi assim que desenvolvi o pilar Treino com Elásticos, que une três elementos fundamentais:

    • Ancoragem Profissional: Através da criação da Fittower (uma estação leve e portátil de treinos outdoor), foi resolvido o problema dos pontos de apoio estáveis, permitindo movimentos de força funcional com versatilidade e segurança.
    • Sistematização: Criei o guia “100 Exercícios de Força com Elásticos”, onde cada movimento é catalogado, filmado e organizado por segmento corporal e nível de dificuldade.
    • Autonomia Real: Desenvolvi planilhas e métodos de ancoragem acessíveis para que qualquer pessoa possa treinar em casa, em parques ou em viagens, com a eficácia de uma sala de musculação.

    O Método Treino com Elásticos foi criado e caracterizado a partir da adoção dos seguintes conceitos:

    1. Os elásticos precisam de Pontos de Ancoragem; assunto abordado no livro digital “Ancoragem no Trabalho Resistido com Elásticos”.

    2. 04 níveis de altura, no plano vertical, foram adotados para os Pontos de Ancoragem (próximo ao nível do solo, próximo à altura do joelho, próximo à altura do peito, acima da cabeça); assunto detalhado em “Equipamento FitTower”.

    3. Este método inclui a segmentação didática do corpo em 08 partes distintas, abordadas pelos exercícios sugeridos, e descritas no livro digital 100 Exercícios de Força com Elásticos.

    4. Foi elaborada uma Planilha para montagem de treinos que aponta as segmentações corporais, cada qual com seus exercícios, e estes, com seus respectivos níveis de complexidade (1, 2 e 3), o que propicia mais clareza e identidade ao sistema.

    Estrutura do Método

    -Equipamento; FITTOWER, desenvolvido especificamente para os treinos com elásticos

    -Kits de elásticos e Acessórios

    -Livro Digital Genérico: 100 Exercícios de Força com Elásticos – Teoria e Prática

    -Planilha para montagem dos treinos/aulas

    -Livros Digitais Específicos

    -Livro Digital: Ancoragem no Trabalho Resistido com Elásticos

    Treino em grupo com o Fittower, equipamento para treino de força com elásticos.

    Utilização do equipamento Fittower no treino de força com elásticos.

     Os Resultados Falam por Si

    Hoje, esse método é o coração do trabalho de força que aplico com meus grupos de corrida. Proporcionamos aos alunos uma autossuficiência que os livra de mensalidades e estruturas fixas, entregando resultados surpreendentes em força muscular relativa e prevenção de lesões.

    Meu objetivo com este pilar é mostrar que a complexidade não é obrigatória para que se tenha resultados; basta um método inteligente.

    Muito Além da Corrida

    Para além da corrida, este Blog nasceu da ideia de que movimento não deveria ser algo temporário…nem punição, nem obrigação.

    Mas parte da identidade de quem busca:

    • saúde
    • autonomia
    • performance
    • longevidade
    • permanência

    Cada um dos pilares apresentados aqui existe para cumprir uma função diferente:

    👉 a Corrida desenvolve consciência e performance
    👉 a Fitwalk democratiza o movimento
    👉 o Treino com Elásticos sustenta estrutura e autonomia

    Mas todos apontam para o mesmo lugar: movimento inteligente e sustentável.

    E é exatamente isso que você encontrará aqui: não apenas informações sobre atividade física, mas reflexões, métodos e ferramentas para construir uma relação mais consciente, eficiente e duradoura com o próprio corpo.

  • Estratégia de Prova na Corrida   

    Estratégia de Prova na Corrida   

    Você pode ter a melhor planilha do mundo; pode ter cumprido os treinos por meses, e mesmo assim, na prova tão esperada, competir muito aquém do que podia, ou ate mesmo quebrar.

    Se isso já aconteceu com você, seguramente o problema não estava no treino. Estava na estratégia — e principalmente, na maturidade para executá-la.

    Dominar os treinos é importante, mas transformar preparo em boa competição exige outras competências, e aqui, vou te mostrar quais são e como transformá-las em suas maiores aliadas para que possa correr sempre bem nas provas.

    Isso não é sobre vencer os outros, porque no final da prova, sempre será você com você mesmo.

    👉 Se preferir, em vez de ler, assista ao vídeo:
    📺 Por que Você Quebra na Prova? A Estratégia que está Faltando    

    Domínio Antecipado de Prova

    O que vou te ensinar aqui, chamo de domínio antecipado da prova; a capacidade de chegar na largada já sabendo como você vai se comportar.

    Isso reduz drasticamente a ansiedade pré-prova, quando você não está reagindo ao que acontece — você já decidiu como agir antes mesmo do tiro de largada.

    O domínio antecipado:

    • Elimina improvisos desnecessários
    • Evita o erro emocional dos primeiros quilômetros
    • Cria uma sensação de controle interno mesmo em ambiente caótico

    Com ele, você não depende do ritmo dos outros, ou da euforia do momento; você corre com um plano internalizado e não com impulsos.  

    Pré-requisito 1 – Saber Onde Você Está

    Primeiro pré-requisito: a sua Capacidade Real. Saber exatamente em que ponto você está; se vai correr 10 km, precisa saber: hoje eu sou um corredor de 60 minutos? 55? 50? Estratégia começa com honestidade sobre sua capacidade atual.

    Um treinador experiente consegue estimar isso com facilidade, e quem treina sozinho precisa desenvolver autoconhecimento, o que não é tão difícil assim, não é mesmo?

    Pré-requisito 2 – Maturidade Emocional

    Segundo pré-requisito: Maturidade Emocional. Sem ela, qualquer estratégia morre nos primeiros quilômetros, porque desse jeito a prova começa antes da largada — na base da adrenalina.

    Quando a adrenalina sobe:

    • Ela ativa o sistema nervoso simpático
    • Coloca o corpo em estado de ataque
    • A frequência cardíaca dispara antes mesmo do esforço real começar
    • A percepção de esforço fica momentaneamente mascarada
    • O ritmo parece mais confortável do que realmente é

    Quando o ritmo é o que não parece, é porque a percepção de esforço pode enganar

    👉 Veja esse assunto detalhado no vídeo:
    📺 Carga Interna x Carga Externa                     

    O corredor sente potência, leveza e falsa facilidade nos primeiros metros. O cérebro interpreta a excitação do ambiente como capacidade física aumentada, e isso reduz o freio interno que regula o ritmo planejado.

    E quando a adrenalina estabiliza, o custo fisiológico aparece de muitas formas; as mais perceptíveis são a respiração ofegante e as pernas pesadas — só que o erro já foi cometido lá atrás.

    Para muita gente, essa já é a maior batalha da prova.

    Minha Experiência na Prática

    Agora, como exemplo prático e trazendo para a sua realidade, vou dizer exatamente como eu fazia nas provas, e você vai ver que os pontos que vimos anteriormente vão se unir em torno da sua estratégia de provas.

    Eu competia nos 20 km, muitas vezes em pista oficial de 400m, outras vezes em circuitos de rua, de 2 ou 2,5km

    Meu Dominio da Emoção

    Depois de algum tempo competindo, aprendi sozinho que, se não estivesse tão bem preparado para determinada prova, não fazia sentido algum minha mente impor altas exigências ao corpo.

    Então baixar as expectativas era o que me tranquilizava antes dessas provas, e elas para mim, eram encaradas mais como provas preparatórias ou como um treino de luxo.

    Meu Domínio do Ritmo

    Exceto a primeira prova da temporada, baseado numa sequencia lógica e do meu grau de assimilação dos treinos, eu sempre sabia bastante sobre minha performance momentânea, ou seja, conseguia um prognostico de resultado, ou, uma boa estimativa do que tempo faria na prova.

    👉 Se quiser saber mais sobre sequência lógica de treinos, leia o artigo:
    📝 Como Montar uma Semana de Treinos Equilibrada na Corrida 

    Na Prática (no campo amador)

    Se isso funciona? Vamos para a prática no campo amador. Em 2008, por ocasião da meia maratona de Foz do Iguaçu, fiz mais de 20 prognósticos de resultados dos meus alunos que participaram, baseado em suas preparações.

    Para poucos deles a discrepância entre estimativa e resultado foi maior que 4 minutos, e, quanto maior o nível do corredor, melhor a estimativa, considerando os fatores controláveis.

    Esses prognósticos não foram feitos como um exercício teórico, mas como uma aplicação prática do que vinha sendo construído nos treinos — e, no geral, foram positivos.

    A grande maioria dos atletas conseguiu performar dentro da faixa estimada, respeitando o ritmo planejado e sustentando a estratégia ao longo da prova. Isso não significa precisão absoluta — porque a prova sempre envolve variáveis — mas mostra algo importante:

    👉 processo bem conduzido
    👉 estratégia respeitada

    👉 resultado deixa de ser surpresa
    👉 resultado passa a ser consequência

    Mas vamos voltar à minha estratégia; eu fazia um fracionamento cognitivo do esforço, algo que muitos atletas de alto nível fazem intuitivamente e que serve também para o amador.

    Fracionamento Cognitivo da Prova

    Desse modo, eu nunca competia 20 km, competia quatro provas fortes de 5 km. Cada uma tinha uma missão diferente, e ao final, eu não tinha apenas completado 20 km, eu tinha construído uma prova forte, bloco por bloco de 5 km.

    Aquelas 04 partes eram minhas 04 batalhas de 5k, e ainda que na pista, quando em muitas delas eu contava com um acompanhamento e controle externo a cada volta de 400m e a cada km, ou nos circuitos, onde controlava as passagens de 1 e de 2k, minha mente não perdia o foco em vencer os trechos maiores, que também eram os de maior recompensa.

    Agora veja como tudo se encaixa: quando você sabe sobre sua capacidade momentânea em determinada prova, basta dividir a estimativa para ela, obter o pace (os minutos para cumprir cada km), e seguir nele desde o inicio; não é simples?

    E atualmente, com a tecnologia GPS nos relógios, isso ficou totalmente viável.

    O que Mais Voce Precisa Saber

    Toda prova tem um comportamento previsível; não importa se são 5 km, 10 km, meia maratona ou maratona.

    O corpo passa por fases, a mente passa por fases. E quem entende essas transições corre com vantagem estratégica.

    E agora vou te mostrar as quatro partes invisíveis que toda prova tem — e qual é a missão em cada uma delas.

    Parte 1 – Contenção

    Você está inteiro, a respiração sob controle, as pernas ainda leves… É exatamente aí que mora o perigo.

    O corpo ainda não mostrou o custo da prova, então surge a tentação de partir como se não houvesse amanhã; a missão aqui não é acelerar — é respeitar o plano quando tudo parece fácil demais.

    Parte 2 – Consolidação

    Agora você está totalmente aquecido, o motor encaixou, o ritmo estabilizou. Você ainda está inteiro — mas já trabalhando.

    Entre o fim dessa parte e o início da próxima, normalmente está o trecho mais forte da prova.
    A missão aqui é consolidar eficiência: correr firme, econômico e disciplinado, sem desperdiçar energia emocional.

    Parte 3 – Gestão do Desconforto

    Aqui o corpo começa a cobrar a conta; a respiração fica ofegante, a musculatura pesa. A mente começa a sugerir pequenos acordos: “reduz um pouco… depois você tenta voltar.”

    Essa é a fase mais sensível da prova. A missão é sustentar o ritmo planejado com maturidade, transformando desconforto em permanência.

    Parte 4 – Decisão Emocional

    Agora não é mais sobre condição física; é sobre posicionamento interno. Você já está cansado — e isso é normal.

    A pergunta deixa de ser “estou confortável?” e passa a ser “vou honrar o que planejei?”.
    Aqui ninguém corre com a perna; corre com decisão.

    infografico-quatro-partes-de-toda-prova-corrida.jpg • Alt Text: Infográfico 'QUATRO PARTES QUE TODA PROVA TEM', dividido em: 1. Contenção (o corpo ainda não mostrou o custo), 2. Consolidação (missão de consolidar eficiência), 3. Gestão do Desconforto (sustentar o ritmo planejado) e 4. Decisão Emocional (posicionamento interno).

    Como a Estratégia se Adapta a Cada Distância

    Talvez você esteja se perguntando: “Mas isso vale para qual distância?”
    Vale para todas; dos 5 km à maratona, o corpo muda o tempo de exposição, mas não muda a lógica do comportamento.

    O que se ajusta não é a estratégia, é a duração de cada fase, e é exatamente aqui que mora o domínio técnico: saber adaptar sem distorcer o método e quando você entende isso, nenhuma prova fica “fora do seu perfil”.

    Agora eu vou te mostrar como essas quatro partes se comportam nos 5k, 10k, 21k e 42k.

    Se a prova for 5 km

    Aqui tudo acontece mais rápido, a contenção é curta, mas decisiva. A consolidação já entra forte, porque o ritmo é agressivo desde cedo.

    A gestão do desconforto começa antes da metade e a decisão emocional aparece muito antes do que você imagina. Nos 5 km, maturidade é não confundir intensidade com descontrole.

    Se a prova for 10 km

    Aqui existe espaço para construção. A contenção precisa ser real nos primeiros 2 km e a consolidação ocupa o miolo da prova.

    O desconforto cresce progressivamente, não de forma explosiva, e a decisão emocional aparece nos últimos 2 km. Nos 10 km, vence quem administra bem o meio.

    Se for meia maratona (21 km)

    A contenção precisa ser quase conservadora no início. A consolidação é longa e estratégica.

    A gestão do desconforto começa antes do km 15, mesmo que você não admita, e a decisão emocional domina os últimos 5 km. Na meia, o erro não aparece rápido — ele cobra com juros no final.

    Se for maratona (42 km)

    Aqui o jogo é totalmente mental. A contenção é quase um pacto com a paciência, e a consolidação é extensa e silenciosa.

    A gestão do desconforto não é fase — é processo contínuo e a decisão emocional começa muito antes do km 35. Na maratona, estratégia é sobrevivência inteligente.

    Infográfico explicativo sobre a adaptação da estratégia conforme a distância: nos 5 km a consolidação entra forte; nos 10 km ocupa o miolo; nos 21 km é longa e estratégica; e nos 42 km é extensa e silenciosa.

    Estratégia é Disciplina Emocional

    Perceba uma coisa: Em nenhuma dessas quatro partes eu falei sobre estar motivado.
    Eu falei sobre estar consciente.

    Porque estratégia de prova não é sobre empolgação; é sobre comportamento sob pressão.

    A maturidade emocional é o que permite que você:

    • Respeite a contenção quando está inteiro
    • Consolide quando está forte
    • Sustente quando o corpo negocia
    • Decida quando tudo em você quer aliviar

    Sem maturidade, a Parte 1 vira imprudência, a Parte 2 vira euforia, a Parte 3 vira desistência disfarçada, e a Parte 4 nem chega a existir.

    É por isso que eu disse lá no começo: estratégia não é planilha perfeita e cheia de números; estratégia é disciplina emocional aplicada ao seu ritmo real. Quem quebra na prova não erra no físico, erra na leitura de si mesmo.

    E não esqueça que estratégia não é algo que você pode usar só no dia da prova, mas algo que você pode carregar para cada treino.

    Quando você começa a correr com consciência, deixa de ser refém do impulso e passa a competir com clareza.

    E que na sua próxima largada, você não leve apenas preparo físico, leve domínio.

  • Método ou Ego: O que está Guiando sua Corrida?

    Método ou Ego: O que está Guiando sua Corrida?

    Existe uma diferença enorme entre correr com método… e correr para provar alguma coisa, e boa parte dos corredores não percebe quando atravessa essa linha.

    Porque no campo esportivo o ego não aparece como vilão; ele aparece como coragem, como competitividade, como “garra”.

    Só que, muitas vezes, o que parece força…é desorganização emocional, e tem um ponto importante aqui: o ser humano, principalmente na fase adulta de construção de identidade — quando estamos consolidando carreira, posição social, imagem pessoal:

    • Tende ao modo de afirmação
    • Quer mostrar competência
    • Precisa mostrar capacidade
    • Quer mostrar força

    Não apenas material, mas também moralmente, queremos provar que damos conta em tudo o quanto nos envolvemos.

    E esse impulso, que naquela fase faz sentido na vida profissional e social…
    muitas vezes invade o treino.

    E quando ele invade o treino, o método começa a perder espaço para a necessidade de validação.

    Esse artigo vai falar sobre isso: sobre a diferença entre treinar e competir com método, ou deixar o ego tomar decisões que o planejamento já tinha resolvido.

    👉 Se preferir, em vez de ler, assista ao vídeo:
    📺 Método ou Ego: O que está Guiando sua Corrida?   

    O que é correr com método?

    Correr com método é simples — mas não é fácil.

    É entender que:

    • Cada treino tem um objetivo fisiológico
    • Cada fase do ciclo tem uma função
    • Cada intensidade tem um propósito

    No âmbito das provas, você não é o mesmo atleta em todas elas, já que o organismo responde de forma diferente dependendo do momento do ciclo; e no ambiente do treino não é sobre intensidade máxima – é sobre estímulo adequado – um regenerativo não é fraco, ele é estratégico. Um treino controlado não é “menos esforço”, mas construção.

    Método é saber que performance não é construída no impulso. É construída na repetição inteligente.

    O que é correr com ego?

    Agora vamos falar do que esta sempre nas entrelinhas e quase ninguém admite: ego não é comportamento de arrogância explícita. Ego é quando a emoção toma a decisão que o planejamento já tinha tomado.

    É quando:

    • Você acelera o treino regenerativo porque alguém passou
    • Você transforma um treino progressivo em disputa
    • Você ignora o ritmo da planilha porque “estava se sentindo bem”
    • Você larga uma prova acima do planejado porque “o grupo puxou”

    O ego raramente grita; ele sussurra:

    “Você pode mais”
    “Não fica para trás”
    “Mostra que você está forte”

    E assim… o método começa a se dissolver.

    Infográfico comparativo entre correr com método (objetivo fisiológico, ciclos e propósitos) versus correr com ego (acelerar regenerativos, disputar treinos e ignorar planilhas).

    Treino não é palco

    Tem uma frase aplicável nesse contexto: “Treino não é palco”, porque se o corredor precisa ganhar o treino, então perdeu o processo, já que o treino existe para provocar adaptação fisiológica, não para validar identidade.

    Quando o treino vira validação, a carga externa pode até parecer correta — mas a carga interna já saiu do controle e isso é invisível no momento.

    Mas aparece depois:

    • Fadiga acumulada
    • Oscilação de performance
    • Dificuldade de recuperação
    • Mais dores, em número e grau
    • Lesões recorrentes
    • Sensação constante de “não encaixar”

    O que acontece Fisiologicamente quando o ego assume

    Quando você altera o ritmo de forma impulsiva, você altera:

    Zona metabólica predominante

    Cada intensidade ativa uma predominância metabólica diferente. Quando você acelera além do planejado, sai de uma zona majoritariamente aeróbia e começa a aumentar a participação glicolítica.

    Isso eleva a produção de lactato e a dependência de glicogênio muscular, então, o que era para ser um estímulo de base passa a gerar estresse metabólico elevado, a recuperação deixa de ser simples e passa a exigir mais tempo e reorganização interna, e o que era construção controlada vira desgaste desnecessário.

    Recrutamento de fibras

    Em ritmos controlados, predominam fibras do tipo I, mais resistentes e econômicas. Quando você acelera impulsivamente, começa a recrutar mais fibras do tipo II; essas fibras são mais potentes, mas fatigam mais rápido.

    Isso aumenta o custo neuromuscular da sessão, e além disso, altera o padrão de adaptação esperado para aquele treino; você treinou potência no dia em que deveria treinar eficiência.

    Demanda neural

    Aumentar o ritmo não é apenas questão muscular — é neural. O sistema nervoso central passa a coordenar maior frequência de disparo motor; isso eleva a exigência de sincronização e controle fino do movimento.

    O esforço deixa de ser predominantemente metabólico, passa a ter forte componente neural e o sistema nervoso demora mais para se recuperar do que a musculatura, por isso, às vezes, o corpo parece pronto, mas o desempenho não responde.

    Resposta hormonal

    Mudanças bruscas de intensidade elevam marcadores de estresse, como cortisol e catecolaminas. Em doses adequadas, isso é positivo e adaptativo, mas quando ocorre fora do contexto planejado, gera sobrecarga desnecessária.

    O equilíbrio entre estímulo e recuperação hormonal fica prejudicado; isso pode impactar sono, recuperação e sensação subjetiva de energia, e o ciclo começa a perder harmonia.

    Perceba que você muda completamente o tipo de estímulo e isso desorganiza o ciclo esforço–recuperação. O problema aqui não é correr forte; o problema é correr forte no dia errado.

    Método organiza a adaptação. Ego cria ruído na adaptação, e performance precisa de sinal claro, não de ruído.

    Infográfico 'QUANDO O EGO ASSUME', mudanças fisiológicas negativas na corrida: 1. Zona metabólica predominante da aeróbia para a glicolítica. 2. Recrutamento de fibras musculares começando a recrutar mais fibras do tipo II. 3. Demanda neural com maior frequência de disparo motor. 4. Resposta hormonal com elevação de marcadores de estresse.

    Treinar em grupo: quando o longo vira competição

    Eu já vivi isso tanto em treinos quanto em provas. Teve uma fase da minha carreira em que participava de um camping anual de treinos, e ali, quase sempre conseguíamos reunir um grupo de atletas da mesma modalidade, cada um com sua planilha de treinos, mas compartilhando parte das sessões.

    Alguns treinos da semana eram feitos juntos, principalmente regenerativos e, quase sempre, os longos, e foi justamente nos longos que um padrão começou a se repetir.

    Faltando alguns quilômetros para terminar, alguém acelerava; às vezes era outro atleta, algumas vezes era eu. O ritmo começava a subir progressivamente, e quando percebíamos, aquele longo terminava como se fosse uma prova.

    👉 Nem todo treino precisa virar intensidade; veja isso no vídeo:
    📺 Não São os Tiros: O Treino Mais Importante da Corrida é Outro

    Na semana seguinte, a mesma coisa, e isso começa a ficar normal. Ninguém comenta, os treinadores nem sempre ficam sabendo, e parece algo natural do grupo.

    O momento em que o método se perde

    Mas o que estava acontecendo ali? O treino longo, que tinha uma função específica dentro do ciclo, muitas vezes aeróbia, controlada, acumulativa, estava virando estímulo competitivo.

    A carga interna já não era mais a planejada, e depois de algumas semanas assim, comecei a perceber o efeito colateral:

    • A recuperação ficava mais lenta
    • A sensação de controle diminuía
    • Os treinos seguintes da semana não encaixavam tão bem

    👉 O que acontece entre os treinos também conta; veja no artigo:
    📝 Os Pilares Invisíveis que Sustentam seu Progresso na Corrida

    E aí vem a parte difícil: assumir que aquilo não era estratégia; era ego. Era a necessidade de não chegar depois, de não “ceder” no final, de mostrar força, então ao perceber que aquilo estava afetando o restante da semana, e por consequência, o planejamento inteiro, e foi quando tomei uma decisão consciente.

    Voltei meu foco imediato para a preparação e deixei o foco distante para as competições. Passei a controlar o final dos treinos mantendo meu ritmo ideal, mesmo que isso significasse chegar depois.

    E sabe o que aconteceu?

    O processo voltou a encaixar.
    Os treinos começaram a responder melhor.
    A recuperação melhorou.
    As competições passaram a refletir essa organização.

    E assim, entendi algo que levo até hoje: chegar primeiro no treino pode alimentar o ego, mas chegar inteiro na prova alimenta a performance.

    Na Prova: onde o ego aparece com mais força

    Agora vamos para a prova — onde o ego fica mais sofisticado… e mais perigoso; ele aparece já na largada, e se existe um ritmo planejado para o percurso, ele é um, mas o ritmo do grupo é outro.

    E aí surge a pergunta: você tem, e está executando estratégia, ou reagindo ao ambiente? Porque prova não é lugar de provar valor acima de tudo; é lugar de executar estratégia, e quem larga acima do planejado normalmente paga no final, e muitas vezes não é falta de preparo, mas erro de decisão.

    Estratégia exige maturidade para ser executada

    Ali na prova, da mesma forma que nos treinos, nenhuma estratégia funciona se você não tiver maturidade para executá-la, porque a prova certamente não vai refletir uma planilha perfeita sem a presença da disciplina emocional.

    👉 Assista ao vídeo sobre estratégia de prova:
    📺 Por que Você Quebra na Prova? A Estratégia que está Faltando 

    Se isso puder ajudar – eu sempre ensino aos meus alunos algo que aprendi desde muito cedo na minha carreira de atleta: respeitar o nível de condicionamento que tinha em cada competição, e esse nível geralmente varia bastante, dentro, e entre temporadas.

    👉 Nem todo corredor está pronto para executar o que acha que está, e acaba errando:
    📝 Manias de quem tem treinador, mas vive mudando o treino

    Nem toda prova era para recorde pessoal, nem toda fase era de performance máxima, mas em quase todas consegui extrair o melhor possível dentro daquele momento fisiológico – porque eu executava o que estava planejado.

    Nas raras vezes em que errei perdi segundos importantes, porque no alto rendimento, segundos fazem diferença (para o amador, isso pode representar minutos), mas, hoje sabendo que esses erros estavam ligados à leitura de prova, não à necessidade de provar algo, menos mal.

    E essa diferença é fundamental: quando o erro vem da estratégia, ele ensina; quando vem do ego, ele se repete.

    Ego não é maldade; é insegurança

    Na maioria das vezes o ego não é arrogância; é medo.

    • Medo de parecer fraco
    • Medo de ficar para trás
    • Medo de não evoluir
    • Medo de acharem que você “não está bem”

    Mas maturidade esportiva é saber que performance não se constrói na comparação, se constrói na consistência, e quem disputa treino normalmente compromete prova; quem executa método, normalmente surpreende na prova.

    O papel do treinador

    Como já disse em outras ocasiões, por aqui e também para os meus alunos, o treinador não existe para acelerar você; ele está ali para regular, para proteger você de você mesmo, porque todo atleta — inclusive o experiente — em algum momento vai querer provar algo.

    E é aí que ele precisa ser convencido de que o método precisa prevalecer sobre o impulso.

    Agora deixo uma reflexão simples: quando você treina ou compete, pergunte:

    Essa decisão está alinhada com meu método… ou está alimentando meu ego? E pode ser que só isso já te ajude a ir melhorando suas atitudes pelos treinos e provas, porque o ego constrói momentos, enquanto o método constrói carreira.

    E se você quer correr melhor — e por mais tempo — precisa decidir quem está guiando sua corrida.

  • Como Montar Uma Semana de Treino Equilibrada (Sem Treinar Demais ou de Menos)

    Como Montar Uma Semana de Treino Equilibrada (Sem Treinar Demais ou de Menos)

    Você já sentiu que, mesmo treinando com frequência e empenho, parece não sair do lugar? Em muitos casos, o problema não é a quantidade de esforço, mas a distribuição dos treinos.

    Sou Claudio Bertolino, treinador de corrida há mais de 20 anos e Campeão Mundial Master na Marcha Atlética. Hoje, vou direto ao ponto para te mostrar como estruturar uma semana equilibrada que respeita seu corpo, melhora sua performance e, acima de tudo, pode evitar lesões.

    O Erro do “Balde Furado”

    Muitos corredores treinam com boa vontade, mas sem estrutura. Correm sempre a mesma distância ou no mesmo ritmo todos os dias. Ou pior: fazem treinos fortes em sequência sem tempo de recuperação.

    É como tentar encher um balde furado: o esforço é contínuo, mas o resultado escorre. A evolução na corrida acontece no ciclo Esforço-Recuperação. É no descanso que seu corpo se adapta e fica mais forte.

    O que uma semana equilibrada precisa ter:

    • Treinos Qualitativos: Estímulos fortes (tiros, subidas, ritmados).
    • Treinos Quantitativos: Rodagens de variadas distâncias para base aeróbica.
    • Treinos Leves/Regenerativos: Essenciais para a “limpeza” do organismo.
    • Treino de Força: A força relativa é sua maior aliada contra lesões e para a potência na passada.

    Exemplos Práticos de Distribuição

    Abaixo, preparei três estruturas que utilizo com meus alunos. Você pode adotar essa matriz como base para o seu planejamento:

    1. Iniciante (3 treinos por semana)

    • Terça: Rodagem leve (Base).
    • Quinta: Fartlek com tiros curtos (Adaptação anaeróbica).
    • Sábado: Treino Longo (Adaptação aeróbica)
    Exemplo de semana de treinos ajustada para um corredor iniciante

    2. Intermediário (4 treinos por semana)

    • Segunda: Rodagem leve.
    • Quarta: Fartlek ou Treino Intervalado.
    • Sexta: Regenerativo ou Descanso Ativo.
    • Sábado: Treino Longo (Ritmo progressivo)
    Exemplo de semana de treinos ajustada para um corredor intermediário

    3. Avançado (5 treinos por semana)

    • Segunda: Rodagem leve.
    • Terça: Intervalado (Tiros).
    • Quinta: Ritmo contínuo moderado.
    • Sexta: Regenerativo.
    • Sábado: Longo com variação de topografia (Subidas/Descidas)
    Exemplo de semana de treinos ajustada para um corredor avançado

    OBS 1:Para todos os programas, indico um trabalho de força: 2x na semana.

    praticante de corrida realizando treino de força funcional.

    OBS 2: A adoção da quantidade de dias de treinos na semana aqui é o mais recorrente e tem o aspecto didático da progressão, já que na pratica, e isso não é raro nada impede, que por exemplo, um iniciante treine 2 ou 4 vezes na semana, e um corredor de nível avançado corra bem mais do que 5 vezes semanais.

    Uma ferramenta para o seu planejamento

    Montar essa estrutura com ciclos de treinos exige conhecimento e atenção aos detalhes. Para quem treina por conta própria e quer uma base profissional para começar, eu estruturei esses ciclos em uma planilha para varias distancias de provas e níveis de corredores, que têm um diferencial inovador: a customização onde você pode adaptar a planilha à sua agenda.

    Acompanhamento Individual

    E, se você busca um ajuste ainda mais fino e certeiro para os seus treinos, se deseja que eu analise sua evolução semanalmente, controlando tudo, ainda que à distância é só entrar em contato. Eu acompanho pessoalmente um grupo de atletas e outros tantos de maneira online, lançando mão de toda a minha experiência para garantir que cada quilômetro seja percorrido com máxima segurança e eficiência.

  • Atleta de Elite: A Influência Invisível na Sua Corrida       

    Atleta de Elite: A Influência Invisível na Sua Corrida       

    Se amanhã todos os atletas de elite desaparecessem, você continuaria correndo, seu treino seguiria, suas provas continuariam acontecendo, e seu relógio marcaria o mesmo ritmo.

    Então a pergunta pode ser legítima: para que servem os atletas de elite?
    Essa reflexão conversa diretamente com outra ainda mais essencial: afinal, para que mesmo você treina?.

    Essa dúvida aparece com frequência, e não só entre leigos, mas entre corredores experientes. Se o esporte amador funciona sem eles, por que manter um sistema caro, complexo e restrito a tão poucos?

    Quando essa visão ignora o funcionamento do sistema, ela revela um ponto comum entre a maioria dos corredores: a falta de compreensão do processo — algo que já explorei em como a alienação barra sua evolução.

    👉 Se preferir, em vez de ler o artigo, assista ao vídeo:
    📺 Atleta de Elite: Porque Ele é Importante (Também para o Corredor Amador)

    Antes de Seguir: Entendendo o Ponto de Partida

    O que me chamou a atenção para esse tema foi uma discussão em uma rede social sobre os Jogos Olímpicos no Brasil. A questão levantada era direta:

    👉 Qual a importância dos atletas de elite?
    👉 Para que eles servem, de fato?

    Esse tipo de questionamento aparece com frequência, especialmente quando o esporte é visto apenas como meio — e não como sistema.

    Mas antes de continuar, deixo claro um ponto importante:

    👉 Isso não é uma defesa da especialidade alto rendimento
    👉 Também não é um discurso baseado apenas em experiência pessoal

    A experiência ajuda a enxergar nuances, mas o argumento aqui é outro: é estrutural, e a questão não é se o atleta de elite merece aplauso, a questão é: qual função ele cumpre dentro do esporte como sistema — inclusive para quem nunca vai chegar perto desse nível.

    O Papel Estrutural do Atleta de Elite

    Em países como a Nova Zelândia, isso é entendido com clareza. O atleta que veste o uniforme preto é tido em alto conceito pela sociedade não representa apenas resultado, ele representa:

    • processo
    • identidade
    • responsabilidade

    Existe ali um viés poderoso em todas as camadas para a utilização do desempenho e o entendimento coletivo de que alguém precisa ir ao limite para que o caminho exista, porque é ali que o treino é testado, que os erros aparecem primeiro, que as soluções são forjadas sob pressão real.

    Depois, esse conhecimento desce de nível; é simplificado, adaptado, humanizado, mas a origem continua sendo a mesma: o corredor amador só corre melhor hoje porque alguém, antes, correu até onde dava, e um pouco além, de modo que, ignorar a função do alto rendimento é consumir o produto final sem reconhecer o sistema que o construiu.

    Movimento Cultural x Desconfiança

    O esporte competitivo foi um dos maiores movimentos culturais do século XX. Poucos fenômenos atravessaram fronteiras, regimes políticos, idiomas e classes sociais com a mesma força.

    Atletas, treinadores e pesquisadores tornaram-se vetores desse movimento conectando países.
    Eles promoveram:

    • intercâmbios
    • competições
    • evolução de métodos
    • circulação de conhecimento

    O esporte passou a falar uma língua universal: a do desempenho humano.

    Mas o atleta de elite não existe isolado — nem acima do sistema; ele faz parte de um fluxo cultural que:

    • exporta conhecimento
    • importa técnica
    • transmite comportamento

    Mesmo quem nunca assistiu a uma Olimpíada é de alguma forma, herdeiro desse processo.

    O esporte amador só existe na forma atual porque o alto rendimento pavimentou o caminho, estruturou calendários, criou métodos, estabeleceu parâmetros e forçou o avanço da ciência do treinamento.

    Por que Existe Desconfiança

    Ainda assim, a desconfiança é compreensível, já que, ao longo da história, o esporte de alto rendimento também foi usado como:

    • pão e circo
    • ferramenta política
    • propaganda ideológica
    • negócio pouco transparente
    • demonstrações de supremacia (política, nacional ou sistêmica)
    Infográfico dos riscos do mau uso do esporte de alto rendimento: pão e circo, ferramentas políticas, propaganda ideológica e demonstrações de supremacia.

    Um exemplo clássico de propaganda ideológica foi nos Jogos Olímpicos de Berlim 1936, quando o evento foi amplamente utilizado pelo regime de Adolf Hitler como vitrine de propaganda, reforçando a ideia de supremacia ariana — uma narrativa que acabou confrontada dentro da própria competição por atletas como Jesse Owens.

    Imagem do atleta americano Jesse Owens em 1936, ajudando a quebrar a ideia da suposta hegemonia da raça ariana.

    Jesse Owens contribuiu para as causas dos direitos civis e de igualdade em todo o mundo.

    Em outros momentos, o esporte também foi atravessado por contextos políticos complexos. Um exemplo marcante (eu presenciei esse momento – foto 1) ocorreu durante o Campeonato Mundial de Atletismo de 1991, em meio ao processo de dissolução da União Soviética.

    Na prova dos 50 km da marcha atlética, já dentro do estádio e próximo da chegada, Aleksandr Potashov, com a vitória praticamente assegurada, reduziu o ritmo, voltou-se para trás e esperou seu até então compatriota Andrey Perlov, para cruzarem juntos, a linha de chegada.

    Imagem dos então 2 soviéticos unidos na linha de chegada em Tóquio 1991.

    A geografia em vias de separar 2 atletas, mas a amizade não.

    O gesto, mais do que um fair play esportivo, carregava um simbolismo forte: em um momento de fragmentação política, a união entre atletas representava que, naquele ambiente, o vínculo construído no esporte podia transcender a ruptura institucional.

    O desempenho esportivo, em muitos momentos, foi usado como vitrine de poder e afirmação de superioridade entre nações.

    Casos de doping, corrupção e manipulação de resultados mancharam sua imagem e criaram uma pergunta legítima no corredor amador:

    “Se isso tudo é assim, por que deveria importar para mim?”

    A Resposta Realista

    A resposta não está em idealizar o alto rendimento, mas em entendê-lo como sistema imperfeito, cheio de contradições, mas que continua sendo o principal laboratório onde o treinamento é levado ao limite.

    É ali que erros aparecem primeiro, que excessos cobram seu preço e que soluções precisam ser encontradas, e negar essa herança é desconectar o esporte que praticamos hoje do processo histórico que o tornou possível.

    Referência Científica: Onde o Treino é Testado de Verdade

    O alto rendimento é o ambiente onde o treinamento é levado ao limite, não por vaidade, mas por necessidade. Ali, erros custam caro, por isso, métodos de treinamento, estratégias de recuperação, controle de carga, prevenção de lesões e periodização foram desenvolvidos, testados e refinados nesse contexto extremo.

    O corredor amador não precisa treinar como um atleta de elite, mas se beneficia diretamente da ciência que nasceu ali.

    Quando você entende melhor descanso, progressão, intensidade e consistência, é porque alguém antes precisou resolver esses problemas no nível máximo de exigência; o atleta de elite funciona como referência científica viva, mesmo para quem corre três vezes por semana.

    Esses elementos, inclusive, são a base prática de qualquer planejamento — como mostro em como montar uma semana de treinos equilibrada na corrida.

    Tudo o que nasce no alto rendimento não é transferido diretamente para o esporte amador, onde é filtrado, ajustado, simplificado. O treino do atleta de elite não é copiado, e sim traduzido, e o que muda não é a lógica, mas a dose, o contexto e o objetivo.

    Ignorar isso é um dos erros mais comuns — e perigosos — dentro do processo, como explico em por que não queimar etapas nos treinos

    E foi assim que surgiram e evoluíram:

    • métodos de treinamento
    • estratégias de recuperação
    • controle de carga
    • periodização
    • prevenção de lesões

    Muitos dos erros de interpretação nesse processo acabam levando a problemas recorrentes, como mostro em lesões típicas na corrida.

    O corredor amador não precisa treinar como um atleta de elite; ele se beneficia diretamente da ciência que nasceu ali.

    Infográfico dos avanços científicos e técnicos originados no alto rendimento: métodos de treinamento, recuperação, controle de carga, prevenção de lesões e periodização.

    A diferença é que, no amador, essas ideias precisam ser adaptadas à rotina, à idade, e a outros aspectos e o erro não é se inspirar no alto rendimento, mas ignorar que ele precisa ser reinterpretado.

    Essa adaptação é exatamente o que define a eficácia de modelos modernos de orientação, como explico em o treino a distância: como e quando funciona.

    Por isso, o atleta de elite não serve como modelo de treino, mas como fonte de conhecimento, porque o que ele faz no limite ajuda a entender o que o amador deve fazer dentro do seu próprio limite, e é justamente nessa adaptação — entre o extremo e o possível — que a ciência do treinamento encontra seu sentido mais prático.

    Materiais do Extremo para o Cotidiano

    Tênis, roupas, tecidos, acessórios, tecnologias de impacto, amortecimento e estabilidade não surgiram para o amador, eles surgiram para atender exigências extremas e o atleta de elite é quem testa primeiro.

    Com o tempo, essas soluções são adaptadas, simplificadas e chegam a todos os níveis. O corredor amador corre hoje com muito mais conforto, segurança e eficiência porque o esporte de alto rendimento exigiu essas respostas antes, logo, ignorar isso é desconectar o produto do processo que o criou.

    Ainda que, hoje, o maior volume de consumo esteja entre os amadores — em número, em variedade e em impacto comercial — a origem dessas soluções não está no mercado, mas na exigência extrema. O atleta de elite não consome mais, mas exige mais, e é essa exigência que empurra a inovação que depois se massifica.

    Métodos Vindos do Alto Rendimento

    Quando você entende melhor:

    • descanso
    • progressão
    • intensidade
    • consistência

    É porque alguém precisou resolver esses problemas antes — no nível máximo de exigência. O atleta de elite funciona como uma referência científica viva.

    Atributos de Personalidade: O Legado Invisível

    Talvez o aspecto mais subestimado do atleta de elite não seja físico; é comportamental.

    Nesse ambiente é comum encontrar:

    • resiliência
    • disciplina
    • persistência
    • foco
    • tolerância à frustração
    • capacidade de sustentar processos longos

    O Que o Amador Pode Absorver

    Os atributos de personalidade vistos não são qualidades exclusivas de campeões, mas são amplificadas ali e servem como referência para qualquer pessoa, de modo que o corredor amador não precisa copiar treinos, mas pode — e deveria — aprender com essa mentalidade, já que, em muitos casos, esse legado comportamental vale mais do que qualquer método.

    Infográfico dos principais atributos de personalidade de um atleta de elite, como resiliência, disciplina, persistência, foco e capacidade de sustentar processos longos.

    O Papel Real do Atleta de Elite

    O atleta de elite não existe para ser imitado; ele existe para empurrar limites, gerar conhecimento e manter vivo o processo de evolução do esporte.

    Ainda que o esporte já não seja mais usado oficialmente como “pão e circo”, e que muitas vezes siga como espetáculo inebriante, capaz de anestesiar tensões e de minimizar mazelas sociais…

    Ainda que sua força como manifestação cultural tenha diminuído frente à internet e a outras formas de entretenimento, e ainda que tenhamos aprendido a dar um passo atrás desmascarando falsos campeões e o brilho de performances fraudadas, nada disso anula a sua função estrutural.

    Reflexão Final: O que Isso Muda para Você

    O atleta de elite continua sendo o ponto onde o esforço é levado ao extremo, onde erros aparecem primeiro, onde excessos cobram seu preço e onde soluções precisam ser encontradas, porque é nesse ambiente que o esporte se testa, se corrige e evolui antes de tudo isso chegar aos demais níveis de menor exigência.

    Você pode correr sem o atleta de elite, mas não corre como corre hoje sem tudo o que ele construiu antes.

    Tratemos então a corrida:

    • não como espetáculo vazio
    • não como promessa fácil

    Mas como:

    👉 processo
    👉 construção
    👉 maturidade esportiva

    Porque no fim; a corrida não precisa ser mais dura — precisa ser mais consciente.

  • Treinar Sozinho na Corrida: 3 Erros Comuns e Como Corrigir

    Treinar Sozinho na Corrida: 3 Erros Comuns e Como Corrigir

    Você sabia que mais da metade dos corredores amadores no Brasil treina por conta própria?

    Para muitos, isso é sinônimo de liberdade, flexibilidade e prazer. Mas, sem uma boa estrutura, essa prática pode levar à estagnação, dores e até lesões.

    Neste artigo, Claudio Bertolino, treinador de corrida há mais de 20 anos, revela os erros mais comuns de quem treina sozinho e como evitá-los para conquistar evolução, saúde e desempenho.

    Treinar sozinho não é o problema — estar desorientado, sim

    Correr sozinho tem valor: o silêncio, a conexão, o tempo para pensar. Mas o perigo está em não ter clareza sobre o que fazer, quando e como.

    Corredor treinando sozinho em uma estrada ao entardecer.

    Ao longo de décadas, percebi padrões que se repetem entre corredores que treinam sistematicamente, mas sem orientação. Os três mais frequentes são:

    Erro 1 – Fazer sempre o mesmo treino

    É intuitivo: se o objetivo é correr, basta… correr.
    O problema é que repetir sempre o mesmo tipo de treino — distância, intensidade ou formato — limita a evolução.

    Atleta Corredor em meio a jogos de dados.

    -Falta de variedade impede o estímulo de diferentes capacidades físicas.
    -O corpo não se adapta da forma ideal.
    -A fadiga se acumula, mesmo que o corredor sinta que está “treinando bem”.

    Quase todos os alunos que já recebi traziam esse padrão. Eles treinavam igual toda semana e, mesmo assim, relatavam fadiga alta e poucos resultados.

    Erro 2 – Correr sempre no ritmo errado

    Alguns treinam sempre forte demais. Outros, sempre fraco demais.
    Ambas as situações desorganizam o estímulo e impedem o corpo de se adaptar.

    -Ritmo excessivamente forte → fadiga alta, risco de lesão.
    -Ritmo sempre baixo → evolução lenta ou inexistente.
    -Alternância aleatória de intensidade → falta de coerência no processo.

    Erro 3 – Treinar de forma aleatória

    Tiros mal programados, treinos longos em momentos errados, falta de lógica na distribuição semanal… tudo isso gera conflitos entre estímulos.

    Corredor em pista de atletismo aparentando correr em círculos, representando a falta de evolução.

    O efeito desses erros

    Sem referência, o corredor não entende o que o corpo pede nem o que a preparação precisa.

    O resultado? Frustração, estagnação e, muitas vezes, lesões.
    Já vi corredores passarem anos treinando assim, sem perceber que estavam “andando em círculos”.

    A importância do registro e da organização

    Minha virada pessoal veio quando passei a treinar com um competente treinador, usando planilhas organizadas.

    Também criei um diário de treinos: anotava tudo, dividindo por temporadas e ciclos. Essa ferramenta se tornou essencial para planejamento e ajustes.

    Visão de uma planilha de treinamento de corrida com cronograma detalhado.

    Essa organização ajudou não só na minha carreira como atleta, mas também como treinador de centenas de corredores amadores e na formação de atletas, como uma campeã brasileira juvenil na marcha atlética.

    Atleta vitoriosa, exemplo de resultado com treino organizado.

    Tecnologia a favor do corredor

    Hoje, uso aplicativo especializado para enviar planilhas personalizadas aos meus alunos. Cada treino é adaptado à rotina, com orientações simples e diretas, e feedback constante, e ainda mantenho todos os registros detalhados desde 2006 evitando fórmulas improvisadas ou genéricas.

    Conclusão – Clareza é liberdade

    Treinar sozinho não precisa significar treinar no escuro.
    Com um bom plano, você economiza tempo, reduz riscos e mantém o prazer pela corrida.

    Se vai se dedicar a algo tão importante quanto sua saúde, faça da melhor maneira possível.


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    📌 …Conheça a inovação da Planilha de Treinos de Corrida Customizável:

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    💬 E me conte nos comentários: você treina sozinho ou segue uma planilha?